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Análise de Crônica<br />O gênero crônica é um texto vinculado essencialmente em jornais e tem como função produzir um rela...
O texto a seguir é uma das crônicas mais importantes da literatura brasileira:<br />Complexo de vira-latas 1<br />(Nélson ...
Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, "não". M...
A crônica de Nélson Rodrigues pode ser dividida em três momentos:<br />1 – Introdução: um fato do cotidiano<br />2 – Ampli...
1 – Introdução: um fato do cotidiano<br />O texto pode ser escrito em primeira pessoa<br />Hoje vou fazer do escrete o meu...
E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: - é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez d...
2 – Ampliação: o fato do cotidiano é ampliado para a análise dos dramas humanos<br />A pura, a santa verdade é a seguinte:...
3 – Redução / Conclusão: retorno ao fato cotidiano<br />Dizer que nós nos julgamos "os maiores" é uma cínica inverdade. Em...
Ao escrever uma crônica, preste atenção aos seguintes critérios:<br /><ul><li> Escrever como se o texto fosse publicado em...
Eleger uma situação do cotidiano como ponto de partida para suas discussões
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Análise de crônica

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Análise de crônicas para vestibular

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  1. 1. Análise de Crônica<br />O gênero crônica é um texto vinculado essencialmente em jornais e tem como função produzir um relato do cotidiano. Geralmente considerado como um gênero menor, a crônica vai dos detalhes do dia-a-dia aos dramas humanos<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  2. 2. O texto a seguir é uma das crônicas mais importantes da literatura brasileira:<br />Complexo de vira-latas 1<br />(Nélson Rodrigues)<br />Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: - "O Brasil não vai nem se classificar!". E, aqui, eu pergunto: - não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado? <br />Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse "arrancou" como poderia dizer: - "extraiu" de nós o título como se fosse um dente. <br />E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: - é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício. <br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  3. 3. Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, "não". Mas eis a verdade: - eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: - sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo. Pois bem: - não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.<br />A pura, a santa verdade é a seguinte: - qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: - temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de "complexo de vira-latas". Estou a imaginar o espanto do leitor: - "O que vem a ser isso?". Eu explico.<br />Por "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos "os maiores" é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: - e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: - porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.<br />Eu vos digo: - o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: - para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão <br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  4. 4. A crônica de Nélson Rodrigues pode ser dividida em três momentos:<br />1 – Introdução: um fato do cotidiano<br />2 – Ampliação: o fato do cotidiano é ampliado para a análise dos dramas humanos<br />3 – Redução / Conclusão: retorno ao fato cotidiano<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  5. 5. 1 – Introdução: um fato do cotidiano<br />O texto pode ser escrito em primeira pessoa<br />Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: - "O Brasil não vai nem se classificar!". E, aqui, eu pergunto: - não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado? <br />Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse "arrancou" como poderia dizer: - "extraiu" de nós o título como se fosse um dente. <br />Nélson Rodrigues começa sua discussão a partir de um tema banal, quase irrelevante: jogos de futebol. Observar que o autor atribui as discussões a lugares do cotidiano, como bares e botecos<br />Perceba como o autor estabelece uma relação de proximidade com o leitor<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  6. 6. E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: - é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício<br />Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, "não". Mas eis a verdade: - eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: - sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo. Pois bem: - não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.<br />A crônica é um texto datado: ou seja, o autor constrói relações intertextuais que não se perpetuam através do tempo. Entretano, o texto continua compreensível<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  7. 7. 2 – Ampliação: o fato do cotidiano é ampliado para a análise dos dramas humanos<br />A pura, a santa verdade é a seguinte: - qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: - temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de "complexo de vira-latas". Estou a imaginar o espanto do leitor: - "O que vem a ser isso?". Eu explico.<br />Por "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol.<br />Neste trecho, o autor amplia a discussão: de um mero campeonato de futebol, o autor disserta sobre o caráter do povo brasileiro<br />Observe que o autor usa termos típicos da psicologia<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  8. 8. 3 – Redução / Conclusão: retorno ao fato cotidiano<br />Dizer que nós nos julgamos "os maiores" é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: - e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: - porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.<br />Eu vos digo: - o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: - para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão <br />No final, o autor retorna à discussão sobre futebol<br />Em uma crônica, ao invés de descrever a situação, o autor a analisa<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  9. 9. Ao escrever uma crônica, preste atenção aos seguintes critérios:<br /><ul><li> Escrever como se o texto fosse publicado em um jornal de grande situação;
  10. 10. Eleger uma situação do cotidiano como ponto de partida para suas discussões
  11. 11. Estabelecer uma relação de proximidade com o leitor
  12. 12. Priorizar as análises às descrições</li></ul>Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
  13. 13. 1Texto editado na revista Manchete esportiva, a 31 de maio de 1958, e republicado em À sombra das chuteiras imortais - crônicas de futebol (organização de Ruy Castro para a Cia. das Letras, São Paulo, 1993). Trata-se da última crônica antes da estréia do Brasil na Copa de 1958, que, como se sabe, foi a primeira vencida pela Seleção brasileira. Nelson mantinha, nesta publicação, uma coluna chamada "Personagem da semana", o que explica o começo do texto.<br />Prof. Breno Deffanti - brenopontocom@gmail.com<br />
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