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Brincadeiras, brinquedos e jogos podem ser facilitadores da aprendizagem... monografia
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Brincadeiras, brinquedos e jogos podem ser facilitadores da aprendizagem... monografia

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  • 1. Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educação e Humanidades Faculdade de Educação Curso de PedagogiaBrincadeiras, brinquedos e jogos podem ser facilitadores da aprendizagem? Abilene Galdino Moura Rio de Janeiro Outubro de 2006.
  • 2. 2Brincadeiras, brinquedos e jogos podem ser facilitadores da aprendizagem? Abilene Galdino Moura Monografia apresentada à Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como requisito final para obtenção da Habilitação: Licenciatura em Formação de Professores para a Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental para Crianças, Jovens e Adultos e o Bacharelado em Pedagogia nas Instituições e nos Movimentos Sociais. Orientadora: Professora Eneida Simões da Fonseca Rio de Janeiro Outubro de 2006.
  • 3. 3Agradeço a Deus por estar sempre ao meu lado, iluminando minha caminhada. A meus filhos, Alexander e Renan, pela compreensão e apoio. As minhas amigas que muito me ajudaram. E a minha orientadora pela paciência.
  • 4. 4 Na idade dos porquês Mas penso! penso em como era engraçada aquela rã que esta manhã ouvi coaxar, “Professor, diz-me, por quê? que graça que tinha Por que voa o papagaio aquela andorinha, que solto no ar, que no céu eu vi passar! que vejo voar tão alto no vento E quando tu, depois, que o meu pensamento vens definir não pode alcançar? o que são preposições e conjunções, quando me fazes repetir Professor, diz-me por quê? que o coração tem dois ventrículos por que roda o meu pião? e duas aurículas... ele não tem nenhuma roda e tantas, tantas mais definições, e roda, roda, gira, rodopia o meu coração, e cai morto no chão... meu coração que não sei como é feito e nem quero saber, Tenho nove anos, professor, cresce, cresce dentro do peito, e há tanto mistério à minha volta a querer saltar para fora, professor, que eu queria desvendar... a ver se assim compreenderias por que o céu é azul? e me farias por que marulha o mar? Mais belos os meus dias. tanto porquê que eu queria saber e tu, tu não queres me responder! Cecília Meireles Tu falas, falas, professor, daquilo que te interessa e que a mim não interessa... Tu obrigar-me a ouvir, quando eu quero falar, obriga-mes a dizer, quando eu quero escutar, se eu vou a descobrir, faz-me decorar... E a luta, professor, a luta em vez do amor...Mas enquanto tua voz zangada ralha, tu sabes, professor, eu fecho-me por dentro, faço uma cara resignada, e finjo, finjo que não penso em nada...
  • 5. 5 SUMÁRIOI – INTRODUÇÃO ...................................................................................02II – METODOLOGIA2.1 – Metodologia do trabalho...................................................................04III – A CRIANÇA.3.1 – O conceito de criança / infância........................................................053.2 – A educação das crianças...................................................................07IV – AS BRINCADEIRAS, OS BRINQUEDOS E OS JOGOS.4.1 – As brincadeiras..................................................................................104.2 – Os jogos.............................................................................................134.3 – Os brinquedos....................................................................................154.4 – Desenvolvimento infantil e o jogo....................................................18V – ESCOLA LÚDICA5.1 – Uma escola lúdica é possível?...........................................................225.2 – Características dessa escola...............................................................255.3 – Professor dessa escola....................................................................265.4 – Escola lúdica e inclusiva...................................................................28VI – RESULTADOS6.1 – Análise dos questionários..................................................................316.2 – Avaliação dos jogos pedagógicos......................................................33CONCLUSÃO............................................................................................35REFERENCIA BIBLIOGRAFICA ...........................................................38ANEXOS....................................................................................................411 – Brinquedos antigos...............................................................................422 – Bonecas antigas....................................................................................433 –Boneca moderna....................................................................................444 – Brinquedos de sucata............................................................................455 – Materiais para brinquedos de sucata....................................................466 – Exemplo de escola lúdica e inclusiva...................................................477 – Brincadeiras inclusivas.........................................................................488 – Recursos e brinquedos inclusivos.........................................................499 – Questionário.........................................................................................5210 – Fotos das crianças brincando..............................................................53
  • 6. 6 Introdução Brincadeiras, brinquedos e jogos estão presentes no cotidiano infantil; por maissimples que seja a interação entre crianças e/ou crianças e adultos percebemos que o lúdico,de alguma forma, pode ser observado em diferentes situações vividas por estes indivíduos.Baseados nesta idéia buscamos em fontes bibliográficas dados que pudessem respaldarnossas indagações: seria o lúdico um facilitador da aprendizagem? Ao longo de alguns anos de prática administrativa escolar, percebemos que ascrianças, logo que chegam à escola, têm a sua naturalidade de expressão delimitada empequenos espaços que, na maioria das vezes, não vão além de um metro quadrado, osuficiente para se ‘plantar’ uma carteira e a criança sobre ela. A escola que entende que sua função é passar conteúdos e cumprir programas aqualquer custo e que em nome disto faz com que o professor ocupe todos os espaços doquadro e, conseqüentemente, os alunos sempre estejam com as folhas dos cadernos cheias,tira das crianças sua naturalidade, liberdade de expressão, espontaneidade. A dicotomia existente entre o brincar e o aprender por ser uma construção socialleva o professor a seguir uma linha conteudista e, embora alguns docentes tentemdiversificar sua prática pedagógica, seus dirigentes e os pais dos discentes não aceitam queo brincar e o aprender possam estar juntos. Pretendemos, portanto dissertar sobre a possível importância do lúdico e de como oato de brincar não é valorizado nem mesmo nas escolas de Educação Infantil. Esperamoslevar os professores a uma reflexão e consequentemente, sejam motivadoras de umamudança de paradigma quanto às suas práticas pedagógicas. Sendo assim, o trabalho está dividido em quatro capítulos: no primeiro falamossobre quando se começou a pensar na criança como uma pessoa diferente do adulto, comsuas especificidades. Na sua educação e de quando foi introduzido o brincar na escola. Nosegundo dissertamos sobre as brincadeiras, os brinquedos e o desenvolvimento infantil combase nos jogos. No capítulo seguinte, juntamos a criança e os jogos para falar sobre aeducação lúdica, educação lúdica e inclusão e como seria a prática docente, levando-os aestarem refletindo sobre essa prática. E finalmente no último capítulo expomos a
  • 7. 7preparação dos jogos pedagógicos e os resultados obtidos com os mesmos e com apesquisa. O objetivo será, a partir dos estudos realizados sobre o tema, contribuir para oentendimento do assunto em questão, e levar o leitor a refletir sobre a importância dolúdico. Tendo em vista que as brincadeiras, os brinquedos e os jogos têm importante papeldesenvolvimento integral da criança, nas funções psicológicas, intelectuais, morais esociais. É por meio do brincar que a criança torna-se um ser ativo no seu própriodesenvolvimento, construindo seus pensamentos e adaptando-se ao ambiente, dessamaneira podemos refletir sobre o brincar, não somente como um facilitador daaprendizagem, mas um fator fundamental e essencial para um bom desenvolvimento globaldo indivíduo. Sendo fundamental ao professor uma perfeita concepção do lúdico como recursopedagógico, e assim levá-lo a uma nova postura profissional. O professor pode exercer opapel de mediador no processo ensino-aprendizagem, incentivando seu aluno aodesenvolvimento das suas habilidades criativas, buscando para isso conhecimento sobre oassunto e de como poderá aliar a teoria à prática. Espera-se que esta pesquisa leve osprofessores adotarem cada vez mais a dinâmica lúdica e que percebam a importância de suaadoção na aprendizagem, proporcionando às crianças um ambiente prazeroso, cheio dealegria e espontaneidade, para que possam vivenciar suas experiências intensamente. O presente estudo é um desafio, à medida que levou a uma reflexão sobre a teoria eprincipalmente a prática da educação lúdica, sobre a importância do aprender brincando. Aescola atual é depositária do saber acadêmico, sendo assim não dá valor às práticas lúdicas,mas é muito jovem e por isso os profissionais que nela atuam podem estar refletido sobre amelhor maneira de ensinar, uma maneira mais cativante a agradável.
  • 8. 8 II Metodologia2.1 – Metodologia Do Trabalho Essa monografia foi feita através de pesquisa bibliografia e coleta de dados a partirda aplicação de questionários e brincadeiras. Buscamos entender se brincadeiras,brinquedos e jogos podem ser facilitadores da aprendizagem. Os questionários foramaplicados a um grupo de professoras de diferentes classes escolares e instituições de ensino.Eles foram aplicados de forma aleatória, sendo dez para profissionais de escolas públicas edez de instituições particulares. Procuramos atingir diferentes municípios do Estado do Riode Janeiro, Mesquita, Niterói, Nova Iguaçu e a cidade do Rio de Janeiro. Aplicamos jogosem turmas da pré-escola à 4ª série do ensino fundamental, faixa etária de 3 a 12 anos, daseguinte forma: 1. Foram aplicados em oito turmas nove atividades diferentes; 2. Uma vezem cada turma de 1ª a 4ª série e da pré-escola, duas vezes, em cada turma; 3. A quantidadede discentes vária por turma, em média foram trabalhados cento e quinze criança. Em linhas gerais procuramos observar: 1. Se as brincadeiras, brinquedos e jogos sãoadotados nas escolas de ensino fundamental; 2. Qual a opinião das professoras sobre o temaem questão, se brincadeiras, brinquedo e jogos podem facilitar a aprendizagem. 3. Quais asdificuldades encontradas na sua utilização no cotidiano escolar. 4. Com qual freqüência asbrincadeiras entram no plano de aula.
  • 9. 9 III - A Criança “A vida da criança é um mistério tão grande que ninguém a deveria tratar com mãos desatentas ou negligentes”. Cecília Meireles (apud GONDRA, 2002, p. 59)3.1 – Conceituando criança e infância. Quando se pensa em criança, quase que imediatamente nos vem à idéia de um serpequeno e frágil que devemos cuidar e proteger. Que precisamos levá-la ao médico, aospasseios, a escola, etc. A criança deve ser estimulada e educada, mas a criança também temseus direitos. O Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA que foi elaborado nas décadasde 1980 e 1990 veio regulamentar os princípios básicos que instituem esses direitos edeveres no tocante à sociedade, instituições e a família. A partir daí começou a luta paracolocá-lo em prática. Segundo Gondra (2002), os conceitos de nossa sociedade estão se modificando, sereadaptando. Sendo assim, a idéia sobre o ser criança não foi sempre a mesma: criança‘protegida’ e com direitos. Ocorreram modificações com o passar do tempo. Diversosautores citam que, no começo do século, a infância era tomada como um problema e eradiscutida por diversos profissionais como: médicos, higienistas, juristas, etc. Nestecontexto, tínhamos uma sociedade para adultos, sem crianças porque estas deveriam serisoladas / escondidas. A criança era considerada como um adulto em miniatura. Não setinha preocupação com sua educação, saúde ou cuidados com a higiene. Muitas criançasmorriam cedo, sem que isso causasse tristeza aos seus pais. Acreditava-se que as criançaseram “anjos” e com a sua morte voltariam ao céu. O interesse pela infância surge, de acordo com Philippe Ariès (1981), a partir doséculo XVII com a observação na Europa de ‘um respeito cada vez mais significativo paraa vida da criança’. Esta fase da vida começa a se diferenciar das outras e passa a serconsiderada pelo que possui de específico. Por este motivo a criança pertencente às famíliasnobres ou burguesas não seria mais vestida como um adulto em miniatura, mas ‘agora tinha
  • 10. 10um traje reservado à sua idade, que a distinguia dos adultos’, como demonstram as muitasrepresentações da criança ao longo do século. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo e pedagogo, traz a preocupação com acriança como um ser em processo, que necessita de cuidados e que deve ser vista com umpotencial a ser desenvolvido pelos professores. Começa-se a pensar nessas crianças comoum ser diferente do adulto, mas fazendo parte do mesmo mundo, com necessidadesdiferentes e conseqüentemente uma educação específica. A criança sai de seu anonimato e passa a ocupar o centro das atenções epreocupações dos adultos, em particular dos educadores, dos médicos e dos juristas. Essaimportância também pode ser relacionada ao fato de que, cada vez mais a sua imagempassa a estar associada a uma expectativa, a uma projeção de futuro. Sendo não apenas ofuturo da família, mas também da nação e da raça. É isso que faz com que a infância ganheum novo status ao longo do século XIX. A preocupação com a infância tem nas primeiras décadas do século XX, um carátersocial, refletindo a preocupação com o futuro do país. Esta preocupação, segundo Gondra(2002), até 1920 tinha um caráter filantrópico ou assistencialista. As crianças eram vistascomo objeto de caridade e não como sujeito de direito. A sociedade não sabia o que fazercom essas crianças, um exemplo foram os donos de escravas que retiravam as criançasnegras de suas mães e alugavam as escravas como ama de leite para outras famílias,conseqüentemente sobravam os filhos dessas escravas que eram abandonados em diversoslugares (igrejas, porta das casas, rua, e outros). A roda - um dispositivo de madeira, em formato cilíndrico com um dos ladosvazados, assentado em um eixo que produz movimento rotativo – que foi inspirada nomodelo Europeu, foi uma das alternativas para que as pessoas parassem de deixar ascrianças em qualquer lugar, mas isso não garantia sua sobrevivência, nem educação. Ascrianças que sobreviviam ao abandono, à criação sem afeto e conseguiam chegar àadolescência, com vários problemas emocionais e, conseqüentemente rebelde (do ponto devista da sociedade vigente) eram confinadas em presídios, hospícios, casas de correção, etc. Rizzini (1997) diz, que a missão do Brasil, não era somente educar as crianças parase ter uma nação forte, mas educar um povo-criança. Essa educação deveria respeitar à
  • 11. 11liberdade e os ritmos da vida da criança, no estímulo às particularidades da condiçãoinfantil, como a fantasia, a imaginação, a pureza, a intuição e a espontaneidade.3.2 – A educação das crianças De acordo com Schueler (2000), com a chegada dos jesuítas ao Brasil, foi marcadoo início da educação oficial. Era uma educação que tinha como finalidade combater aexpansão do protestantismo e educar os indígenas para a submissão usando para isto ocatolicismo. Os jesuítas atuaram, no início da colonização sobre a população infantil indígena, oscurumins, até então inseridos num processo de ensino-aprendizagem, em que a imitação e aparticipação nas atividades dos adultos eram fundamentais na transmissão de sua cultura,foram recolhidos e colocados diante de um trabalho de aculturação exercido sobre eles, afim de legitimar a supremacia da cultura portuguesa. Essa educação era estendida aos filhos dos colonizadores e para a preparação dosfuturos sacerdotes. Instalaram-se em diversas regiões do Brasil. Mas os negros e asmulheres, não tinham acesso a essas escolas; para as mulheres era necessário apenasaprender a ser boas mães e boas esposas. Somente aos mulatos foi dada a permissão a partirdo século XVI. Por duzentos e dez anos, os jesuítas monopolizaram a educação no Brasil, mas sempensar na educação das crianças e suas particularidades. Com a expulsão dos jesuítas houveum retrocesso na educação brasileira. Passaram-se treze anos após a expulsão dos jesuítas do Brasil e nesse período nãohouve escolas, somente aulas avulsas (Aulas Régias). O Marquês de Pombal pretendiamodernizar o ensino, mas as várias tentativas para retomar a educação no Brasilfracassaram, por falta de recursos humanos e materiais. Com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, veio um novo momentohistórico para o país. D. João criou inúmeras instituições com a finalidade de formardiversos profissionais. Após a independência do Brasil, o campo educacional seguiu sem maioresalterações. Todas as resoluções estavam nas mãos de D. Pedro I, que com a intenção de
  • 12. 12promover a instrução pública, decretou a criação da Escola de Ensino Mútuo, voltada para aeducação primária. Essa empreitada não deu certo, levando-os a estabelecerem novas diretrizesfundamentais para a educação. A Constituinte de 1823 estabeleceu a liberdade de ensino,levando a um precedente para uma ampliação sem controle da educação privada. A população brasileira, no final do império era de nove milhões de habitantes, masapenas 2% tinham acesso à escola. Do século XVI ao XVII, a sociedade brasileira viu com indiferença a presença dascrianças e de suas necessidades básicas como alimentação, higiene e educação. A partir dofinal do século XVIII, com o aumento das taxas de mortalidade infantil e a proliferação dosenjeitados – crianças abandonadas, começaram as discussões sobre como modificar asituação. Nas primeiras décadas do século XX, a educação passa a ocupar lugar central nosdebates sobre a nação para que as características especificas da infância fossem respeitadasem sua totalidade. Foi com a Constituição de 1988, segundo Oliveira (2001), que se teve oreconhecimento da educação em creches e pré-escolas como um direto da criança e umdever do Estado. Até então somente as crianças das classes mais privilegiadas tinham essedireito.De acordo com Kishimoto (1995), a introdução da brincadeira na educação infantil começatimidamente com a criação dos jardins de infância, na passagem do século XIX para o XX,fruto da expansão da proposta froebeliana. A teoria froebeliana considera o brincar comoatividade livre e espontânea da criança, dando suporte para o ensino, permitindo a variaçãodo brincar ora como atividade livre ora orientada. A palavra ‘kindergarten’ (jardim dainfância), foi adotada por Froebel no século XIX, para designar instituições educacionalpara crianças em idade anterior à escolaridade obrigatória, que abrangeria a educação e aassistência destinada preferencialmente a crianças pobres. Para Harris, editor das obras froebelianas: “Froebel é o reformador pedagógico que fez mais que todos os restantes juntos, por dar valor à educação, ao que os alemães chamam
  • 13. 13 ‘método de desenvolvimento pela atividade espontânea’, que permite plena expressão, porque ao atos da criança que joga são o resultado de suas próprias decisões e motivações e não obediência ao mando ou sinal do mestre. (Hughes, 1925, p. 194 apud Kishimoto, 1995) Num primeiro momento, a educação infantil brasileira se parece com a americanaonde o brincar apresenta interpretações diferentes, de acordo com a instituição e clientelaatendida. A criação do jardim de infância público ganha estatuto de instituição anexa àescola primária, uma forma de antecipação da escola elementar. Neste contexto, fica claro o quanto é novo o movimento voltado para oreconhecimento da infância, com suas particularidades e a sua educação. Dentro daeducação observamos também, como é recente a introdução das brincadeiras. Percebemosque a escola vem aprimorando sua pedagogia educacional, mais sabendo que há um longocaminho a frete ainda a ser percorrido.
  • 14. 14 IV - Brincadeiras, Brinquedos E Jogos. “Em todos os jogos em que estão persuadidas de que se trata apenas de jogos, as crianças sofrem sem se queixar, rindo mesmo, o que nunca sofreriam de outro modo sem derramar torrentes de lágrimas”. (Rousseau, apud Almeida, 1998, p.22).4.1 – Brincadeiras A brincadeira, para a criança, é a melhor forma de se comunicação e de serelacionar com as outras crianças. É também uma forma de experimentar o mundo, saciarsua curiosidade e aprender a vencer seus medos, já que a criança vê o mundo através dobrinquedo. Na brincadeira a criança se comporta além de seu comportamento diário, agindocomo se fosse maior do que é, fazendo simbolicamente o que mais tarde realizará na vidareal, conforme os estudos de Vygotsky evidenciavam (Vygotsky, 1984) A riqueza do brinquedo decorre de sua capacidade de instigar a imaginação infantil. E não, como muitos acreditam, da possibilidade de imitação de gestos, informações, atitudes e crenças vinculadas na situação de brinquedo ( OLIVEIRA, 1984 p.67, apud Gil et all, 2002. p.83) De acordo com Wajskop (1995), a brincadeira é um fato social, um espaçoprivilegiado de interação infantil e de construção do sujeito-criança como sujeito humano.Trata-se de uma atividade social, onde a criança recria a realidade através da utilização desistemas simbólicos próprios. A brincadeira é uma forma de comportamento social que tem sua própria lógicapartilhada pelas crianças, tendo um sistema de comunicação e interpretação da realidadeque se transforma passo a passo de acordo com a continuidade da brincadeira. É também
  • 15. 15uma atividade voluntária e consciente com características imaginativas e com váriossignificados para o cotidiano, fornecendo um momento educativo para as crianças. “A brincadeira é uma mutação do sentido, da realidade: nele, as coisas transformam-se em outras. É um espaço à margem da vida cotidiana que obedece a regras criadas pela circunstância. Nela, os objetos podem apresentar-se com significado diferente daquele que possuem normalmente”.(Brougère, 1989a:35 apud Wajskop, 1995. p.29) Quando brincam, as crianças se colocam desafios e questões levantando hipótesesna tentativa de compreender os problemas que lhes são propostos pelas pessoas e pelarealidade. Ao mesmo tempo em que desenvolvem sua imaginação, constroem relações reaisentre elas elaborando regras de organização e convivência. Ao brincarem as crianças procuram compreender o mundo e as ações humanas nasquais estão inseridas, tomando consciência da realidade ao mesmo tempo em que já vivema possibilidade de modificá-la. Dentro deste contexto, a aprendizagem representa o desenvolvimento das funçõessuperiores através da apropriação e internalização de signos em um contexto de interação.Por isso, a brincadeira: (...) cria na criança uma nova forma de desejos. Ensina-a desejar, relacionando os seus desejos a um “eu” fictício, ao seu papel na brincadeira e suas regras. Dessa maneira, as maiores aquisições de uma criança são conseguidas no brinquedo, aquisições que no futuro tornar- se-ão nível básico de ação real e moralidade. (Vigotsky, 1984:114, apud Wajskop. 1995. p.34) Segundo Vigotsky (Wajskop, 1995), a brincadeira cria para as crianças uma ‘zonade desenvolvimento proximal’ que não é outra coisa senão à distância entre o nível atual dedesenvolvimento, levando a capacidade de resolver independentemente um problema, e onível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema soba orientação de um adulto ou com a colaboração de uma criança mais capaz.
  • 16. 16 A criança ao brincar e repetir a brincadeira saboreia a vitória da aquisição de umnovo saber fazer, incorporando-o a cada novo brincar. Ela se expressa pelo ato lúdico e éatravés desse ato que a infância leva consigo as brincadeiras, perpetuando e renovando acultura infantil. Segundo Maranhão (2004), o brincar, para a criança, é muito importante e énecessário que conheçamos as necessidades do desenvolvimento infantil a fim deproporcionar oportunidades que elas necessitam para seu desenvolvimento. É brincandoque a criança cria uma ponte entre o imaginário e o real, manipulando o real. No processodo desenvolvimento do pensamento, o brincar, os brinquedos, os jogos assumemimportância se usarmos em nossas atividades pedagógicas. “Admite-se que o brinquedo represente certas realidades. Uma representação é algo presente no lugar de algo. Representar é corresponder a alguma coisa e permitir sua evocação, mesmo em sua ausência. O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo o que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais, para que possa manipulá-los.” [Kishimoto, org, (1999, p. 18) apud Maranhão, 2004. p.18] À medida que a criança cresce, as brincadeiras vão se transformando e ficando maissocializadoras, aprendendo a coexistir com tudo que lhes possibilitem um aprendizado,como por exemplo: como lidar com o respeito mútuo, partilhar brinquedos, dividir tarefas etudo aquilo que implica uma vida coletiva. O brincar possibilita a convivência entre as crianças, levando-as a trocarexperiências diferentes; ajudando-as a interagir com o outro, respeitando os diferentespontos de vista. Elas passam a pensar sobre suas ações nas brincadeiras, a falarem o quesentem, não só para serem compreendidas, mas também para que possam continuar asbrincadeiras.
  • 17. 174.2 – Jogos “Uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente da ‘vida quotidiana’. (Huizinga, 2000: 33 apud Dohme, 2003. p. 16) Existem inúmeras definições, para o que seja jogo. A mais adequada é a que diz quejogo é toda a atividade prazerosa, descomprometida com a realidade, com objetivoscaracterísticos e próprios que são atingidos e se encerram com ela. O lúdico vem desde os povos primitivos que o usavam ultrapassando o caráter dedivertimento e prazer natural; eram atividades do dia-a-dia. Os povos como egípcios,gregos, romanos, maias e astecas utilizavam os jogos para transmitirem seus valores econhecimento para os mais jovens, bem como normas dos padrões de vida social. Outroaspecto do lúdico nesses povos era o do espetáculo oferecido aos deuses como presentes,ou seja, o lúdico na religiosidade. Com o cristianismo, os jogos foram consideradosprofanos, imorais e sem nenhuma significação, sendo afastados do dia-a dia da população. Durante a Idade Média o jogo foi considerado “não sério” por sua associação ao jogo de azar, bastante divulgado na época. (...) O Renascimento vê a brincadeira como uma conduta livre que favorece o desenvolvimento da inteligência e facilita o estudo. (Kishimoto, 1999, p.28 apud Cadernos de Educação Especial, 2002. p. 82) Os jogos não servem apenas como fonte de diversão, mais é importante instrumentode desenvolvimento tanto para crianças como para jovens e adultos. Não serve somentepara o desgaste de energia física, mental e/ou para o entretenimento. O jogo é umaatividade que favorece e incrementa os desenvolvimentos físico, cognitivo, afetivo e social.
  • 18. 18O espaço de jogo propícia experiência e liberdade de criação, onde as crianças expressamsuas emoções, sensações e pensamentos. O jogo mantém relações profundas entre as crianças e as faz aprender a viver e acrescer conjuntamente nas relações sociais. Não é uma atividade isolada de um grupo depessoas formadas ao acaso: reflete experiências, valores da própria comunidade em queestão inseridas. O jogo tem um sentido social, uma função social, através de umaespecificidade. A simulação lúdica é um meio de expressão cultural, antes de ser umaatividade das crianças. O jogo é um meio de expressão das qualidades espontâneas ou naturais da criança.No jogo as crianças mostram suas inclinações reais. Num jogo as crianças encontram umgrande campo para vivenciar de forma livre e autônomo o relacionamento social. “O jogo ao ocorrer em situações se pressão, em atmosfera de familiaridade, segurança emocional e ausência de tensão ou perigo, proporciona condições para aprendizagem das normas sociais em situações de menor risco. A conduta lúdica oferece oportunidades para experimentar comportamentos que, em situações normais, jamais seriam tentados pelo medo do erro ou punição”. (Kishimoto, 1998: 140 apud Dohme, 2003. p. 87) Os jogos simbólicos e o faz-de-conta - O conhecimento das modalidades lúdicasgarante a aquisição de valores para a compreensão do contexto e é através da observação eda manifestação lúdica que a criança adquire potencialidades acerca de seu cotidiano e osexpõe em brincadeiras de faz-de-conta desenvolvendo também seu lado emocional eafetivo a partir destas ‘encenações’. Através de jogos simbólicos, as crianças criam regras, utilizando diversos objetospara representar determinadas funções de acordo com o momento, criando normas,significados e funções específicas para a situação que está ilustrando, criando ou mesmorepetindo. De acordo com Lebovici & Diatkine (1988, p.29), o brincar “supõe uma relaçãodual” e, com este ponto de vista, “podemos afirmar que o ego é formado pelo conjunto depapéis que cada um de nós pode assumir nas diversas situações em que está inserido”.Através da brincadeira, a criança aprende a seguir regras e, mesmo que se trate de um
  • 19. 19brincar livre, que surge naturalmente, este carrega em si as regras da sociedade que acriança já conhece e sabe que deve seguir. Em meio a estas brincadeiras, surgem até mesmos personagens com autoridade pararepreender e ‘fazer cumprir a lei’, como por exemplo, um professor ou um policial, em casode descumprimento de regras da sociedade. Desses tipos de brincadeiras infantis surgemvarias normatizações, de acordo com cada relação que é concebida em meio àsbrincadeiras. De acordo com Dohme (2003) “Um elemento que pode se adicionar àestratégia é o humor e a fantasia. As crianças adoram, divertem-se com o inusitado, o faz-de-conta, a ousadia de enfrentar algumas posturas que os adultos julgam importante” edesta forma sentem-se motivados a executar tarefas antes vistas fora de seu contexto, desuas realidades e apenas obrigatórias. Assim, a criança imita, brinca com a realidade quepossui, realiza, por meio de brincadeiras, tarefas realizadas por adultos ao seu redor; destamaneira elabora as ações que crê que um dia terá como suas. E é por meio dessas brincadeiras que objetos variados tomam diferentes funçõespróprias para cada jogo simbólico que a criança se faz participar; levando-os para o seumundo, onde, agora, tudo está sob seu domínio. Vale ressaltar que “se o objeto representa um elemento da vida cotidiana (cozinha,ferro de engomar) ou na natureza (uma animal ou um vegetal), deve imitar a realidadefielmente” (Lebovici & Diatkine,1988, p. 39), pois assim o brincar aproxima-se cada vezmais da realidade. Portanto, o grande interesse das crianças de brincar com telefones oucom comidas de verdade, por exemplo, pois é o objeto da realidade que é levado para omundo da fantasia, onde será utilizado de acordo com o que a própria criança assimila deseu real uso.4.3 - Brinquedos A história do brinquedo, segundo Weiss (1997), vem desde a pré-história e existeregistro de brinquedos de diversas culturas, levando-nos a pensar como é natural o brincarpara o homem.
  • 20. 20 O brinquedo tem como função, exercer um papel de mediador entre a criança e suacultura, sendo assim a confecção de brinquedos adequados às suas necessidades favorece osimbolismo e a fantasia. O brinquedo estimula a representação da realidade, o desenvolvimento dainteligência e a adaptação ao ambiente. É através do brinquedo e da brincadeira que acriança se aproxima de conhecimentos que possibilitarão sua ação sobre o meio em que seencontra. “Para Piaget (1971), quando brinca, a criança assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois sua interação com o objeto não depende da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribui.” [Kishimoto, org. (1999, p.59) apud Maranhão, 2004] A criança utiliza seu próprio corpo como brinquedo, sendo este seu primeirobrinquedo e depois passa para a exploração de outros objetos. A partir daí o brinquedo vaiestá sempre na vida da criança, explorando sua criatividade, sua imaginação, colocando emprova suas emoções. Quando a criança faz seu próprio brinquedo, ela aprende a trabalhar e a transformarelementos fornecidos pela natureza ou materiais já elaborados, constituindo um novoobjeto, seu instrumento para brincar. Outras vezes, ela se aproveita de artigos nem de longeconcebidos como brinquedos, adaptando-se às suas necessidades e experiências lúdicas. Segundo Vigotisky (1998), com o brinquedo a criança é livre para determinar suaspróprias ações, por outro lado é uma liberdade ilusória, pois suas ações são subordinadasaos significados dos objetos e a criança age de acordo com eles. Os brinquedos tiveram seu surgimento nas oficinas de entalhadores em madeiras,fundidores de estanho e não em fabricas especializadas. Nesse contexto chegamos ao berçoda fabricação dos brinquedos antigos – a Europa. Mais precisamente a Alemanha, queconcentrava os mais belos brinquedos, um exemplo desses brinquedos está no anexo 1 e 2.Fazendo uma linha do tempo temos uma boneca antiga e uma moderna, anexo 3,observando-as poderemos verificar como os brinquedos e a boneca mudaram com o passardo tempo.
  • 21. 21 Mas é a partir da Segunda Guerra Mundial que houve maior utilização do brinquedo,principalmente os de plástico. O brinquedo vem mudando com o tempo e com a revoluçãoindustrial ele passa de artesanal, minuciosa, para ser produzido em larga escala. Atualmenteencontramos uma diversidade de brinquedos: industrializados, artesanais, elétricos eeletrônicos. Com o aumento da violência nas ruas as crianças passaram a ficar presa em casa,tendo a televisão e os brinquedos como companhia, já que as mulheres começaram a ter odireito e posteriormente, o dever de trabalhar para garantir a subsistência familiar. Dessaforma, os brinquedos industrializados passaram a ser os mais adequados à ordemdoméstica, justamente por serem práticos e funcionais, não provocarem sujeira e, quandoquebrados, virarem lixo e poderem ser substituídos por outros. Com a crescente industrialização do brinquedo, cada vez mais aumentam as opções debrincar; aumento questionável se for considerado que os brinquedos não estruturados são osque permitem um maior uso da imaginação e da criatividade. “Em torno dos divertimentos mais naturais, com significado projetivo, como utilização de brinquedos, bonecas, soldadinhos, armas, rodas, que apareciam e desapareciam no decorrer das épocas, representava-se o tipo de valores e concepções que se desejava passar e incutir nas crianças e adolescentes. De um lado, as nações mais célebres, por seus artistas, artesãos, idealistas, propiciaram às crianças muitos brinquedos e divertimentos sadios, educativos, formadores. Outros, porém, passavam pelo pior dos ‘lixos’ que se poderiam oferecer às crianças e adolescentes. A sociedade atual não está longe dessa última alternativa. Os brinquedos atuais variam entre brados de guerra, morte, combates, prazer, consumo utilizado pelas crianças, passando pelos jogos eletrônicos utilizados pelos adolescentes a atingindo os brinquedos eróticos e jogos nas estrelas utilizados pelos adultos. Neles está imbuído o desejo de destruir, alienar e consumir”. (Philippe Áries apud Almeida, 1998. p.38-39) Neste contexto, pais e educadores tem que ficar atentos aos valores que algunsbrinquedos querem passar. Tentar escolher os melhores programas de TV, verificar osvideogames, porque com o capitalismo a criança passou a ser um pequeno consumidor.
  • 22. 22Como consumidor a criança é bombardeada com inúmeras propagandas, de brinquedos ejogos que nem sempre são adequadas a sua fase de desenvolvimento ou idade. Brinquedo de sucatas – atualmente usa-se de tudo e logo se descarta, é a lei doconsumismo exagerado. Não pensamos nos impactos ambientais que a nossa produção dedescartáveis está gerando. Falamos muito dos brinquedos artesanais do começo e dos industrializados, mas nãofalamos dos brinquedos de sucata que podem ser uma ótima opção para trabalhos escolares.Onde estaremos despertando nos alunos o interesse ambiental e estimulando suacriatividade na fabricação de seus próprios brinquedos. No anexo 3 e 4, encontraremosexemplo de brinquedos feitos com sucata. O brinquedo de sucatas é um objeto construído artesanalmente com diversosmateriais, como madeira, lata, borracha, papelão e outros recursos extraídos do cotidiano. “De um lado o fato coloca-se assim: nada é mais adequado à criança do que irmanar em suas construções os materiais mais heterogêneos – pedras, plastilina, madeira, papel. Por outro lado, ninguém é mais sóbrio em relação aos materiais do que as crianças: um simples pedacinho de madeira, uma pinha ou uma pedrinha reúne em sua solidez, no monolitismo de sua matéria, uma exuberância das mais diferentes figuras”.(Benjamin, 1984 apud Weiss, 1997. p. 39) Dentro deste contexto, a recuperação do espaço lúdico através da construção debrinquedos significa não apenas considerar o objeto/brinquedo em si, mas aquilo a que elepossa remeter; um espaço, um fragmento do tempo e espaço da infância, presentes nouniverso adulto. Assim poderíamos recuperar a liberdade da criança de descobrir o mundopela primeira vez.4.4 - Desenvolvimento infantil e jogo Aristóteles classificou o homem como: homo sapiens - o que conhece e aprende,homo faber - o que faz, produz e homo ludens - o que brinca, o que cria. O homem é junção
  • 23. 23de todas essas características; tem uma mente, um corpo e uma alma indissolúveis. Emboracada uma tenha suas características próprias, nossa ênfase é o homo ludens. “Os jogos infantis constituem admiráveis instituições sociais. O jogo de bolinhas entre os meninos comporta, por exemplo, um sistema muito complexo de regras, isto é, todo um código e toda uma jurisprudência”. (Piaget, 1994:23, apud Dohme, 2003) O jogo está presente em tudo que acontece no mundo, superando as atividadespuramente física ou biológica, chegando a um sentido próprio e determinado. Com base na Psicologia Genética de Piaget (Almeida, 1998), descreveremos anatureza do jogo em cada fase do desenvolvimento da criança: Fase sensório-motora → 1 a 2 anos, aproximadamente. É a fase onde se caracteriza a etapa que vai do nascimento até o aparecimento dalinguagem, apesar de reaparecerem durante toda a infância. O jogo surge primeiro, sob aforma de exercícios simples cuja finalidade é o próprio prazer do funcionamento. Essesexercícios caracterizam-se pela repetição de gestos e de movimentos simples e têm valorexploratório. Dentro desta categoria podemos destacar os seguintes jogos: sonoro, visual,tátil, olfativo, gustativo, motor e de manipulação. Nesta fase a criança depende totalmente do adulto, para o seu crescimento e suarelação social, sendo assim, deve ser estimulada de todos os modos possíveis para ter umdesenvolvimento saudável e equilibrado. A criança aprende milhares de informações e atéuma língua complexa. A perda desse período pode ser irreparável; mas quando a criança passa bem por esteperíodo, ou seja, é bem estimulada essa criança alcança uma mente ativa, um corposaudável e um estado emocional equilibrado.
  • 24. 24 Fase simbólica → de 2 a 4 anos, aproximadamente. É uma das fases mais importantes para a vida da criança, além dos movimentosfísicos, ela passa a exercitar intencionalmente movimentos motores mais específicos,exemplos: rasgar, pegar no lápis, encaixar objetos nos lugares, montar e desmontar coisas,etc. Ela exercita os músculos amplos e finos intencionalmente e não somente por impulso,essas manifestações são expressões de período simbólico. Brincando de casinha, motorista,cavalo-de-pau, dança, a criança participa de todos os tipos de brincadeiras, que evidenciammovimentos corporais, imitações e pequenas descobertas. Essas brincadeiras sãoverdadeiros estímulos ao desenvolvimento intelectual. “Jogando, elas chegam a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permaneceriam exteriores à inteligência infantil. É por isso que, pela própria evolução interna, os jogos das crianças se transformam pouco a pouco em construção adaptada, exigindo sempre mais do trabalho efetivo, a ponto de, nas classes pequenas de uma escola ativa, todas as transições espontâneas ocorrerem entre o jogo e o trabalho”. (Piaget, apud Almeida, 1998. p. 45) A imaginação trabalha apenas com materiais contidos na realidade. É por isso queas crianças necessitam de muitos estímulos que reforcem estruturas e alarguem seushorizontes. Nessa fase predomina o ‘egocentrismo’, a criança toma a si como referência paracompreender e explicar o mundo que a cerca. Sendo assim os jogos de regras nãofuncionam, pois não consegue perceber o ponto de vista do outro. Fase intuitiva → de 4 a 6/7 anos, aproximadamente. Nessa fase os jogos assumem uma seriedade absoluta na vida das crianças e umsentido funcional e utilitário, ou seja, elas transformam o real em função das múltiplasnecessidades do ‘eu’. As crianças adoram jogos onde os seus corpos estejam em movimento, essamovimentação torna seu crescimento físico natural e saudável. O desenvolvimento dosmovimentos amplos é estimulado nos exercícios de correr, pular, trepar, nadar, arremessar.
  • 25. 25O desenvolvimento dos movimentos finos organização espacial, ordenada, seqüência, etc,são elaboradas em atividades como rasgar, rabiscar, desenhar, pintar, bordar, costurar,amassar, modelar, que são importantes no processo de alfabetização. Sobre odesenvolvimento mental, diz Piaget (apud Almeida, 1998) “é uma construção contínua,comparável à de um grande edifício que se torna mais sólido a cada novo conhecimento”. Nessa fase, a criança aprende muito rápido, aprende a conversar sobre situações. Alinguagem verbal e escrita a seu redor é mais rica. Ela também, se reúne com outrascrianças para brincar, mas o domínio de regras mais elaboradas não é possível. Fase da operação concreta → de 6/8 a 11/12 anos, aproximadamente. Fase escolar, onde a criança incorporará os conhecimentos sistematizados, tomaráconsciência de seus atos e despertará para um mundo em cooperação com as outraspessoas. Começa a pensar com uma lógica mais socializada. Nessa idade a criança começa a entender o mundo mais objetivamente e a terconsciência de suas ações, diferenciando o certo do errado. Nessa fase os jogostransformam-se em construções adaptadas, exigindo sempre mais o trabalho efetivo eparticipativo no processo de aprendizagem, que começa a sistematizar o conhecimentoexistente. Com 7 anos, aproximadamente, a criança chega ao nível neurológico de maturação,permitindo ao cérebro coordenar ao mesmo tempo inúmeras dimensões dos objetos etambém perceber, discriminar e relacionar centenas de detalhes visuais, auditivos,e associá-los, combiná-los, formando novas estruturas. A partir dessa idade, as brincadeiras, os jogos e os brinquedos aparecem sempre soba forma de interação social, predominando a regras. Fase da operação abstrata → de 11, 12 anos para frente – adolescência. Nessa fase os jogos são atividades adaptativas ao equilíbrio físico, aperfeiçoamentodos músculos e introduzem princípios de descobertas, de julgamentos, de criatividade, decriticidade, caracterizando o pensamento formal e possibilitando o surgimento de relaçõessociais amadurecida.
  • 26. 26 Os povos primitivos utilizavam os jogos para que o adolescente provar-se comoadulto. Para o adolescente os exercícios físicos são uma forma de vazão para suasnecessidades emocionais e sociais. Sendo uma fase das operações formais, e de conquista de algo novo, os jogosintelectuais exercem grande atração aos adolescentes. É o estágio em que o adolescente écapaz de raciocinar dedutiva e indutivamente proposições referentes a ciências, porexemplo. Essa fase é muito importante, mas essa faixa etária sai um pouco do foco dapesquisa. Dentro desse contexto, fica evidente de como são importantes as brincadeira, obrinquedo e os jogos para as crianças, de como o brincar favorece o seu desenvolvimentodesde muito cedo. V - Escola Lúdica “A educação mais eficiente é aquela que proporciona atividade, auto-expressão e participação social às crianças”.(Froebel, apud Almeida, 1998, p.23) “.5.1 – Uma Escola Lúdica é possível? A escola tradicional, normalmente, valoriza os processos verbais presentes nadecodificação de palavras, símbolos e códigos, mas é necessário que haja no seuplanejamento curricular espaço e tempo para as atividades lúdicas mediadas pelaslinguagens oral e motora. Segundo Almeida (1998), observamos e constatamos que nossas escolas, pelomenos a maioria delas, é depositária do saber acadêmico, com ações castradoras e diretivasque não se ajustam à vida do aluno. Na verdade, o aluno é levado a reproduzir tudo que lheé imposto. Como, pois, conciliar a necessidade de jogar que é agradável a criança, com aeducação que devemos dar-lhes? Muito simplesmente: fazendo do jogo o meio de educar a
  • 27. 27criança. O jogo é um fim em si mesmo para a criança, para nós professores, deve ser ummeio. Daí este nome de “jogos educativos” que tende a ocupar cada vez mais espaço emnosso cotidiano. Não se trata, portanto, de deixar a criança livre de sua atividade, abandonada a simesma: “A criança deve jogar, mas todas as vezes que você lhe dá uma ocupação que tem aaparência de um jogo, você satisfaz essa necessidade, ao mesmo tempo, cumpre seu papeleducativo”. (Brougère, 1998:122, apud Almeida, 1998). O ensinar brincando como ponto de partida as situações problema que compõem o centrodos jogos e que constituem perturbações desafiadoras que estimulam a criança a pensar antes deagir. Muitas vezes, o aluno não compreende, por exemplo, noções matemáticas, como adicionar esubtrair, quando a professora se utiliza do quadro-negro ou de folhas de papel. No entanto, a mesmacriança que registrou essa dificuldade assimila esses conceitos espontaneamente quando joga.Assim, iniciando o processo de ensino e aprendizagem com as atividades de natureza lúdica econcreta, a professora consegue sensibilizar o aluno para que ele reaja à problematização comentusiasmo e alegria. “É errôneo pensar que existe uma diferença entre ‘educação’ e ‘diversão’. É o mesmo que estabelecer distinção entre ‘poesia didática’ e ‘poesia lírica’, sob o fundamento de que uma ensina e outra diverte. Contudo, nunca deixou de ser verdadeiro que aquilo que agrada ensina de uma forma muito mais eficaz”. (Mc Luhan, apud Almeida, 1998. p. 54) O jogo não serve somente para o desgaste de energia física, mental e/ou para oentretenimento. Ele é uma atividade que favorece e incrementa o desenvolvimento físico, cognitivo,afetivo e social das crianças. Os jogos na prática educativa tornam-se atividades sérias queauxiliam, enriquecem a incorporação desses conhecimentos sem fazê-las perder a satisfaçãoou o prazer de realizar e buscar. Com os jogos os trabalhos escolares, atividade-jogo, terãouma seriedade e ao mesmo tempo um prazer que não teriam de outra maneira. A escola deve se apoiar no jogo, baseando-se no comportamento lúdico como modelopara garantir o comportamento escolar, sendo assim, uma escola não pode se basearsomente no jogo e nem somente no trabalho. O trabalho escolar deve buscar o equilíbrioentre as duas concepções; o equilíbrio entre o esforço e o prazer, instrução e diversão,educação e vida.
  • 28. 28 Para Almeida (1998), uma escola lúdica busca conduzir a criança ao conhecimento,misturando habilmente uma parte de esforço (trabalho) com uma brincadeira,transformando o aprendizado em um jogo bem sucedido, onde a criança se entregariainteira sem se dar conta disso. O trabalho educativo e o jogo têm relações estreitas, mas com comportamentosdiferentes.Uma educação baseada somente nos jogos seria insuficiente, levando a criança aviver num mundo ilusório. Por outro lado, uma educação baseada somente no trabalhocriaria um ser formal, técnico, destruindo dentro da criança o sentido da vida e da satisfaçãodo próprio viver. O trabalho escolar deve ser o equilíbrio entre as duas concepções, já que oobjetivo da escola é transmitir o conhecimento historicamente acumulado. “O jogo prepara o contato com a existência não humana... Só se domina a natureza pela obediência do espírito, de início, e depois a própria natureza. Se o jogo fica muito distanciado dessa existência real, cabe ao trabalho escolher para ser proveitoso, é diferente do trabalho real. Ele habitua ao esforço, mas não o esforço penoso do trabalhador sustentado pelo peso do arado, pela terra que agarra a seus pés”. (Chateau, apud Almeida, 1998. p.61) Deve existir um equilíbrio entre esforço e o prazer, instrução e diversão, educação evida. Observamos que as escolas de educação infantil ficam próximas ao jogo e as dasséries mais avançadas, ficam próximo ao trabalho se distanciando do jogo. Isso porquenossa sociedade é marcada pela reprodução e pelo domínio de classes, sendo assim existeuma discrepância entre trabalho e jogo. Diferenciando a educação por classes sociais, temos as classes mais privilegiadas quetêm uma escola com jogos – condições mais adequadas de aprender, e as classes menosprivilegiadas se distanciam dos jogos, de uma educação lúdica, levando os alunos aodesprazer. Segundo o filósofo italiano Gramsci (Almeida, 1998), “Os filhos de paisescolarizados familiarizam-se naturalmente com as tarefas escolares, enquanto aos filhosdos trabalhadores custam lágrimas de sangue”. A preocupação em nossas escolas tem sido somente com a reprodução doconhecimento e não com a preparação dos alunos para a produção de idéias e de
  • 29. 29conhecimentos. Podemos constatar que até na educação infantil onde o objetivo deveria sero incentivo à fantasia, à imaginação e ao jogo de idéias, isso não vem ocorrendo devido apressões sociais. Desde muito cedo as crianças são obrigadas e orientadas a aprender umaquantidade exagerada de conteúdos. Um outro problema é que sendo considerado comouma atividade diferente do trabalho realizado dentro das escolas brasileiras, os jogos ebrincadeiras foram inseridos tardiamente na educação infantil e nas outras séries quase nãoexistem. Nossas escolas, professores e educadores estão longe da realidade das crianças, sendopreciso reencontrar caminhos novos para a prática pedagógica escolar, sendo a educaçãolúdica uma boa alternativa. O ambiente da escola lúdica é saudável, alegre e colorida, comjogos criativos desenhados nas paredes e no chão, etc. Constatamos que é possível educar de maneira prazerosa, respeitando a criança emsua individualidade e desenvolvimento. O brincar desde começo da humanidade, ensinou ascrianças e adultos a viver em sociedade, a interagir com seu meio social. Quando se fala em brincadeiras, brinquedos e jogos vêm quase que imediatamente aidéia de prazer, sem responsabilidade, livre. Mas o que queremos passar é que mesmotendo essas características podemos colocar junto o aprendizado, o conhecimento e aseriedade de uma educação lúdica.5.2 - Características da Escola Lúdica A escola lúdica não se diferencia daquelas escolas mais modernas, no que se referea formar alunos críticos, criativos, conscientes e também na formação acadêmica quanto aodomínio do conhecimento historicamente acumulado. Sua maior diferença é o respeito peloaluno, é como conduzirá o ensino-aprendizagem. Nessa escola os alunos sentiram prazer em freqüentá-la, aprender a linguagemescrita, os cálculos, a lógicas intuitivas e concretas, aguçar a curiosidade, a formularconceitos quanto à saúde, à natureza, à família, tudo de maneira envolvente, alegre,participativa e desafiadora. Sempre tomando o cuidado para não ser uma escolaconteudista, que precisa mostrar serviço aos pais sobrecarregando as crianças de formairreal.
  • 30. 30 O ambiente da escola lúdica é agradável não só pela estrutura física do prédio, mastambém pela harmonia e boa convivência entre as pessoas que ali estão. Os espaços sãobem aproveitados; com áreas para exposição de trabalhos, etc. Sendo assim, é importante lembrar que deve haver sempre um equilíbrio entreesforço e o prazer, instrução e diversão, educação e vida, para que não caiamos naarmadilha de super valorizar um método ou outro. “Tem-se um grande desejo em procurar os melhores métodos para ensinar. O mais seguro de todos eles de que sempre se esquece é o desejo de aprender. Dê a ele esse desejo e abandone dados e tudo mais, e qualquer método será bom”. (Rousseau apud Almeida, 1998. p. 85)5.3 - Professor da Escola Lúdica Todas as mudanças dentro das escolas devem contar coma boa vontade e preparodos professores, pois são fundamentais para um bom trabalho com as crianças. Esseprofessor deve ter conhecimento sobre os fundamentos da educação lúdica, condiçõessuficientes para socializar o conhecimento e predisposição para levá-lo adiante. O professor além de ter um bom domínio desse conhecimento específico, devegostar muito das crianças, de conviver com elas. Ser capaz de observar e compreender cadaetapa do desenvolvimento infantil a fim de realizar intervenções pedagógicas, respeitandocada etapa do desenvolvimento infantil, respeitando as crianças como seres espontâneos ecriativos. Não deve ter medo de desafios, ser um pesquisador, aberto a conhecimentosnovos e ter coragem para enfrentar o novo. De acordo com Almeida (1998), nossas escolas e professores não aprenderam aconfiar no aluno; passam o conhecimento e impõem o saber, depois cobram com provas eoutros tipos de avaliações, com medo de que os alunos não dominem o conteúdo. Isso seperpetua das primeiras séries até os cursos de pós-graduação. Tirando dos alunos aliberdade de buscarem novos conhecimentos e novos caminhos. O professor é a chave principal para uma mudança efetiva, não se opondo aliberdade do aluno. Devendo incentivá-lo a autonomia e reforçar a sua autoconfiança.
  • 31. 31Também é necessário que o professor redescubra seu papel de pesquisador, buscandosaberes novos que darão base para sua nova prática. A grande dificuldade de alguns professores é achar que para trabalhar uma educaçãolúdica devem ter habilidades: musicais, artísticas e dramáticas entre outras. Com issomuitos não se acham capazes de executar essa tarefa. Essa idéia deve ser desmistificada,pois ser criativo não é ter um dom divino. O trabalho do professor é exercer o papel demediador no processo ensino-aprendizagem, incentivando seu aluno ao desenvolvimentodas suas habilidades criativas. “Aprendemos quando adquirimos conhecimento. Situações de aprendizagem desafiadoras geram no indivíduo a necessidade interna básica de, talvez, romper com seus próprios limites enquanto movimentos em busca do novo. Por vezes, essa experiência vem acompanhada de sensações, sentimentos e emoções, com alegria e prazer, ou dor, incômodo e conflito. As dinâmicas da psique atuam constantemente na elaboração e aprendizagem decorrentes dessas situações”. (Allessandrini, 1994, p. 23 apud Maranhão, 2004. p. 39) Podemos constatar que uma educação que valoriza a criatividade favorece aoindivíduo a elaboração de suas habilidades cognitivas levando-o a ser criativo na vida. “Eu insisto em que há uma necessidade social desesperada dos comportamentos criativos por parte dos indivíduos... Em um tempo em que o conhecimento, construtivo e destrutivo, está avançando de forma acelerada em direção a uma era atômica fantástica, uma adaptação genuinamente criativa parece se apresentar como a única possibilidade para o homem manter-se à altura das mudanças caleidoscópios de seu mundo...” (Rogers, 1959. p. 249/50 apud Maranhão, 2004. p. 44)
  • 32. 325.4 – Escola Lúdica e Inclusiva A partir da segunda metade da década de 90, com a difusão da Declaração deSalamanca (UNESCO, 1994) que entre outros pontos, propõe que “as crianças e jovenscom necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elasdevem se adequar...” Assim sendo a Educação Especial que antes era um sistema paralelo de ensino, vemse transformando para atuar como suporte à escola regular no recebimento desses alunos. A deficiência era vista como uma doença crônica, e todo o atendimento a essaspessoas, mesmo na área educacional, era baseado no viés terapêutico. Sendo a avaliação eidentificação pautadas em exames médicos e psicológicos e pouca ênfase as atividadesacadêmicas. O trabalho educacional era todo voltado para a alfabetização, sem maioresperspectivas quanto à capacidade desses indivíduos desenvolverem-se academicamente eingressarem no mercado de trabalho. A Institucionalização da Educação Especial no Brasil aconteceu nos anos 70, com apreocupação do sistema público de educação em garantir o acesso à escola aos alunos comnecessidades educacionais especiais. Começou a luta pela inclusão desses alunos nas classes regulares, desencadeando a buscapor alternativas pedagógicas mais adequadas. Assim, foi instituída, dentro das políticaseducacionais, a Integração. Este modelo, que é o mais usado até hoje, visa preparar os alunos deescolas especiais para estarem sendo integrados em classes regulares, com atendimento paralelo emsalas de recursos ou outras modalidades especializadas. A matriz política, filosófica e científica da Educação Especial tornaram-se ‘O deficientepode se integrar na sociedade’. Esse modo de pensar resultou em uma transformação radical naspolíticas públicas, nos objetivos e na qualidade dos serviços de atendimento a este aluno. Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Especial (MEC –SEESP, 1998). O conceito de escola inclusiva implica em uma nova postura da escolaregular que devem propor no projeto político-pedagógico, no currículo, na metodologia, naavaliação e nas estratégias de ensino, ações que favoreçam a inclusão social e práticaseducativas diferenciadas que atendam a todos os alunos.
  • 33. 33 Sendo assim a educação especial não pode mais ser vista como um sistemaeducacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de recursos que a escola regulardeverá dispor para atender à diversidade de seus alunos. A inclusão de crianças com necessidades especiais em classes ditas ‘normais’constitui na grande dúvida e receio dos profissionais da educação. Fala-se muito eminclusão mais se compreende pouco o seu real significado. Os professores tentam trabalharda melhor maneira mais ainda não dominam os processos da inclusão das crianças comnecessidades especiais. A separação do brincar do trabalhar impedem os professores de explorar asbrincadeiras com recursos indispensáveis ao aprender. Sendo assim é preciso conhecer osjogos e os brinquedos, suas alternativas e especialidades para melhor adaptá-las. Também énecessário entender o que é deficiência para melhor ensinar as crianças com necessidadesespeciais. “(...) qualquer perda de função psicológica, fisiológica ou anatômica. Tem como características: anormalidades temporárias ou permanentes em membros, órgãos ou outra estrutura do corpo, inclusive os sistemas próprios da função mental. São exemplos a perda das funções biológicas visuais, auditivas, motoras, decorrentes das mais variadas causas”. (Carvalho, 1998, p. 119 apud Cadernos de Educação Especial, p.77). Uma escola lúdica e inclusiva deve trabalhar seus alunos com necessidadesespeciais nas salas de aula, junto com os outros alunos. Nesse primeiro momento podehaver resistência de alguns profissionais que estão acostumados com as salas de recursos,mas é um longo caminho que deve ser percorrido. As salas de aula, de uma escola montessoriana, é um exemplo concreto deludicidade e inclusão. Não queremos aqui defender um método ou outro, mas apenas dáexemplos para que os educadores possam pensar em uma melhor prática. No anexo 6,temos outro exemplo de escola lúdica e inclusiva, de como deveria ser sua estrutura. E noanexo 7 e 8, alguns exemplos de brincadeiras, brinquedos e recursos inclusivos.
  • 34. 34 O primeiro passo é conhecer os alunos e suas dificuldades, a fim de adaptar os jogosa elas. Preparada a aula e o melhor jogo/ brincadeira e é só ter boa vontade, para passar oconteúdo a ser trabalhado de maneira prazerosa e alegre. Essas aulas além de agradável, aumentam a auto-estima de todos os alunos,principalmente dos com necessidades especiais. Quando juntamos as crianças percebemosque não há discriminação entre eles. A aplicação de jogos, brincadeiras e brinquedos para facilitar a inclusão de alunoscom necessidades especiais são uma alternativa viável, prazerosa e dá bons resultados.Segundo os autores dos Gil (2002), os resultados foram: o aumento considerável daoralidade dos alunos, maior capacidade de concentração, maior cooperação entre colegas. Entendemos que é possível educar crianças com necessidades especiais em umaescola lúdica e inclusiva, onde todas as crianças convivam em harmonia, sabendo respeitaras diferenças. Sabemos que a um longo caminho a ser percorrido, pois transformar a sala deaula em um local aberto a ludicidade e a inclusão é uma tarefa árdua.
  • 35. 35 VI - Resultados6.1 – Análise dos Questionários. Este questionário foi elaborado para coletar dados sobre a prática dos professorescom relação ao lúdico, questionando a existência ou não de uma educação lúdica em nossasescolas. Conforme anàlise do questionário (Anexo 9), e algumas observações realizadas comas docentes, descrevo a seguir os pontos mais importantes desta etapa do trabalho: As professoras entrevistadas só têm o curso de formação de professoras e a relação que elasestabelecem com as escolas é ‘boa’. Ministram aulas tanto na educação infantil como nas sériesiniciais do ensino fundamental dependendo da vontade da direção; o que é decidido em reunião noinício de cada ano letivo. A maioria das entrevistadas tem mais de três anos de prática. Foram unânimes em acharinteressante o uso de brincadeiras, brinquedos e jogos como facilitadores da aprendizagem, masquando pergunto se colocam em prática as atividades desta natureza, as opiniões se divergem. Relataram que trabalham a brincadeira em sala de aula e que as crianças aprendemcom maior facilidade e prazer, mais não aplicam as brincadeiras todos os dias. Seaplicassem todos os dias teriam muito trabalho em controlar as crianças e com isso nãosobraria tempo para dar os conteúdos necessários. Uma professora relatou algo interessante e pertinente à nossa pesquisa, ela aplicoujogos e brincadeiras todos os dias, utilizando conceitos que antes eram trabalhados apenasno quadro negro. Observou que as crianças aprenderam com maior facilidade e queestavam felizes. Então, foi chamada pela direção a fim de explicar às mães o porquê doscadernos das crianças estarem com tão pouca matéria. Então a professora perguntou se asmães tinham observado que seus filhos haviam aprendido a matéria. Uma mãe se levantoue disse: “__Meu filho esta muito feliz, mas lugar de brincar é em casa, aqui ele deveestudar.” Ficou claro pelo relato a existência da dicotomia entre o brincar e o aprender e quenão é só dentro da escola que se tem essa separação. Como observamos e constatamosnesse trabalho, nossas escolas, pelo menos a maioria delas, é depositária do saber
  • 36. 36acadêmico. Na verdade, o aluno é levado a reproduzir tudo que lhe é imposto. Como afirmaMc Luban: “É errôneo pensar que existe uma diferença entre ‘educação’ e ‘diversão’. É o mesmo que estabelecer distinção entre ‘poesia didática’ e ‘poesia lírica’, sob o fundamento de que uma ensina e outra diverte. Contudo, nunca deixou de ser verdadeiro que aquilo que agrada ensina de uma forma muito mais eficaz”. (Mc Luhan, apud Almeida, 1998. p. 54) Mas é fato que para mudar a prática das professoras teremos que rever os conceitossocialmente construídos sobre o brincar e aprender. Continuando a análise, percebemos que muitas professoras alegaram que a escola,os diretores e a coordenação não apóiam essa metodologia, ou seja, voltamos ao assunto dadicotomia existente entre o brincar e aprender. Esse seria o principal motivo para que elasnão trabalhem as brincadeiras como recurso didático e sim como recreação. Quando perguntei o que elas achavam de trabalhar as brincadeiras e jogos comometodologia no ensino de conceitos em todas as aulas, a resposta nos chamou a atenção: Asprofessoras acharam ótimo, mais não viável, pois a agitação das crianças tiraria aconcentração para o restante da aula. E a resposta mais surpreendente foi a de umaprofessora que disse: “__ Se eu usar brincadeiras todos os dias as crianças perderam suacriatividade na hora de brincar livremente.” A surpresa está no fato dela achar que a imaginação e fantasias das crianças acabamse forem muito usada. Ou se a criança brincar sobre o controle pedagógico perde acapacidade de brincar livremente. O brincar livre ou coordenado por um adulto, não deixade ser brincadeira e como podemos verificar neste trabalho o brincar é próprio ao serhumano. A existência da separação entre brincadeira e aprendizado é um dos fatores que maisatrapalham a prática lúdica, mas a resistência e a falta de conhecimento dos pais,professores e educadores de maneira geral, também é um fator que merece atenção.
  • 37. 376.2 – Avaliação dos Jogos Pedagógicos Selecionamos uma série de atividades lúdicas como exemplo de prática para ocotidiano. É importante ressaltar que as atividades não foram feitas todos os dias e nemforam incorporadas ao plano de aula. Aplicamos os jogos de forma aleatória, soltas, de acordo com a faixa etária e aturma. Selecionamos alguns jogos (Anexo 11) como exemplo de enriquecimento da práticaescolar. É importante relembrar que esses jogos não são fins mas meios que completam aprática. Observei que os jogos devem ser analisados conforme a necessidade e disposiçãodas crianças. E quanto mais conhecimento se tiver sobre o assunto e seus resultados, maissegurança terá na aplicação e execução do trabalho. Um outro aspecto é a preparação dos alunos para tais atividades; é necessário queos discentes estejam conscientes e preparados para as atividades propostas. Essa preparaçãoconsiste em colocar para os alunos as regras e de como fazer bom uso delas, pois nasatividades que não ficam claras as regras, há risco de instigar à competição e com issotransformar a atividade numa espécie de anti-jogo, no qual predominam a violência, atransgressão e o subterfúgio. Em alguns momentos os alunos estabelecem as regras do jogo, em outros, cabe aoprofessor elabora-las. Para melhor desempenho das atividades lúdicas, o professor poderá,juntamente com o grupo, elencar regras de comportamento para facilitar o trabalho emgrupo e a aplicação do jogo. Conforme análise das brincadeiras, que foram retiradas dos livros Almeida (2005) eMaluf (2004), e as observações das aplicações realizadas, descrevemos a seguir os pontosmais importantes desta fase do trabalho: Os professores da escola onde foram feitas as brincadeiras, não têm o hábito dobrincar. Todas as informantes disseram que têm dia certo para ‘recreação’, somente nestedia as crianças podem brincar livremente ou com orientação da professora. A exceção sãoas turmas de Educação Infantil que todos os dias podem ir ao parquinho. O que mais chamou atenção foi o dia em que a professora do jardim I levou ascrianças para o parquinho, tinha cerca de 20 crianças, colocou-as encostadas no murototalmente paradas, pois se fizessem algum movimento não brincariam no parquinho. E
  • 38. 38foram chamadas de 5 em 5 para brincarem. O muro ficou cheio de crianças loucas parabrincar, observando os 5 coleguinhas escolhidos para a atividade e assim, iam alternando osgrupos até que todos tivessem participado da atividade proposta e controlada pelaprofessora. Deve ter sido uma tortura para as crianças que deveriam ficar no “paredão”. Quando entramos em contato com a primeira turma que deveria participar dabrincadeira para coleta de dados para este trabalho, os alunos ficaram muito felizes. Emfileiras, cantarolando, como se fosse um comando coletivo “__ Piui, piua, sem correr, semmachucar”, totalmente controlados e bem disciplinados (para orgulho da professora daturma que todo instante repetia, “__ Olha como eles são comportados”), ao chegarmos nopátio começaram a correr para todos os lados, querendo fazer tudo ao mesmo tempo, comoquem conhecesse aquele espaço da escola. Naquele instante, a professora ficou nervosa,pois havia perdido o controle da turma; tentamos acalmá-la mostrando que aquela “bagunçaera normal”, era um comportamento já esperado para o início de qualquer atividade lúdica,pois, enquanto o jogo e as regras não são esclarecidos esta aparente agitação é normal e, emmomento algum deve ser comparada à indisciplina e/ou balburdia escolar. Começamos com brincadeiras livres, levando-os a prestar atenção em quem estavaorientando a atividade. Em seguida, com a brincadeira “Manipulando Bolas”, partimospara o brincar com objetivos pedagógicos. As crianças ficaram muito felizes com asatividades, mas, mesmo assim, a professora achou difícil perder o controle por algunsminutos. Em todas as turmas observadas as atividades foram bem aceitas e compreendidas,embora todas as professoras tivessem reclamado da falta de controle. Mesmo depois de terpassado alguns dias, as crianças perguntam quando voltará a brincar e tentava mostrar queo que foi trabalhado anteriormente ainda era sabido por elas. O que evidencia queprestaram atenção nas regras propostas e que os objetivos traçados para a atividade foramalcançados.
  • 39. 39 Considerações Finais Nosso propósito foi observar o brincar, tal como acontece no contexto escolar apartir de conceitos teóricos, que nortearam a análise das concepções do professor e dacriança sobre esta atividade, tendo ficado evidente a influência do brincar sobre o aprender. Os resultados evidenciaram, especialmente, a importância do brincar na escola. Aescola, em geral, como constatamos, concebe o brincar como algo natural, inato na criança,devendo ser, portanto,aceito e valorizado na infância. Verificou-se, entretanto, que poucoespaço é dado ao brincar por considerá-lo contrário a aprendizagem. Não é aceito pelasprofessoras nos momentos dedicados ao ensino, sendo permitido somente no horário derecreação e/ou recreio. Para entrar no espaço e no tempo considerados do aprender, o brincar tem que sofrertransformações que acabam por descaracterizá-lo transformando em algo próximo dotrabalho/estudo. Ficou claro que deve haver um equilíbrio entre o brincar e o aprender.Supor que o brincar é natural, traz como conseqüência a falsa idéia de que é algo que acriança já sabe. Ao contrario, desde que nasce a criança está inserida em um contexto sociale todos os seus comportamentos são impregnados pela cultura, inclusive o brincar. Este nãoé portanto natural, mas social; precisa ser aprendido com liberdade e naturalidade. Compreendeu-se que não há oposição entre brincar e aprender, há oposição, sim,frente a um modo de ensinar que concebe o aprender como repetição de conteúdos, e obrigao sujeito da aprendizagem a uma contradição: aprender sem agir, sem criar. Conclui-se queé possível brincar na escola e aprender: aprender brincando, aprender criativamente. De acordo com o que foi demonstrado, o brincar é uma via de acesso privilegiadapara o conhecimento da criança; através dessa linguagem ela se expressa em toda suaespontaneidade e comunica o que assimilou da cultura a qual pertence. Brincar e aprendernão são opostos; o problema que se discute é: Por que eles se opõem na escola? Na relação professor-aluno, muitas vezes o professor não percebe o rico momentode trocas de experiências e vivências que ocorre durante as brincadeiras. Apropriando-sepoucas vezes das brincadeiras e criações livres das crianças. Dentro deste contexto, o papeldo professor frente ao brincar não pode ser de um mero observador, no sentido de que deve
  • 40. 40 estar atento às vivências, trocas e experiências entre as crianças, é importante o professor se apropriar desses momentos como uma das diferentes formas de aprendizado. Tanto nas brincadeiras livres como nas dirigidas, percebe-se que meninos e meninas,em alguns momentos interagem e em outros não, começa a separação por gênero. Segundo Maranhão (2004), o brincar, para a criança, é muito importante e é necessário que conheçamos as necessidades do desenvolvimento infantil a fim de proporcionar oportunidades que elas necessitam para seu desenvolvimento. É brincando que a criança cria uma ponte entre o imaginário e o real, manipulando o real. No processo do desenvolvimento do pensamento, o brincar, os brinquedos, o jogo assume importância se usarmos em nossas atividades pedagógicas. “Admite-se que o brinquedo represente certas realidades. Uma representação é algo presente no lugar de algo. Representar é corresponder a alguma coisa e permitir sua evocação, mesmo em sua ausência. O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo o que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos objetos reais, para que possa manipulá-los.” [Kishimoto, 1999 apud Maranhão, 2004. p.18] Para Almeida (1998), a educação lúdica integra uma teoria profunda e uma práticaatuante. Seus objetivos, além de explicar as relações múltiplas do ser humano em seu contextohistórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a libertação das relações pessoais passivas,técnicas para as relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras, fazendo do ato deeducar um compromisso consciente intencional, de esforço, sem perder o caráter de prazer, desatisfação individual e modificador da sociedade. Para Maranhão (2004 – pág.37-39), nosso sistema educacional está voltado ainda para a reprodução do conhecimento, ao invés de preparar o aluno para a produção de idéias e de conhecimentos. Outra característica antiga do ensino atual é de que a educação ainda está voltada para o passado, para o domínio de fatos já conhecidos, esquecendo que nosso aluno viverá a maior parte da sua vida no século XXI e de que terá de se apropriar cada vez mais rapidamente das informações.
  • 41. 41 Nesse contexto, nossos profissionais da área educacional ainda estão presos a estemodelo de educação, não se soltando para uma educação lúdica. O questionário (anexo 9)foi elaborado a fim de dar sustentação a essa afirmação.
  • 42. 42 Referência BibliográficaALMEIDA, Paulo Nunes. Educação Lúdica: prazer de estudar técnicas e jogospedagógicos. 9 ed. rev. Amp. Loyola: São Paulo, 1998.ALMEIDA, Telma Teixeira de Oliveira. Jogos e brincadeiras no Ensino Infantil eFundamental. São Paulo: Cortez, 2005.ARIÉS, Philippe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: EditoraGuanabara, 2ª edição, 1981.BROUGÈRE, Gilles. Jogo e Educação. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre:Artes Médicas, 1998.CRAIDY, Carmem M. e KAERCHER, G. (org.) Educação Infantil: para que te quero?Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 89-108.DOHME, Vânia. Atividades lúdicas na educação: o caminho de tijolos amarelos doaprendizado. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – ECA, Lei Federal nº. 8069 de13.07.1990.GIL. J. P. A. SCHEEREN, C. LEMOS, H. D. D. FERREIRA, S. de M. O significado dojogo e do brinquedo no processo inclusivo: conhecendo noves metodologia nocotidiano escolar.Cadernos de Educação Especial. Número 20. Universidade Federal deSanta Maria (RS).2002, p.74-87.GONDRA, José Gonçalves (org.) História, Infância e escolarização. 1ª edição. Rio deJaneiro: 7 letras, 2002.
  • 43. 43KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O Primeiro Jardim de Infância do Estado de sãoPaulo e a introdução da Pedagogia Froebeliana. Aula de erudição apresentada porocasião do Concurso para Professor Titular na Faculdade de Educação da Universidade desão Paulo. Novembro de 1995a.LEBOVICI, Serge; DIATKINE, René. A função social do brinquedo. In:______.Significado e função do brinquedo na criança. Trad: Liana Di Marco. 3ed. Porto Alegre :Artes Médicas, 1988. p.29-45.MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincadeiras para sala de aula. Petrópolis, RJ: Vozes,2004.MARANHÃO, Diva Nereida Marques Machado. Ensinar Brincando: a aprendizagempode ser uma grande brincadeira. Rio de Janeiro: WAK, 2004.OLIVEIRA, Zilma de M. R. (org). Educação Infantil: muitos olhares. São Paulo. EditoraCortez, 2001.SANTOS, Santa Marli Pires dos (org.). Brinquedoteca: a criança, o adulto e o lúdico.Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.SCHUELER, Alessandra F. M. de. Os Jesuítas e a Educação das Crianças – SéculosXVI ao XVIII. Rio de Janeiro, Editora Universitária Santa Úrsula, CESPI/USU, 2000.REVISTA NOVA ESCOLA. Edição Especial, nº 11. Inclusão: Todos aprendem quandoas crianças com deficiência vão à escola junto com as outras. Ed. Abril.Outubro, 2006,p. 48-49, p. 56-57, p.59-61.REVISTA NOVA ESCOLA. Edição Especial. Jogos e brincadeiras: 90 sugestões parabrincar e aprender. Ed. Abril.
  • 44. 44RIZZI, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infânciano Brasil. Rio de Janeiro, Petrobrás – BR: Ministério da cultura: USU Ed. Universitária:Amais, 1997.UNESCO. Declaração de Salamanca e linhas de ação sobre Necessidades EducativasEspeciais. Brasília: CORDE, 1994.VIGOTISKY, L. S. A formação Social da Mente. São Paulo. Martins Fontes, 1998.WAJSKOP, Gisela. Brincar na Pré-Escola. São Paulo. 5ª edição. Editora Cortez. 1995WEISS, Luise. Brinquedos e engenhocas: atividades lúdicas com sucata. 2ed. SãoPaulo: Scipione, 1997.
  • 45. 45ANEXOS
  • 46. 46Anexo 01 - Brinquedos antigos
  • 47. 47Anexo – 02 – Bonecas antigas
  • 48. 48Anexo – 03 – Boneca moderna Boneca AnandaCom a mais alta tecnologia, Amazing Ananda é uma boneca que surpreende pelos seus mecanismos superinterativos. Ela reconhece a voz da verdadeira mãe, expressa seus sentimentos demonstrando alegria outristeza em seu lindo rostinho, responde a palavras-chave, fala mais de 800 frases diferentes e reconhecequando a "mamãezinha" penteia seu cabelo, troca sua roupinha, escova seus dentinhos ou a leva aopeniquinho. Com um relógio interno ela tem horário programado para acordar e da mesma forma para irdormir. Além disso, Amazing Ananda reconhece datas especiais como Páscoa, Dia das Mães, Dia dosNamorados, Natal e Reveillon. Acompanha: camisolinha, pratinho de comida com três colherinhas com tiposdiferentes de massas, suco, pizza, biscoito, bolinho, acessório para cabelo, escova de cabelo, peniquinho eescova de dente. Funciona a pilha; Fala portugês. R$799,90
  • 49. 49Anexo 04 – Brinquedos de sucata
  • 50. 50Anexo 05 – Materiais para brinquedos de sucata.
  • 51. 51Anexo 06 – Exemplo de escola inclusiva.
  • 52. 52Anexo 07 – Brincadeiras inclusivas.
  • 53. 53Anexo 08 - Recursos e brinquedos inclusivos.
  • 54. 54
  • 55. 55
  • 56. 56Anexo 09 – Questionário. 1) Há quantos anos você atua como professora? 2) Atualmente você trabalha apenas na rede pública de ensino? 3) Qual a sua opinião sobre os jogos, brincadeiras e brinquedos como facilitadores da aprendizagem? 4) Como você trabalha as brincadeiras em sua aula? 5) Você acha que as brincadeiras podem ser empregadas como facilitadores da aprendizagem? 6) Em quais séries e por quê? 7) Você já empregou jogos e brincadeiras em suas aulas? Se a resposta for afirmativa, qual a freqüência? 8) O resultado foi o esperado? 9) Você achou difícil aplicar as brincadeiras? 10) Você teve dificuldade em controlar os alunos? 11) O que você acha de usar brincadeiras e jogos como metodologia no ensino de conceitos em todas as aulas?
  • 57. 57Anexo 10 – Fotos das crianças brincando.