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Formação de um Ambiente Inovador na Cadeia de
Petróleo, Gás e Energia de Sergipe
Formação de um Ambiente Inovador na Cadeia de
Petróleo, Gás e Energia de Sergipe
Aladio Antônio de Souza
Ana Lúcia Nunes d...
Kleverton Melo de Carvalho
Miriam Guimarães Ferraz
Nelson Souza Filho
Patrícia Pereira Peralta
Pedro Silva Neto
Rosivaldo ...
EDITORA
Editora UFS
REVISÃO
Jaqueline Neves Moreira
CAPA
Genilson Sebastião dos Santos Júnior
ARTE FINAL E DIAGRAMAÇÃO
Dan...
APRESENTAÇÃO
O
conteúdo deste livro é uma grande contribuição científica no salto
de desenvolvimento econômico que o Estad...
lico no Estado.
Pelo seu ineditismo o livro contempla informações preciosas que irão
auxiliar nas estratégias de ação das ...
ÍNDICE
APRESENTAÇÃO 7
INTRODUÇÃO 11
CAPÍTULO 1
AImportânciadaInovaçãoedaGestãodaInovacãoparaoDesenvolvimento
Econômico 15
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CAPÍTULO 6
Aprendizagem Organizacional na Rede Petrogas 105
Nelson Souza Filho
CAPÍTULO 7
A Contribuição da Rede Petrogas ...
REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 11
INTRODUÇÃO
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or acreditarmos que soluções inovadoras se baseiam no desen...
REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO12
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 13
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO14
vidual para o emergente paradigma baseado na cooperação e na obtenção
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 15
CAPÍTULO 1
A IMPORTÂNCIA DA INOVAÇÃO E DA GESTÃO DA
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO16
No intuito de compreender estas relações, é necessário se fazer algu-
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 17
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 19
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severa que administrar e gerenciar consistirá em planejar, praticar ou p...
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Um ambiente inovador precisa ser transparente; precisa ter respeito pelos...
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o desenvolvimento do Brasil e dos estados brasileiros? Será que os órgão...
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sarial, gestão governamental; gestão educacional, esta, tem fundamental i...
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Foram pesquisadas 531 empresas, representativas de uma amostra pro-
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conhecimento. Cada hélice representa uma esfera institucional indepen-
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REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 29
Lei estabeleceu algumas medidas de incentivo à inovação e à pesquisa cie...
REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO30
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CAPÍTULO 2
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Instituições Científicas e Tecnológicas – ICT e os interesses de classes,...
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sempenho das empresas na economia da inovação, sobretudo em atividades
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  1. 1. Formação de um Ambiente Inovador na Cadeia de Petróleo, Gás e Energia de Sergipe
  2. 2. Formação de um Ambiente Inovador na Cadeia de Petróleo, Gás e Energia de Sergipe Aladio Antônio de Souza Ana Lúcia Nunes de Oliveira Ariane Cedraz Cerqueira Rosivânia da Paixão Silva Oliveira Organizadores
  3. 3. Kleverton Melo de Carvalho Miriam Guimarães Ferraz Nelson Souza Filho Patrícia Pereira Peralta Pedro Silva Neto Rosivaldo de Lima Lucena Sônia Regina Federman Valdice Barbosa de Queiroz Wanusa Campos Centurión Aladio Antônio de Sousa Ana Lúcia Nunes Oliveira Ana Maria de Brito Pires Dione Pujals Wisnheski Elizabeth Ferreira da Silva Fernando Gomes de Paiva Júnior Francisco Lima Cruz Teixeira Francisco Solano Moreira Teles Jorge da Silva Correia Neto Formação de um Ambiente Inovador na Cadeia de Petróleo, Gás e Energia de Sergipe Autores
  4. 4. EDITORA Editora UFS REVISÃO Jaqueline Neves Moreira CAPA Genilson Sebastião dos Santos Júnior ARTE FINAL E DIAGRAMAÇÃO Daniel Peixoto da Silva (79) 8134-1138 / 3041-3466 IMPRESSÃO Junior Artes Gráficas Redes de cooperação com indutoras da inovação: formação de um ambiente inovador na cadeia de petróleo, gás e energia de Sergipe. / organizadores: Aladio Antônio de Sousa ... [et al.]. -- São Cristó- vão: Editora UFS, 2012. 194 p. ISBN: 978-85-7822-193-5 1. Petróleo – Gases – Sergipe. 2. Inovação tecnológica – Rede de Petróleo e gás - Sergipe. 3. Propriedade intelectual – Ciências e tecno- logias – Patente. 4. Petrobras. I. Sousa, Aladio Antonio de. II. Oliveira, Ana Lúcia Nunes. III. Cerqueira, Ariane Cedraz. IV. Oliveira, Rosivâ- nia da Paixão Silva. CDU 622.323(813.7) Bibliotecária/Documentalista: Nelma Carvalho CRB-5:1351 FICHA CATALOGRÁFICA R314
  5. 5. APRESENTAÇÃO O conteúdo deste livro é uma grande contribuição científica no salto de desenvolvimento econômico que o Estado de Sergipe experi- menta. Trata-se de uma obra que dialoga com o ambiente inovador dentro de um dos principais segmentos produtivos de Sergipe. A estruturação da obra em seus dez capítulos permite uma leitura fá- cil e dinâmica na compreensão da realidade da Cadeia de Petróleo, Gás e Energia de Sergipe. Acredito que no futuro esta cadeia vai estar inserida em um complexo maior e que envolverá as refinarias que são estruturadas para processar o petróleo e obter uma grande variedade de derivados. Como no Brasil, há uma grande concentração de refinarias na Região Sudeste, devido aos estados que mais produzem petróleo (Rio de Janeiro e Espírito Santo) no país. Como Sergipe é o 3º produtor de petróleo no Nordeste e, deverá avançar para em um breve futuro concretizar a implantação da refinaria, provocando uma mudança na configuração da nossa economia, assim como o peso dela na região, creio que a presente obra já se insere na contribuição de informações técnicas para este objetivo. A exploração e produção (E&P) de petróleo e gás (P&G) tem se intensi- ficado no Brasil nos últimos anos e com as descobertas das reservas abaixo da camada de pré-sal o país deverá se colocar entre os maiores produtores do mundo. Em 2011, a produção brasileira de óleo bateu recorde dos últi- mos dez anos, com a produção de 768 milhões de barris, significando um crescimento de 2,5% referente a 2010. A produção de gás natural também apresentou forte desempenho, com a produção de 24 bilhões de metros cú- bicos, em 2011, 4,9% superior a 2010. Ressalte-se que a indústria extrativa mineral é um dos mais importan- tes setores produtivos da economia sergipana. O estado de Sergipe passou por grandes transformações na sua estrutura produtiva deslocando seu eixo mais dinâmico da agropecuária para o extrativismo mineral e a atividade de exploração de petróleo e gás atraiu diversos outros segmentos que com- põem sua cadeia diversificando a economia do estado, acrescentando-se o setor de energia que mais recentemente ganhou o seu primeiro parque eó-
  6. 6. lico no Estado. Pelo seu ineditismo o livro contempla informações preciosas que irão auxiliar nas estratégias de ação das atividades envolvidas com o setor, bem como, na aplicação da ciência e tecnologia para a inovação constante que é demandada pelo segmento, possuidor de um grande valor estratégico e de vantagens comparativas locais. Saumíneo da Silva Nascimento Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia de Sergipe
  7. 7. ÍNDICE APRESENTAÇÃO 7 INTRODUÇÃO 11 CAPÍTULO 1 AImportânciadaInovaçãoedaGestãodaInovacãoparaoDesenvolvimento Econômico 15 Valdice Barbosa de Queiroz CAPÍTULO 2 Os Múltiplos Atores na Dinâmica da Inovação 31 Ana Maria de Brito Pires Francisco Lima Cruz Teixeira CAPÍTULO 3 Internacionalização de Micro e Pequenas Empresas no Setor de Petróleo, Gás e Energia: A Brecha entre o Pensar e o Agir 49 Kleverton Melo de Carvalho Miriam Guimarães Ferraz Francisco Solano Moreira Teles CAPÍTULO 4 Inovação Tecnológica nas Empresas Fornecedoras de Bens e Serviços da Cadeia de Petróleo e Gás Natural de Sergipe 67 Aladio Antonio de Sousa Ana Lúcia Nunes Oliveira CAPÍTULO 5 Laços de Redes Sociais no Fomento à Inovação: O Caso dos Dirigentes da Rede de Petróleo e Gás de Sergipe 85 Wanusa Campos Centurión Fernando Gomes de Paiva Júnior Jorge da Silva Correia Neto Rosivaldo de Lima Lucena
  8. 8. CAPÍTULO 6 Aprendizagem Organizacional na Rede Petrogas 105 Nelson Souza Filho CAPÍTULO 7 A Contribuição da Rede Petrogas para o Surgimento de Inovação nas Empresas Fornecedoras 115 Wanusa Campos Centurión Fernando Gomes Paiva Júnior CAPÍTULO 8 PRÁTICA DE INOVAÇÃO NA VISÃO DA EMPRESA 133 Pedro Silva Neto CAPÍTULO 9 O que escolher? Patente ou Segredo? 147 Dione Pujals Wisnheski Sonia Regina Federman CAPÍTULO 10 Proteção e Comercialização da Propriedade Intelectual 151 Patrícia Pereira Peralta Elizabeth Ferreira da Silva REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS 173
  9. 9. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 11 INTRODUÇÃO P or acreditarmos que soluções inovadoras se baseiam no desenvolvi- mento de métodos de interação e cooperação entre os agentes par- ticipantes visando a criação, o compartilhamento da informação e a construção do conhecimento e, por consequência, o desenvolvimento de processos de aprendizagem, este livro foi elaborado com o objetivo de ampliar o conhecimento daqueles que desejam conhecer o potencial das redes de cooperação como indutoras de inovação na cadeia de petróleo, gás e energia de Sergipe. O foco no Estado de Sergipe deu-se pela significativa representatividade no contexto socioeconômico do país na área de petróleo e gás, pois é o sexto maior produtor nacional de petróleo e gás natural, iniciou a primeira pro- dução no mar, em 1968, sendo pioneiro em águas profundas e abriga em seu litoral o campo de Guaricema, precursor de toda tecnologia de exploração e produção offshore da PETROBRAS, bem como, contribui em torno de 40% no PIB Industrial do Estado. Os assuntos aqui tratados serão de interesse de diversos públicos, tais como empresários, profissionais de pesquisa, consultores, professores, go- verno, estudantes e demais leitores interessados no tema. Destacamos como uma das principais características deste livro, o diálo- go e integração entre os assuntos tratados, bem como, a importância de tais temas, na atualidade e o foco na cadeia de petróleo, gás e energia do Estado de Sergipe. Esta literatura também tem o mérito de proporcionar orientação rápida e criteriosa a respeito da temática de redes e inovação, como também de assuntos relacionados a internacionalização e proteção das inovações. Ademais, vale mencionar que este livro foi fruto de um somatório de es- forços que retratam a experiência e os resultados de pesquisa dos autores convidados da área acadêmica e de organizações públicas e privadas relacio- nadas ao fomento a pesquisa, à inovação e ao desenvolvimento tecnológico. Quanto à estrutura deste livro, foi dividida em dez capítulos, conforme segue: O primeiro capítulo mostra a importância da inovação e da gestão da inovação para o desenvolvimento de economias capitalistas, ressaltando de forma analítica o papel dos diversos agentes envolvidos no Sistema Na- cional de Inovação. Destaca, também, os caminhos teóricos apontados por Schumpeter e a utilização de modelos de gestão de inovação como possibi-
  10. 10. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO12 lidade de aumentar a competitividade empresarial e alcançar tal desenvol- vimento. Em sequência, no segundo capítulo, foi destacada a interação entre Uni- versidades, Indústria e Governo como fator essencial para o sucesso do es- forço inovativo de um país, de forma que essa intensa articulação na dinâ- mica da inovação gere redes e arranjos colaborativos, formais e informais, facilitando, assim, as relações e a troca de conhecimento entre os todos os atores envolvidos. No capítulo 3 é ressaltada a importância da internacionalização de mi- cro e pequenas empresas do setor de petróleo, gás e energia como condição básica para sua longevidade empresarial, dando ênfase a busca de conhe- cimentos sobre o que está ocorrendo em seu setor em distintas partes do mundo, bem como foi ressaltada a construção de uma rede de contatos que possa gerar negócios favoráveis a estas organizações, a partir de diferentes fontes e possibilidades. O capítulo 4 destaca a contribuição do Estado de Sergipe para o de- senvolvimento tecnológico quanto à exploração e produção petrolífera, através do incentivo a inovação tecnológica. Neste capítulo é ressaltada a criação da rede PETROGAS através da parceria entre instituições de ensino, capacitação e pesquisa, órgãos do Governo Estadual, SEBRAE, PETROBRAS, SERGAS e empresas fornecedoras para contribuir com tal fim. Já o capítulo 5 reforça como os laços sociais entre os atores de determi- nada rede poderão afetar o desempenho da empresa, pois podem constituir pontes que possibilitam o acesso a outras redes para informações mais es- pecíficas e pontuais, suscitando a mudança, através de novas ideias e faci- litando inovações. Além disso, tais laços sociais podem facilitam a troca, integração e compartilhamento do conhecimento e ajudam a implementar as ideias com potencial de inovação, fornecendo à rede o mecanismo de reputação necessário para criação da confiança. No tocante ao capítulo 6, que trata da temática aprendizagem organiza- cional na rede PETROGAS, apresenta resultados parciais de uma pesquisa teórico-empírica do processo de aprendizagem nas organizações desta rede sobre as práticas de gestão da qualidade da norma ISO 9001. Relata, tam- bém, que a aprendizagem organizacional pode contribuir para as redes de empresas desempenharem papel indutor da inovação, agindo como veículo da inovação nas redes. Tal capítulo mostra que há potencial para que rela- ções de cooperação na Rede Petrogas incrementem a capacidade de apren- dizagem coletiva entre os praticantes de estratégia, fomentando a formação de um ambiente inovador na cadeia de petróleo e gás em Sergipe. Quanto ao capítulo 7, descreve, através de relatos de seis empresários
  11. 11. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 13 de empresas fornecedoras de petróleo e gás, como ocorre a contribuição da Rede PETROGAS para o surgimento de inovação nestas empresas associa- das. Também ressalta a importância de maior integração e discussão entre os atores da rede na busca de convergência de ideias, compartilhamento de problemas e soluções e definição de ações institucionais. O capítulo 8 aborda a prática de inovação na visão de uma empre- sa de engenharia que atua no mercado sergipano, que presta serviços de consultoria e desenvolvimento de soluções de tecnologia de informação e comunicação. Este capítulo ressalta que a valorização do capital intelec- tual como fonte geradora de ideias é um dos caminhos para o crescimento e consolidação de um produto ou marca, bem como, que um processo aberto de inovação, onde as relações de parceria predominam, vai além da projeção de uma empresa, grupo, região ou país, pois tende a proporcio- nar um crescimento mais sustentável da economia e consequentemente um mundo melhor. Já o capítulo 9 trata da proteção das inovações, ou seja, sobre a deci- são entre patente ou manter o segredo industrial. Faz uma diferenciação entre estas formas que visam resguardar e proteger produtos, processos e aprimoramentos, apresentando as diferentes peculiaridades. Também é ressaltada que a escolha entre patente ou segredo industrial depende principalmente da decisão da melhor estratégia para a proteção da criação intelectual, ou seja, requer uma análise minuciosa sobre a relação custo x benefício. Por fim, o capítulo 10, dá continuidade ao anterior quando aborda e de- talha a importância da proteção e comercialização da propriedade intelec- tual. Ele mostra que no contexto atual de maior necessidade de pesquisa e de desenvolvimento em diversos setores, a compreensão e uso eficaz dos direitos de propriedade intelectual permitem ganhos econômicos e de com- petitividade entre os agentes econômicos. A coletânea de temas relacionados a redes e inovação reunida neste livro representa um significativo marco para a busca de maior aproxi- mação e integração entre os diversos agentes da rede de petróleo e gás de Sergipe, bem como por representar uma tentativa para minimizar a lacuna existente entre necessidade e capacidade de inovação das organi- zações. Outro aspecto que vale ressaltar é que este livro representa rele- vante fonte para subsidiar pesquisas futuras e contribuir com a formação profissional. Sendo assim, a transformação das organizações para o trabalho no for- mato de redes visando facilitar o processo de inovação requer muito esforço por parte dos players envolvidos, bem como exige mudanças comportamen- tais que favoreçam a transição do paradigma de competição de cunho indi-
  12. 12. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO14 vidual para o emergente paradigma baseado na cooperação e na obtenção de soluções coletivas. A iniciativa poderá ser mais eficaz, caso seja atrelada, conforme Prahalad e Krishnan (2008), numa forte convicção sobre a natu- reza das mudanças necessárias, através de passos pequenos, mas constantes, sempre na mesma direção, ou seja, na busca do saber o que fazer, o por quê e o como. Esperamos que este livro possa ajudar no despertar para o desen- volvimento de práticas inovadoras de sucesso através da inserção em redes de cooperação. “Se continuarmos fazendo as coisas da forma como sempre fizemos, continuaremos a obter os resultados que sempre obtivemos.” Anônimo. Wanusa Campos Centurión Professora, Pesquisadora e Coordenadora dos cursos de Graduação Tecnológica em Gestão de RH e Logística da FANESE
  13. 13. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 15 CAPÍTULO 1 A IMPORTÂNCIA DA INOVAÇÃO E DA GESTÃO DA INOVACÃOPARAODESENVOLVIMENTOECONÔMICO Valdice Barbosa de Queiroz A lgumas questões fundamentais giram em torno do entendimento da importância da inovação e da gestão da inovação para o desen- volvimento das economias capitalistas. Revendo os conceitos, num enfoque histórico-teórico e crítico, porém abstraindo-se de qualquer fun- damentação filosófica e sem a pretensão dogmática, é possível verificar que há um intenso debate sobre o tema, principalmente em economias como a brasileira, a respeito da importância da inovação para o desenvolvimen- to. Verifica-se que a análise sobre as inovações esteve presente, se não em todos, pelo menos, na obra dos principais economistas clássicos. Para boa parte deles o desenvolvimento das economias capitalistas era um processo essencialmente dependente de inovações. É impossível não focalizar as forças que impulsionam o desenvolvimento econômicodaseconomiascapitalistas.Doaumentodaproduçãoaoprocesso de distribuição, se fazem presentes a invenção e a inovação tecnológica. O desenvolvimento alcançado por algumas economias tem sua gênese na crença no desenvolvimento tecnológico como fator importante para esse desenvolvimento, não obstante, essas crenças, alguns desequilíbrios são visíveis como o desemprego do tipo estrutural, em mercados já desenvolvidos, expondo em primeiro plano, relações desproporcionais entre capital e trabalho o que gera um enorme contracenso em função última da busca pelo bem estar social. No entanto todas estas relações ou todo esse processo tem gerado também, sob o nosso ponto de vista, alguns resultados positivos, como a acessibilidade, por parte da sociedade, a resultados consideráveis da aplicação do desenvol- vimento tecnológico. Nas questões relacionadas à saúde isso é notório. Em relação à produção de bens e serviços, quando a inovação atinge esses setores há uma produção mais barata o que resulta em maior acesso a estes.
  14. 14. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO16 No intuito de compreender estas relações, é necessário se fazer algu- mas distinções conceituais, para explicitar o que é inovação à luz da teoria schumpeteriana. Além de identificar os pressupostos desse processo e en- tender a importância da gestão da inovação para o desenvolvimento. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO Não existe um consenso quanto ao que vem a ser desenvolvimento1 . Ao procurar-se conceituá-lo ou até mesmo medi-lo, depara-se com uma tarefa um tanto quanto complexa. Um dos principais pontos de discordância refere- se principalmente, às questões relativas valoração, que são diferentes em cada sociedade. O conceito de desenvolvimento defendido por Souza (1993, p. ) é: [...]existênciadecrescimentoeconômicocontínuo(g, em ritmo superior ao crescimento demográfico (g*), envolvendomudançasdeestruturaemelhoriadein- dicadores econômicos e sociais por capita [...] sendo (g > g*), A renda per capita sobe no longo prazo, o que seria a primeira definição de desenvolvimento. Sobre essa dessa definição, o próprio autor especifica algumas impre- cisões. Ele afirma que precisaria ser feita uma qualificação mais acurada sobre o numerador e o denominador da relação que define renda per capita. Também em relação ao produto a preocupação seria como ele se distri- bui e se as razões do seu crescimento são pela produção deste ou daquele bem ou pelo aumento de horas trabalhadas ou maior produtividade. Além disso, o simples aumento da renda da população não indicaria se esta estaria num melhor patamar em termos de saúde, educação etc. Desta forma é pos- sível verificar que a definição de desenvolvimento tem relação com a forma de medi-lo. O indicador mais usual é o da renda per capita. O FLUXO CIRCULAR O conjunto da teoria econômica estuda o fluxo circular, como círculo de desenvolvimento. Olhando por essa perspectiva, desenvolvimento seria a al- teração contínua ocorrida nesse fluxo, não compreendendo mudanças des- 1 Historicamente, as nações, no Séc. XIV, não trabalhavam com conceitos de desenvolvimento e crescimento [...] o objetivo pri- mordial consistia em aumentar o poder econômico e militar do soberano e não , necessariamente, melhorar as condições de vida do conjunto da população. (SOUZA, 1993 p. 13). No Séc. XV época das grandes descobertas marítimas, que viriam mais tarde influenciar todo o pensamento econômico, deu-se muita importância ao fluxo de metais preciosos que vinham das colônias tornando-se este fator como característico de riqueza nacional, portanto de crescimento econômico. Esta época ficou conhecida como mercantilismo.
  15. 15. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 17 contínuas ou alterações no próprio fluxo. O princípio do comportamento racional, calculado e maximizador dos agentes econômicos. Isto é, o compor- tamento econômico global de um país pode ser apresentado de forma simpli- ficada através do fluxo circular da produção e da renda. Abstraiem-se dele as relações de determinada economia com o exterior, e a atuação do governo, os agentes econômicos são chamados de famílias e empresas. A suposição é a de que o setor empresarial seja o único a produzir bens e serviços e que os fatores de produção terra, trabalho e capital sejam das famílias, que os vendem às em- presas em troca de remunerações específicas. Sendo assim observa-se abaixo o modelo simplificado do fluxo circular do produto e da renda. Oferta de Demanda de Fatores de Fatores de Produção Produção Demanda de Oferta de Bens e Bens e Serviços. Serviços. Mercado de Fatores de Produção EmpresasFamílias Mercado de Bens E Serviços Schumpeter (1982 p. 12), faz uma análise deste fluxo como uma atividade econômica que é essencialmente a mesma, repetindo-se continuamente. Portan- to, este se repetir continuamente (grifo nosso) não provoca desenvolvimento: As famílias e as empresas tomadas individual- mente agem, então, de acordo com elementos empiricamente dados e de uma maneira também empiricamente determinada [...] os dados podem mudar e todos agirão de acordo com essa mudan- ça, logo que for percebida. Mas todos se apegarão o mais firmemente possível aos métodos econômi- cos habituais e somente se submeterão à pressão das circunstâncias se for necessário. Assim o siste- ma econômico não se modificará arbitrariamente por iniciativa própria, mas estará sempre vncula- do ao estado precedente dos negócios. Neste sistema circular de equilíbrio não haveria desenvolvimento, não exis- tiriam inovações tecnológicas, isto é, existe um processo de produção rotinei- ------ Fluxo monetário ------ Fluxo real
  16. 16. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO18 ro que gera lucros normais. O empresário (inicialmente denominado), dentro deste, não tem nenhum caráter excepcional, pois devido a este fluxo contínuo, (grifo nosso), as variáveis econômicas seriam ajustadas às mudanças marginais de mercado. “Quaisquer mudanças, mesmo adaptativas, admitidas no fluxo circular podem no máximo, acarretar deslocamentos ao longo das funções de produção e não deslocamentos destas”. (POSSAS apud SOUZA, 1991, p. 111). O fluxo constitui, portanto, um sistema de equilíbrio geral contínuo onde as re- lações entre as variáveis ocorrem em condições estacionárias. Dados os preços de mercado, os consumidores e as firmas ajustam as quantidades demandadas e ofertadas. A renda é distribuída de acordo com o valor de mercado da produ- tividade marginal dos fatores. A economia segue um caminho de crescimen- to equilibrado, determinado por pequenas variações na força de trabalho, na poupança e na acumulação. O crédito ao produtor não desempenha nenhum papel, uma vez que as próprias receitas do fluo circular financiam a produção. O crédito apresenta-se mais como um substituto eventual para o dinheiro, nas transações. É possível afirmar que o papel do crédito é nulo, pois são as receitas do fluxo circular que financiam a produção. Segundo Possas (1987, p. 173) o dinheiro que circula no fluxo é o véu monetário, pois apenas cobre o crescimento demográfico, não existem grandes investimentos. Para Schumpeter não existe desenvolvimento nes- tas adaptações da economia às mudanças contínuas. O DESENVOLVIMENTO SCHUMPETERIANO OU MUDANÇAS ENDÓGENAS E DESCONTÍNUAS Desenvolvimento é “ [...] uma mudança espontânea e descontínua nos canais do fluxo, uma perturbação do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente”. (SCHUMPETER, 1982, p. 7). Não seriam pequenas variações ou mudanças adaptativas con- tínuas, mas mudanças revolucionárias descontínuas, que mudariam por completo o estado de coisas. Ele concebia desenvolvimento não como uma mudança na economia que venha de fora do fluxo circular, mas aquela que vem do próprio fluxo, por isso endógena (grifo nosso). Processo de desenvolvimento ou desenvolvimento, não é crescimento da eco- nomia tomado como crescimento, o crescimento populacional e crescimento da riqueza,estassãoapenasmudançasadaptativas,contínuasequedemonstramque a economia é levada por mudanças do mundo ao seu redor. O desenvolvimento, na sua perspectiva, é distinto do fluxo circular e nasce na esfera da oferta e não da demanda. Sua análise parte de alguns pressupostos, quais sejam: a) Mudanças da vida econômica – são mudanças por causa de mudanças
  17. 17. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 19 nos dados, aos quais a economia tem a tendência de se adaptar, são mu- danças no fluxo e contínuas. b) O desenvolvimento surge de uma situação sem desenvolvimento - situ- ação em que há apenas adaptações aos novos dados. c) Mudança ou espontaneidade dos gostos ou preferências dos consumido- res - tratar-se-á apenas de mudanças nos dados já conhecidos que provo- cará uma oportunidade de comportamento adaptativo para o homem de negócios. Esta mudança, por ser ínfima é desprezada nesta análise. Os consumidores são educados pelo produtor “ [...] são, por assim dizer, ensinados a querer coisas novas, ou coisas que diferem em um aspecto ou outro daquelas que tinham o habito de usar”. (Ibid., p.51). Neste caso é inte- ressante observar-se a mudança diferentemente daquela que normalmente considera-se no fluxo circular, como a necessidade dos consumidores. Esta análise do desenvolvimento, parte do princípio de que se podem produzir coisas, entendendo-se como o ato de produzir coisas diferentes ou as mesmas coisas com mudança de método. Isto pode originar-se por ajuste contínuo do fluxo que não leva a um novo fenômeno nem, portanto, a desenvolvimento. O mecanismo seria bastante simples – o empreendedor assume a produ- ção de novos produtos, procura tirar uma renda de monopólio até que os seus concorrentes o imitem eliminando assim sua vantagem de competitivi- dade até que outro assuma a produção de outro bem. Schumpeter (1982 p.51) faz uma ligação entre inovações e sistemas tec- nológicos, utilizando para isso a teoria do ciclo “ [...] o desenvolvimento no sentido que lhe damos é definido então pela realização de novas combina- ções”. Dentro da perspectiva dessa definição há que se considerar: a intro- dução de um novo bem; um novo método de produção; a criação de um novo mercado; a utilização de uma nova fonte de matéria-prima (indepen- dentemente desta fonte já existir ou não); de uma matéria prima derivada de bens manufaturados; uma nova organização industrial, sendo uma posição de monopólio ou sua fragmentação ou ainda um truste2 . Porém, duas asser- tivas são essenciais nesta análise: a) As novas combinações são realizadas por empresas novas, isto é, em- presas que não surgem das antigas, mas começam a produzir ao lado 2 Tipo de estrutura na qual várias empresas, já detendo a maior parte de um mercado, combinam-se e fundem-se para assegurar esse controle, estabelecendo preços elevados que lhes garantam elevadas margens de lucro. Os trutes têm sido proibidos em vários países, mas a eficácia dessa proibição não é muito grande.
  18. 18. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO20 destas. O autor se refere a substituição das diligências pela ferrovia; b) As novas combinações não são realizadas pelo emprego de fatores de pro- dução ociosos, pois haverá sempre fatores ociosos, o que poderia ser uma condição favorável para o surgimento de novas combinações, no entanto a ociosidade dos fatores pode ter causas em eventos não econômicos e tam- bém não faz parte do equilíbrio do fluxo circular, As novas combinações são realizadas pela transferência de fatores de setores improdutivos. Desta forma surge outro conceito de igual importância: “[...] a realização de combinações novas significa, portanto, simplesmente o emprego diferente da oferta de meios produtivos existentes no sistema econômico “ [...] o desenvol- vimento consiste primariamente em empregar recursos diferentes de uma ma- neira diferente, em fazer coisas novas com eles. (SCHMPETER, op. Cit, p. 53). Fica bastante claro que quando estas novas combinações surgem na eco- nomia de forma endógena e descontínua (grifo nosso), tem-se aí desenvolvi- mento com as seguintes características3 : a) Destruição de combinações anteriores – o aparecimento de novas em- presas pode acarretar o fechamento de outras empresas mais antigas; b) Não utilização necessariamente de fatores ociosos – há apenas desloca- mentos de fatores de atividades menos produtivas. É neste ponto é imperativo destacar a atuação de determinados atores no processo: i) a figura de um agente – o empresário inovador, que realiza as novas combinações. ii) o crédito – o empresário inovador necessita recorrer ao crédito forneci- do pelo capitalista; iii) o banqueiro – que é fundamental e exerce o papel de intermediário en- tre o empresário inovador e o proprietário do capital. Neste ponto, ao fluxo circular simplificado é interessante que sejam adi- cionados, o governo e o resto do mundo. Todas estas relações serão concre- 3 É possível que estas notas possam parecer dispensáveis, por serem de amplo conhecimento, baseadas na teoria de Schumpeter; ou ainda por um certo academicismo, no entanto, a nossa intenção foi apenas a de relembrá-las, porque a base conceitual é muito importante para o enfrentamentos dos desafios necessários a gestão da inovação aqui estudada.
  19. 19. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 21 tizadas através de forças que façam as interações entre os diversos atores do processo de mudanças endógenas e descontínuas – inovações. Schumpeter apud Labini (1993, p. 39) assevera: “Schumpeter considera a inovação tecnológica como fenômeno central do desenvolvimento econô- mico, que se incorpora, não só nos processos produtivos, como também na organização da atividade e nas formas institucionais4 . Schumpeter foi o primeiro teórico a associar o empreendedorismo ao desenvolvimento econômico e mostrou como ações inovadoras podem in- troduzir descontinuidades cíclicas na economia, isto é, a economia autoper- petuável é alterada em algum ponto do fluxo circular. O que se pode afirmar é que o empreendedor tem como papel central, a inovação, a capacidade de correr riscos e ao fato de submeter à economia aos desequilíbrios do fluxo contínuo, isto é, às descontinuidades [...] há certamente mudanças, possivelmente há crescimento, mas não um fenômeno novo nem um desenvolvimento em nosso sentido. Na medi- da em que não for este o caso, e em que as novas combinações aparecem descontinuamente, então surge o fenômeno que caracteriza o desenvolvi- mento. (SCHUMPETER, 1982, p. 46) A GESTÃO DA INOVAÇÃO Tão importante para o desenvolvimento, é a inovação, quanto o será a gestão da inovação. O verdadeiro desafio do Sistema Nacional de Inovação é promover as interações entre os diversos atores ou agentes. A interativida- de no e do Sistema é que poderá garantir ganhos de competitividade. Quem são esses atores ou possíveis agentes? Podemos introduzir aqui a noção de subsistemas elencados por Mota (2001), especifica que essa interatividade se dá a partir dos agentes dos seguintes subsistemas: 4 Adam Smith preocupou-se em saber como cresce o produto social. Haveria uma conciliação entre o interesse individual ou particular com o interesse geral ou coletivo, isto sem seguir as leis divinas. Ao procurar vantagens pessoais o individuo egoísta estaria contribuindo para o aumento do produto e do bem-estar de todos. O que estaria por traz deste pensamento era o senso moral inato, da escola escocesa, na qual instintos egoístas e altruístas levariam a ação individual se reverter em vantagem coletiva. As forças produtivas são liberadas por determinação das mudanças na estrutura social, no sistema institucional e contratual, o que determinariam as inovações. A inovação de todasasmáquinasestariadestinadaareduzireafacilitarotrabalho.Destaforma,asforçasprodutivaspodiamcrescerapartirdeumadivisão técnicadotrabalhoqueporseuturnoestimulariaasinovaçõeseasmelhoriastécnicas.(LABINI,1993).Aopregaraharmoniadosinteresses individuais Smith procurou embasar seus argumentos na defesa do sistema de livre iniciativa. Defendia que o Estado deveria desempenhar as funções de justiça, defesa e a manutenção de algumas obras públicas, também o Estado deveria participar da formulação de leis da navegação,aeducaçãopúblicaentreoutras.Aeconomiacresceria,segundoeleatéopontoondehouvessetaxadelucropositiva, poupança transformada em investimento. Haveria então rendimentos crescentes pelo aumento contínuo (grifo nosso) da escala das firmas. Quando não houvesse mais taxa de lucro positiva, poupança e aumento da escala das firmas a economia chegaria ao estado estacionário, que é o estadodecrescimentozero. Aeconomiadeixariadecrescer,poisestariamesgotadasaspossibilidadesdecrescimento.
  20. 20. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO22 a) Agentes do subsistema científico – que seria o responsável pela produ- ção do conhecimento científico; b) Agentes do subsistema tecnológico – que desenvolvem tecnologias; c) Agentes do subsistema produtivo – que produzem bens e serviços e os d) Agentes do subsistema financeiro – que oferecem recursos financeiros aos elementos dos demais subsistemas. Vê-se que essa proposta, tem toda relação com a teoria apresentada por Schumpeter. Traduzir toda essa interação em ações estratégicas eficazes é que poderãoalavancarosistemadeinovaçãotrazendodesenvolvimentoparaopaís, o estado ou o município, através do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. A grande questão é: como realizar essa interação? De quem são as res- ponsabilidades? Para responder a estas questões iniciais da gestão da inovação é preciso en- tender que devem existir mecanismos interativos, que segundo Mota (2001), são: i) as estruturas de interface ii) e os instrumentos de fomento à inter-relação. Nesse sentido a gestão da inovação é conduzida pelos diversos agentes, quais sejam: a empresa, a infra-estrutura científico-tecnológica e o governo. Se pensarmos no agente empresa, como o agente do subsistema produtivo, tem-se aí uma infinidade de análises. Há que se trabalhar a questão da gestão e da inovação no sistema produtivo, o que quer dizer pensar no processo de tra- balho.Otermogestãotemváriossignificados,Lima(2007,p.2),afirmaqueessa palavra tem sido traduzida por organização, administração ou gerência, no en- tanto para ele a evolução desse conceito no Brasil resulta em uma diferenciação: Consiste a organização em criar e dispor siste- maticamente as diversas partes de um todo, no exercício das respectivas funções para alcançar determinado objetivo com a máxima economia e maior eficiência. A organização constitui o corpo e a substância da administração e da gerência. As palavras gestão e gerência, embora sejam sinônimas, podem ser di- ferenciadas. Na abordagem da Gerência de Projetos, Valeriano (1998) as-
  21. 21. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 23 severa que administrar e gerenciar consistirá em planejar, praticar ou por em prática, decidir ações para alcance de objetivos, portanto refere-se ao grau da organização, com seus problemas próprios, específicos, tais como: marketing, finanças, produção, pessoal, tecnológicos e outros, já os temos originados de gerenciar, se referem ao grau do projeto e suas questões pró- prias como planejamento, controle, cronograma, orçamento. Em relação ao termo gerir a palavra gestão se relaciona com as atribuições do gestor ou gerente de programa ou projeto e que Valeriano (Ibid., p. 4-5) denomina de gestões específicas: gestão da qualidade, gestão de riscos, gestão ambiental, gestão da inovação etc. Eu entendo modelo de gestão enquanto um con- junto de práticas gerenciais da empresa claramen- te orientado por uma visão do foco no negócio da organização, o qual determina sua missão, seus valores, sua filosofia. A partir dessa visão orien- tada para o mercado, para o ambiente em que ela se situa, ela vai delinear o conjunto de políticas e diretrizes e sua estrutura organizacional, visando a definir como irá sobreviver em um ambiente competitivo de negócios. (BERTERO, 1995, p. 36). Observa-se que o agente empresa tem fundamental importância no processo de inovação, daí cabe a pergunta: é possível aprender a inovar? A resposta a essa questão tem profunda relação com a cultura organizacio- nal. A inovação está presente na cultura da empresa? Os empregados estão convencidos da importância da inovação? Os principais executivos da or- ganização sentem ou percebem a necessidade de investir em inovação? É possível afirmar que boa parte dos executivos está convencida e sensibiliza- da para a inovação; sabem que o mercado está constantemente em mudan- ças, no entanto o que lhes falta é aliar a necessidade de inovar à resultados mensuráveis, A responsabilidade de inovar é de todos, então pouco resulta quando uma das partes deste sistema, o todo, não se encaixa aos demais. A inovação deve fazer parte da cultura empresarial, para isso é necessário que os dirigentes possam criar um ambiente inovador, que saiam da sua zona de conforto, inovar tem que está presente em todas as áreas, muitas vezes os processos de inovação dentro das empresas não se concretizam porque se de- param com gestores, líderes despreparados ou não sensíveis à inovação. Os gerentes, diretores etc são de fundamental importância para criarem um ambiente inovador na empresa, o ambiente tem o papel de estimular as pessoasasearriscarem,aempreenderemacriarem.Quantomaisnormatizado, quanto mais departamentos fechados, mais dificuldade se terá para inovar.
  22. 22. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO24 Um ambiente inovador precisa ser transparente; precisa ter respeito pelos funcionários, ter uma visão humanitária, o espírito (grifo nosso), da empresa deve privilegiar os funcionários oferecendo-lhes serviços como por exemplo creches de boa qualidade, quando o funcionário pai ou mãe está mais tranqüi- los com a segurança de seus filhos tendem a ficarem mais criativos, ou quando o ambiente promove à acessibilidade aos canais hierárquicos. Em 2002, num curso de Gestão da Inovação, da FGV-EAESP, foi rea- lizado um teste, cujo objetivo era medir a influência do ambiente sobre o trabalho. A metodologia utilizada foi a de dividir os alunos em dois grupos, que teriam 40 minutos para criarem um cartão de visita inova- dor para uma consultoria empresarial. Um grupo foi colocado numa sala fechada, sem ar-condicionado e sob pressão de um gerente, representan- do uma cultura de resistência ou proibitiva, de acordo com as definições dos pesquisadores. Outro grupo fica numa sala ampla, colorida, numa referência a um ambiente de cultura questionadora. O teste foi aplicado diversas vezes em diversas turmas e os resultados foram consistentes. A cultura questionadora trabalhou mais e gerou cinqüenta idéias de quali- dade, viáveis, enquanto que a cultura proibitiva gerou uma única idéia. (SIMANTOB e LIPPI, 2003, p.73). A empresa também precisa prospectar internamente , isto é, verificar ou identificar oportunidades diferenciadas do fluxo contínuo do processo pro- dutivo, pequenas melhorias poderão trazer boas oportunidades de inovação. A empresa pode induzir à inovação? Sim, é possível, desde que como já foi explicitado, a cultura permita uma rotina para a geração de idéias e o aprendizado organizacional. Porém, tudo isso deve passar por diversas ações por parte do dirigen- te: os empregados precisam ter uma visão global do negócio, facilitando a busca por resultados da organização; também é fundamental que a firma possa reunir pessoas abertas a novas idéias, pessoas talentosas, trabalho em equipe focado na missão empresarial. Cabe ao agente empresa, por em prática ações orientadas para objetivos previamente estabelecidos, no entanto, é possível transpor ou tornar equi- valente o papel de gestor da empresa privada, ao ente público, representado como o agente governo? Percebe-se que essa é uma tarefa por demais desafiadora, levando-se em conta o que Bertero (Ibidem), afirmou acima [...] práticas gerenciais [...] do foco no negócio [...] o qual determina sua missão, seus valores, sua filosofia [...], assim indagamos, o conjunto de políticas e diretrizes e estrutura orga- nizacional, que se tem hoje no Brasil, existem articuladamente? É possível ter práticas gerenciais consistentes e conhecidas pelos agentes públicos? Se estas questões são respondidas afirmativamente, como se pode configurar
  23. 23. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 25 o desenvolvimento do Brasil e dos estados brasileiros? Será que os órgãos, instituições, organizações de fomento ao empreendedorismo e a inovação funcionam de forma articulada? Todos trabalham em função dos mesmos princípios teóricos e práticos? Os seguintes fatores, ao serem analisados, poderão fornecer respostas a estas questões: a) oportunidades regionais potencializadas, prospectadas ou exploradas pelo sistema de inovação; b) capacidade das firmas para inovar; c) links institucionais à disposição das firmas; d) grau de cooperação entre as firmas, institutos de pesquisa e governo; e) atividades de pesquisa efetivamente realizadas e postas à disposição das empresas. Todos estes fatores se configuram como desafios às instituições que fazem parte do Sistema Nacional, do Sistema Regional ou do Sistema Local de Ciên- cia e Inovação Tecnológica. Reiterando-se que o SNCIT não é uma atividade vertical; que ele tem uma ação horizontal; que não é privilégio de um organismo ou de um se- tor; e que resulta da ação concentrada e sistêmi- ca de diferentes organismos, estados, agências e instituições, o primeiro e grande desafio com que se deparam as instituições do SNCIT nos níveis intermediários e micros – relacionado à organi- zação e gestão interna e às interações com os de- mais componentes do sistema – é se transforma- rem, elas próprias, em instituições inovadoras. (SANCHEZ e PAULA, 2001, p. 13). A definição ou concepção, abaixo nos dá uma idéia precisa: “ Um Sistema Nacional de Ciência e Inovação Tecnológica é uma rede de instituições nos se- tores público e privado cujas atividades e interações iniciam, geram, importam, modificam e difundem novas tecnologias. (SANCHEZ e PAULA, ibid., p. 47). Todasessasassertivastrazemsubjacenteoconceitodegestão:gestãoempre-
  24. 24. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO26 sarial, gestão governamental; gestão educacional, esta, tem fundamental impor- tância no processo inovativo. Como é a gestão nos institutos de pesquisa e/ou nas universidades? Se juntarmos o agente empresa com o agente universidade, verificamos que ainda é incipiente o grau de interação entre os mesmos, mas por que isso ainda acontece no Brasil? Não podemos esquecer-nos da questão da gestão da educação, onde se pode verificar uma vertente de suma importância: a docência. Os professores têm vi- são inovadora? Será que o perfil do conjunto dos docentes não é muito conser- vador? Será que a legislação sobre o funcionário público, docente, não se consti- tui num entrave à inovação? Existem canais abertos que promovam a interação entre a docência, configurada aqui como ensino e pesquisa, e o setor privado, empresas? Existem conflitos de interesses que impeçam esse processo? A acade- mia está preocupada em gerar conhecimento para a própria academia ou para o mercado? E as empresas estão interessadas em que conhecimento?Talvez, as respostasaestasquestõespossibilitemidentificarentravesquepossamsermini- mizados para liberar o processo de interatividade universidades/empresas. Para se ter uma idéia do quão distante estes dois agentes se encontram, va- mos verificar o resultado da pesquisa a Indústria e a Questão Tecnológica, re- alizada pela CNI e FINEP, cujo objetivo foi capturar qual a percepção do setor indústria sobre as suas estratégias de desenvolvimento tecnológico em relação ao processo de busca de fontes de informação e conhecimento: As Principais Fontes de Conhecimento para as Organizações Gráfico 1 Fonte:Extraído de Brasília, CNI/ FINEP, 2002
  25. 25. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 27 Foram pesquisadas 531 empresas, representativas de uma amostra pro- babilística. Os dados foram coletados entre os meses de outubro a dezembro de 2001. É possível verificar então que, pelos dados, as empresas pesquisadas não têm as Universidades ou Institutos de Pesquisa, como suas principais fontes de informação e conhecimento, o que é uma pena, em se tratando de um agente que faz parte do Sistema Nacional de Inovação5 . Em relação ao Agente Governo, se identificam três maneiras de apoio, são elas: financiamento, incentivos fiscais e concessão de bolsas. Essa mesma pesquisa também apresentou dados relativos à atuação do governo. Percebe-se, por sua vez, que as iniciativas das empresas para se manterem competitivas, atra- vés da inovação de produtos e processos, se dão de forma isolada, dada a inexistência e/ou di- ficuldade de acesso a instrumentos de apoio. Indo além, em mercados ditados por inovações constantes, a falta de capacitação da força de trabalho surge como obstáculo significativo para futuros avanços, apontado por parcela expressi- va do setor industrial como item merecedor de atenção por parte do poder público. (BRASÍLIA, CNI/FINEP, 2002 p. 9). Muitos esquemas representativos dos Sistemas Nacionais de Inovações já foram analisados, um dos mais conhecidos é atribuído a Jorge Sábato, o denominado Triângulo de Sábato, apresentado em 1968. Os vértices do triângulo são representados pelo governo, as instituições de ensino e pes- quisa e o sistema produtivo, sendo estes agentes com papeis específicos no processo de inovação. A medida que as interações bilaterais aumentavam, o modelo passava por modificações ou transformações, culminando com uma forte integração entre os indivíduos e idéias em todos os níveis. Surgiu, mas recentemente, o modelo da Hélice Tripla, cujo objetivo é descrever o surgimento de novos empreendimentos internos e externos à universidade, que envolvam cooperação entre os diversos atores. Ela é um modelo espiral de inovação, levando em consideração as múltiplas relações de troca nos diferentes estágios do processo de geração e disseminação do 5 Rede de instituições públicas e privadas que interagem para promover o desenvolvimento científico e tecnológico de um país. Estão aí incluídas as universidades, escolas técnicas, agências governamentais de fomento, empresas de consultoria, institutos de pes- quisa, empresas industriais, associações empresariais, agências reguladoras etc.
  26. 26. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO28 conhecimento. Cada hélice representa uma esfera institucional indepen- dente que, trabalhando em cooperação e interdependência com as outras esferas, dissemina os conhecimentos adquiridos. O interessante neste modelo é que a medida que as interações se intensi- ficam, cada um dos agentes passa a assumir o papel dos outros agentes, isto é, a universidade passa a um papel empreendedor com licenciamento de pa- tentes por exemplo; criação de empresas de base tecnológica e as empresas passam a desenvolver um papel acadêmico no compartilhamento de conhe- cimento entre as próprias empresas, no treinamento de seus funcionários. Alguns consideram o modelo da Hélice Tripla, como uma evolução do Triângulo de Sábato, pois a Hélice mostra não só as múltiplas interações, mas a possibilidade de cada agente integrante passar a desempenhar fun- ções exclusivas dos outros dois. Outro ponto interessante da Hélice é a idéia de rede, onde as empresas se localizam no centro destas interações, o que resulta numa determinação da velocidade e da direção das mudanças tecnológicas e do processo inovativo, o que as leva a operar como agentes de desenvolvimento regional e local. No que se refere às dificuldades encontradas no processo de inovação: As dificuldades enfrentadas na implementação de estratégias de desenvolvimento tecnológico não são muito diferentes das dificuldades en- frentadas pela indústria, de uma maneira geral. O financiamento às empresas no Brasil é ina- dequado e insuficiente. Para a concretização de seus projetos de investimento, as empresas bra- sileiras dependem de maneira crítica da dispo- nibilidade de recursos próprios. Ao se tratar de investimento em novas tecnologias e, sobretudo, em P&D&E, a situação é ainda mais grave em razão do maior risco e do elevado período de maturação.(Op. Cit. p. 18). O financiamento deve ser é o principal mecanismo de apoio, para viabi- lização da inovação. Nos países desenvolvidos a realidade é bem diferente, Simantob e Lippi (2003) informam que no Canadá é possível a qualquer empresa industrial, receber incentivos fiscais com redução de até 68% dos custos dos investimentos, das suas pesquisas, os coreanos e os franceses têm 50% e nos E.U.A 56% . No Brasil ocorreram mudanças significativas nos últimos anos, cujo ponto principal foi a Lei n° 10.973/2004, a chamada Lei da Inovação. Essa
  27. 27. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 29 Lei estabeleceu algumas medidas de incentivo à inovação e à pesquisa cien- tífica e tecnológica. O terceiro capítulo da Lei, trata do Estímulo à Participação das ICT nos processos de inovação “ É facultado à ICT celebrar contratos de transferência de tecnologia e de licenciamento para outorga de direito de uso ou de exploração de criação por ela desenvolvida”. (FRANÇA, 2005, p.490). No que concerne ao incentivo à inovação nas empresas, o Quarto Ca- pítulo da Lei diz: “A União, as ICTs e as agências de fomento promoverão [...] o desenvolvimento de produtos e processos inovadores em empresas nacionais e nas entidades nacionais de direito privado sem fins lucrativos e voltadas para as pesquisas [...]”. (Op. Cit). A Lei da Inovação, trouxe em seu bojo, inúmeros benefícios para setores específicos da economia brasileira e novas modalidades de financiamento à inovação que não são objeto desse estudo. CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEMA Há muito que se tem conhecimento das teorias sobre desenvolvimento econômico. Historicamente o Brasil tem dado saltos qualitativos e quantita- tivos nesse sentido, no entanto é possível verificar que ainda temos muitos entraves a esse desenvolvimento esperado. As indicações de possíveis soluções estão postas, cabe à gestão da ino- vação promover uma eficiente e eficaz interação entre os agentes propulso- res desse desenvolvimento proposto por Schumpeter. Neste sentido, faz-se mister deixar claro os possíveis papéis iniciais e possíveis encaminhamentos dos e para os agentes. A empresa, responsável pela inovação, deve começar com a identifica- ção da necessidade de colocar no mercado produtos, processos e serviços inovadores. Nesse sentido deve-se levar em conta alguns itens: experiên- cias individuais ou setoriais de inovação exitosas; influência da inovação na competitividade da empresa no cenário global ou nacional; implantação da cultura da inovação; importância da capacitação tecnológica e alianças estratégicas entre outras. A Infra-Estrutura de Ciência e Tecnologia, representada pelas Univer- sidades e Centros de Pesquisa devem assumir efetivamente o papel que lhes compete inicialmente o de produzir recursos humanos qualificados, responsáveis que são pelo suporte educacional que o país precisa; a pesqui- sa, os laboratórios e os equipamentos necessários. Nesse sentido é preciso um olhar para: formação de redes de excelência em pesquisa; flexibilização do regime de trabalhos dos docentes para que possam atuar nas empresas; identificação de variáveis que possam influenciar a cooperação universida-
  28. 28. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO30 de/empresa, entre outros. O Estado ou Governo, intensificar as políticas públicas que sejam indu- toras do desenvolvimento, tais como políticas para inovação. Muitas ações exitosas têm sido realizadas e entre elas citamos a Lei da Inovação, conside- rada como um importante marco legal. No entanto, no que se refere à gestão, muita coisa ainda precisa ser feita para que possamos consolidar todos os benefícios que a referida Lei trouxe. É preciso que o Estado esteja conscientizado das questões tecnológicas: as fontes de financiamento para a inovação; centros de pesquisa cooperativa; criação e manutenção de base de dados; apoio financeiro as Pequenas e mi- cro empresas; entre outros. Existe interatividade entre os agentes envolvidos no Sistema Nacional de Inovação? Existe, mas ainda é muito pouco em relação ao que se pode fazer. Através de caminhos teóricos apontados por Schumpeter é possível criar condições para aumentar a competitividade empresarial, traduzir os resul- tados em ganhos sociais e econômicos através de modelos de gestão da ino- vação eficazes, no setor privado, no governo e nas universidades e centros de pesquisa, com o objetivo de alcançarmos o desenvolvimento.
  29. 29. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 31 CAPÍTULO 2 OSMÚLTIPLOSATORESNADINÂMICADAINOVAÇÃO Ana Maria de Brito Pires Francisco Lima Cruz Teixeira O trinômio Ciência, Tecnologia e Inovação – CT&I para o desenvol- vimento socioeconômico, qualidade de vida e cultura nacionais (MCT, 2002) é de extrema relevância. Fantine e Alvim (2006) de- fendem que o projeto de uma nação social e economicamente rica depende vitalmente do planejamento e do incentivo ao trinômio CT&I, com vistas a criar ambientes e processos capazes de gerar riquezas adicionais a partir da inteligência nacional, em um esforço conjunto para consolidar o Brasil como uma economia intensiva em conhecimento. A intensidade da interação entre a produção científica e a produção tec- nológica em um dado território é determinante da maturidade do Sistema Nacional / Local de Inovação. Segundo Eva Stall (2009), em sistemas ma- duros, existe uma retro-alimentação positiva entre essas duas dimensões, com fluxos de informação e conhecimento nos dois sentidos. Universida- des e institutos de pesquisa produzem conhecimento que é transmitido às empresas do setor produtivo, ao passo que a acumulação do conhecimento tecnológico na indústria produz questões importantes para a elaboração científica e a orientação da qualificação de pessoas. Essa articulação alavan- ca a produção de conhecimento, sua difusão e utilização, potencializando os esforços nacionais de inovação. Contrário à reivindicação de uma autonomia descompromissada para a ciência, Teixeira (1988) defende a aproximação entre a comunidade cientí- fica e a sociedade, para que os anseios populares possam ser traduzidos em tarefas científicas e tecnológicas, legitimando, dessa forma, a participação da comunidade científica no seio da sociedade brasileira. O autor defen- de que as mudanças qualitativas necessárias à conquista de relativa auto- nomia científico-tecnológica em setores estrategicamente priorizados pela sociedade brasileira passa pela opção política do país sobre a gestão da sua capacidade tecnológica. A economia política ressalta o papel central do am- biente institucional, em cuja base estão as Políticas Públicas de CT&I, as
  30. 30. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO32 Instituições Científicas e Tecnológicas – ICT e os interesses de classes, na proteção e promoção da capacidade tecnológica nacional. Essa abordagem evidencia a relevância da articulação entre Governo, academia e setor pro- dutivo para a superação da dependência tecnológica do país (TEIXEIRA, 2005). Teixeira (2005) destaca que, a partir da década de 1990, vem-se ob- servando um esforço crescente da esfera política brasileira no sentido de promover um debate com a comunidade científica para a definição de novos marcos legais acerca do lugar a ser ocupado pela ciência e tecnologia no aparato constitucional brasileiro. As políticas públicas brasileiras de incentivo à CT&I e ao desenvolvi- mento industrial, a exemplo da PITCE (BRASIL, 2003), do PACTI e da PDP (BRASIL, 2008), têm explicitamente sinalizado (i) a articulação entre Go- verno, academia e indústria e (ii) a cooperação interorganizacional entre entidades nacionais e internacionais como vetores do desenvolvimento so- cioeconômico sustentável do país. Dagnino (2003) chama a atenção para o alinhamento do pensamento político dominante no Brasil com as diretrizes do Modelo de Inovação Hélice Tríplice – HT de relações Universidade-In- dústria-Governo – U-I-G, proposto por Etzkowitz e Leydesdorff na déca- da de 90. Etzkowitz (2002) observa que a ênfase na interação U-I-G para a promoção de desenvolvimento econômico tem sido observada tanto em economias desenvolvidas quanto em países em desenvolvimento. Van Looy, Callaert e Debackere (2006) ressaltam que o reconhecimento do papel fun- damental do conhecimento para a melhoria da performance tecnológica e da competitividade das empresas tem atraído muita atenção para as ques- tões referentes à relação universidade-empresa, visto ser a universidade o lócus privilegiado de produção e difusão de conhecimento. No entanto, a literatura especializada destaca que a relação U-I-G não se realiza espontaneamente: requer a construção de novas instituições, novas práticas e novos valores. Coriat e Weinstein (2002) destacam que as insti- tuições (leis, regras, contratos, costumes, valores, tabus etc.) desempenham papel central na dinâmica da inovação, dado que regulam, tácita ou expli- citamente, as relações entre os atores. Segundo esses autores, o impacto das instituições na geração de inovações dá-se, sobretudo, em duas dimensões: (i) cognitiva - sobre a percepção dos atores acerca dos riscos e vantagens da ação colaborativa e (ii) política - sobre a efetiva construção de ambientes institucionais favoráveis à interação entre os agentes. As instituições podem atuar tanto como recurso quanto como barreira aos arranjos colaborativos, portanto, faz-se urgente avançar na construção / regulamentação de um re- gime mais favorável ao relacionamento interinstitucional no Brasil. Freeman e Soete (1997) entendem que inovação tecnológica guarda uma relação inextricável com inovações organizacionais e institucionais. O de-
  31. 31. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 33 sempenho das empresas na economia da inovação, sobretudo em atividades de alto valor agregado, não é uma função simples dos esforços da empresa em inovações tecnológicas: requer a concepção de novas combinações de recursos e novos modelos de negócio, e o desenvolvimento de ambientes institucionais adequados à realização do potencial dessas novas idéias. Ou seja, os conceitos, práticas e instituições da economia industrial parecem in- suficientes para dar conta da complexidade da economia da inovação; mes- mo reconhecendo que a capacidade de inovar já era vista como um fator fundamental para a sobrevivência de empresas, indústrias e nações há mais de um século e meio, a velocidade e a complexidade da dinâmica da inova- ção no contexto das tecnologias digitais exigem mais do que o somatório de saberes e inteligências: exige a concepção de um novo conjunto de idéias, valores, estratégias e instrumentos. Ao sinalizar os drives de desenvolvimento, as Políticas Públicas de CT&I geram grandes desafios para a sociedade brasileira: construir soluções – novas estruturas, instituições, práticas e competências - capazes de trans- formar essas diretrizes em resultados tangíveis. São muitas as questões de pesquisa nessa área e este trabalho se inscreve no esforço de investigação de soluções institucionais e organizacionais capazes de facilitar a operaciona- lização dessa proposta de ação colaborativa, fundada na soma dos saberes e competências de diferentes atores e esferas institucionais. MODELO HÉLICE TRÍPLICE DE INTERAÇÃO U-I-G A Hélice Tríplice explica a formação e a conso- lidação de sociedades do conhecimento, profun- damente enraizadas na produção e dissemina- ção do conhecimento e numa bem articulada relação entre universidades, indústria e governo (MELLO, 2004, p.4). A premissa de partida desta revisão bibliográfica é o reconhecimento de que o conhecimento é a principal matéria-prima da inovação. O acesso a múltiplas fontes de conhecimento enriquece o repertório de competências da empresa, amplia seu escopo analítico e aumenta suas possibilidades de identificar oportunidades, criar e introduzir novas combinações no merca- do (NOOTEBOOM, 1999). O conhecimento é o fator-chave para a criação do novo e a inovação é cada vez mais dependente do capital humano e da cooperação subjetiva entre as pessoas (VILARIM e COCCO, 2008). Nesse processo de capitalização do conhecimento, Etzkowitz (2002) pro- põe que se preste atenção a fontes não tradicionais de inovação – função pre-
  32. 32. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO34 cípua do setor produtivo - com potencial de se tornar a base da construção de novos modelos de negócio e da renovação de modelos antigos. De fato, as idéias para a inovação podem ter múltiplas origens, surgir de fontes internas e externas à firma: é, portanto, necessário desenvolver a capacidade de co-la- borar, trabalhar junto, em redes de cooperação. Segundo Etzkowitz (2005), um esforço colaborativo e bem articulado entre universidade6 , indústria7 e governo pode facilitar a transferência de conhecimento entre a academia e a indústria, acelerando a identificação de novas rotas tecnológicas, novos processos e produtos, e até mesmo de novos negócios, assegurando a reno- vação das empresas e da indústria e o adensamento da base de conhecimento da sociedade. Segundo o autor, para orientar o desenvolvimento presente e planejar o desenvolvimento futuro, é necessário construir um novo modelo de relacionamento entre as esferas institucionais que leve em consideração a quebra de fronteiras e a co-evolução entre transformações tecnológicas e institucionais. Leydesdorff e Etzkowitz (1998) entendem que o crescimento econômico depende não somente de novos ciclos de inovações, mas de uma nova estrutura para a inovação que aproxime pesquisa, desenvolvimento e inovação do mercado. Leydesdorff e Etzkowitz (1998) defendem que dirigir o foco do debate para a interação U-I-G permite uma melhor compreensão da complexidade dinâmica do processo de inovação, que não mais pode ser atribuído a uma única esfera institucional, nem tampouco se reduz ao processo linear e ofer- tista do modelo science-push, que supõe que a pesquisa acadêmica alavanca desenvolvimento por transbordamento. Etzkowitz (2005b) entende que os recursos de pesquisa representam um potencial sub-utilizado de desenvol- vimento econômico, dado que a publicação de trabalhos, por si só, não tem garantido sua conversão em inovações: a taxa de transferência automática é baixíssima e incompatível com o ritmo acelerado da economia da inovação, denotando grave desperdício dos esforços acadêmicos de produção de co- nhecimento. Leydesdorff e Etzkowitz (1998) defendem que a universidade extrapole suas duas funções tradicionais – ensino e pesquisa – e incorpore uma terceira função: atuar como agente de desenvolvimento econômico, facilitando a conversão da pesquisa em inovação. Não se trata da submissão da academia aos interesses do setor produtivo, mas sim do estreitamento da relação entre esferas institucionais independentes e autônomas, com com- petências complementares, essenciais aos esforços de inovação do país. A imagem da Hélice Tríplice representa um modelo espiral de inova- ção, que pressupõe relações múltiplas e recíprocas entre U-I-G em pontos 6 OtermoUNIVERSIDADEsereferenãosomenteàsInstituiçõesdeEnsinoSuperior-IES,masatodososlócusdeproduçãoedifusão de conhecimento, como as instituições de ensino médio profissionalizante, as escolas técnicas e os centros de pesquisa. 7 O termo INDÚSTRIA se refere ao setor produtivo.
  33. 33. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 35 diferentes do processo de capitalização de conhecimento. A inovação é vis- ta como o resultado da articulação entre a invenção científica, a difusão econômica e o poder político. Etzkowitz (2005) afirma que a universidade deve assumir um papel central nessa nova dinâmica econômica na qual o conhecimento é o principal fator de produção. Etzkowitz (2002) ressalta que academia, indústria e governo têm racio- nalidades próprias, interesses específicos e valores codificados de forma di- ferente, porém, suas funções, competências e recursos se complementam na construção de arranjos colaborativos capazes de fortalecer o Sistema Na- cional de Inovação - SNI. A existência de interesses comuns à academia, indústria e governo cria espaço para o alinhamento de esforços e para a articulação das três esferas. As demandas da sociedade provocam, estimu- lam a colisão das trajetórias das instituições, forçando a criação de novas dinâmicas e combinações e a emergência de novos padrões de interação; a interação atribui às esferas e aos sistemas de inovação um caráter transitório e mutante, compreensível somente em termos de fluxos. Na lógica HT, U-I- -G colaboram e empreendem um processo de alavancagem de recursos mu- tuamente vantajoso, que visa criar ou descobrir conhecimento novo, pas- sível de valoração econômica. Na interseção das três esferas institucionais, surgem mecanismos híbridos, como escritórios de ligação, escritórios de transferência de tecnologia, parques tecnológicos, incubadoras de empresas e centros de pesquisa cooperativa, que facilitam a comunicação e a interação entre as hélices, o alinhamento de esforços e a transferência de tecnologias e conhecimentos entre a academia e a indústria. A integração dos recursos, competências e perspectivas tende a facilitar (i) a geração e a transferência de conhecimento tácito e explícito, (ii) o financiamento necessário ao pro- cesso inovativo e (iii) a geração e difusão da inovação (LEYDESDORFF e ETZKOWITZ, 1998). Etzkowitz (2002) afirma que é possível observar uma mudança na di- nâmica da sociedade: um afastamento gradual do modelo de relações en- tre instituições e organizações isoladas por fronteiras rígidas, na direção de um sistema mais flexível e fluido de interações, com substituição de papéis, capaz de criar uma nova dinâmica no processo de conversão de pesqui- sa e desenvolvimento em inovação. O autor ressalta que vem sendo obser- vada uma evolução das relações bilaterais entre as esferas institucionais8 - U-I, I-G, U-G - para relações “triádicas” U-I-G, especialmente no nível regional, em áreas que se encontram em diferentes estágios de desenvolvi- 8 A relevância da interação entre essas três esferas institucionais para a superação do subdesenvolvimento na América Latina foi objeto de estudo de Sábato e Botana (1968), cujo modelo teórico ficou conhecido como Triângulo de Sábato. Segundo Reis (2008), o Triângulo de Sábato descreve relações bilaterais entre as esferas, sendo o vértice superior do triângulo ocupado pelo Estado, que atua como o provedor de incentivo da relação, a esfera que coordena o relacionamento entre universidade e indústria.
  34. 34. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO36 mento, independente da herança cultural ou do sistema socioeconômico, com o propósito comum de estimular desenvolvimento econômico baseado no conhecimento. Velhas estratégias de desenvolvimento econômico, sejam elas fundadas no setor público, sob um Modelo de Planejamento Centrali- zado, ou apoiadas no setor industrial, como no Modelo Laissez-faire, estão sendo suplantadas ou até substituídas por estratégias de desenvolvimento econômico que combinam recursos das três esferas, dentro de uma pers- pectiva evolucionária (ETZKOWITZ, 2002). Trata-se da reconstrução de padrões históricos de interação, fruto da evolução social, técnica e econô- mica das sociedades modernas, que se traduz na transformação de suas ins- tituições e dos processos de interação entre elas, e no re-arranjo das confi- gurações anteriores. Webster (1994, apud Brisolla e outros, 1997) adverte para a necessidade de se avaliar se essas alterações nos padrões de interação U-I-G estão relacionadas a mudanças macroeconômicas mais profundas no ambiente de inovação ou se são apenas estratégias de sobrevivência empre- gadas por empresas, universidades e agências governamentais durante perí- odos prolongados de instabilidade social e econômica. Em países onde a interfase entre as esferas já está bem evoluída, tem-se observado a emergência do modelo HT tanto no formato bottom-up, a par- tir de interações diretas e espontâneas entre indivíduos e organizações das diferentes esferas institucionais, como no formato top-down, encorajadas por políticas públicas. Etzkowitz (2005a) propõe reconhecer a ocorrência simultânea ou sequenciada dos dois processos, visto que “uma via de mão dupla parece mais produtiva para a promoção de inovação que qualquer via de mão única” (p.4). Mello e Etzkowitz (2006) argumentam que, no Brasil, está em curso a transição de um sistema de inovação top-down para o mo- delo Hélice Tríplice, com a expansão do papel da universidade. Dagnino (2003) argumenta que, na América Latina, onde a indústria e a academia têm tradicionalmente existido afastadas uma da outra, o modelo HT é por vezes usado como um modelo normativo, um argumento de autoridade. O modelo HT compreende, pois, três elementos básicos: (i) um papel mais proeminente para a universidade na inovação; (ii) o fortalecimento da cooperação U-I-G; (iii) e um movimento do sentido das esferas institu- cionais somarem, às suas funções tradicionais, papeis atribuídos às outras esferas. Em uma sociedade HT, a Universidade e demais ambientes de pro- dução e difusão de conhecimento absorvem a função de desenvolvimento econômico e somam às suas atividades precípuas de ensino e pesquisa o ímpeto empreendedor, passando (i) a fomentar a criação de novas empresas em suas incubadoras, muitas vezes spin-offs de pesquisa acadêmica; (ii) a buscar transferir os resultados de pesquisa para a indústria, por meio de mecanismos híbridos; e (iii) a esboçar um movimento de aproximação à
  35. 35. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 37 indústria e ao governo para alinhar esforços e recursos em projetos coope- rativos. A Indústria, importante fonte de conhecimento prático, desenvolve pesquisa e capacita pessoas, assumindo papéis tradicionalmente exercidos pelas universidades, além de financiar a pesquisa e apoiar associações dedi- cadas ao estudo e à promoção da inovação, a exemplo da PROTEC – Socie- dade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica e da ANPEI – Associação Nacio- nal de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras. Ao Governo, cabe adotar uma atitude pró-ativa e se empenhar na constru- ção de uma engenharia institucional apta a fortalecer o diálogo entre o setor público e o setor privado, apoiando iniciativas como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial – CNDI e a Agência Brasileira de Desenvol- vimento Industrial – ABDI, para a elaboração conjunta do arcabouço legal e de políticas públicas que estimulem e facilitem o desenvolvimento de redes locais, regionais, nacionais e trans-nacionais de PD&I. Além de atuar como “capitalista de risco”, ao financiar ideias inovadoras com subvenção econô- mica e capital semente, por exemplo, o Governo dispõe de diferentes recur- sos para incentivar a atividade inovativa: incentivos fiscais, mudanças na regulação de atividades, criação de programas de financiamento específicos, incentivo à instalação de laboratórios de P&D privados em áreas adjacentes às universidades, uso do poder de compra do Estado, oferta de apoio técni- co, entre outras soluções que emergem da negociação e do diálogo entre as esferas. Cabe também ao governo, a importante missão de criar e sustentar um ambiente regulatório claro, estável e flexível, condição determinante da mobilização dos atores para o investimento e a colaboração. O modelo HT de desenvolvimento regional propõe a construção de Science-cities, nichos de inovação tecnológica que assegurem ao país um lu- gar dentro da divisão internacional do trabalho intensivo em conhecimento (MELLO, 2004). As Science-cities florescem na presença de um conjunto de instituições políticas, industriais e acadêmicas que atuam no sentido de aprimorar as condições locais para a inovação. São três os seus pilares: Espaços de Conhecimento, Espaços de Consenso e Espaços de Inovação. O Espaço de Conhecimento se configura com a concentração de instituições de ciência e tecnologia na região; a presença de ICT públicas e/ou privadas representa uma fonte potencial para a construção da base de conhecimento necessária ao processo de inovação. A simples presença das ICT, no entanto, não é condição suficiente para alavancar a dinâmica da inovação. A efetiva transformação do Espaço de Conhecimento em fonte real de desenvolvi- mento econômico e social depende da criação de Espaços de Consenso: um lugar de interação, onde pessoas com diferentes experiências, perspectivas e competências – oriundas das três esferas institucionais - se reúnem com o propósito de gerar novas estratégias e ideias. A criação de novas institucio-
  36. 36. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO38 nalidades, a exemplo de fóruns e conselhos, que promovam a interação de representantes da política, do mercado e da academia, faz multiplicar as ló- gicas cognitivas, enriquece o brainstorming de ideias e favorece o processo de hibridação dos papéis e funções entre as esferas. O processo de inclusão de atores de diferentes backgrounds na definição de estratégias de desen- volvimento socioeconômico e na formulação de políticas também facilita a reunião dos recursos necessários à promoção da inovação (ETZKOWITZ, 2002). O terceiro estágio é a criação do Espaço de Inovação, ambiente capaz de viabilizar os planos articulados no Espaço de Consenso. O Espaço de Inovação se conforma pela presença de instrumentos de suporte à inova- ção, como mecanismos híbridos, agentes de financiamento e organizações de apoio, que tangibilizam a combinação de conhecimento técnico, conhe- cimento de negócio e capital capaz de promover a capitalização do conhe- cimento (ETZKOWITZ, 2002). Nas Science-cities, os Espaços de Conheci- mento, Consenso e Inovação configuram espaços em estágios não-lineares, que se sobrepõem e se retroalimentam, reforçando o ambiente regional de inovação. As lacunas existentes nesses ambientes de inovação podem ser preenchidas por qualquer uma das três esferas que assuma o papel de prota- gonista do processo, porém, o pleno desenvolvimento do modelo HT inclui necessariamente os três elementos (ETZKOWITZ, 2002). Dagnino (2003) concorda que o “pacote analítico-institucional-opera- cional” apresentado pelo argumento da Hélice Tríplice permite uma solução de compromisso entre os diferentes atores envolvidos na dinâmica da ino- vação: pesquisadores universitários, empresários e gestores envolvidos com as Políticas Públicas de C&T, ao contemplar “interesses que de outra forma poderiam entrar em conflito” (p.280), no entanto, o autor propõe uma revi- são da ideia generalizada de que a intensificação da interação universidade- -empresa traz ganhos à atividade de pesquisa desenvolvida na universidade e questiona o impacto dos arranjos institucionais U-E sobre a competitivi- dade do País. Dagnino (2003, p.297) defende que “a única maneira de ‘ga- nhar’ a comunidade de pesquisa para um projeto de sociedade economica- mente viável e socialmente mais justa é promover um processo sistemático de discussão sobre a sua agenda de pesquisa”. Os gargalos da relação entre a academia e o setor produtivo é o tema discutido no próximo item. A RELAÇÃO UNIVERSIDADE-EMPRESA Vários pesquisadores buscam avaliar os impactos reais da relação uni- versidade-empresa sobre a inovação, apresentando diferentes resultados em função das abordagens e dos objetos estudados. Oven-Smith e Powell (2004) apresentam algumas pesquisas: George e outros (2002) observam
  37. 37. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 39 que, na área da biotecnologia, firmas que interagem com universidades pro- duzem mais patentes e têm menores custos de P&D que aquelas que não colaboram; Arora e Gambardella (1990) também demonstram que, na in- dústria farmacêutica, alianças com pequenas empresas de biotecnologia e universidades representam estratégias bem sucedidas de inovação; já Shan e outros (1996) identificam uma correlação positiva entre as alianças em- presariais e o número de patentes em biotecnologia, porém, uma correlação não significativa entre acordos de P&D com universidades e patentes. A efetiva transferência de conhecimento entre a universidade e a in- dústria parece depender de diversos aspectos: as características do setor, a natureza do conhecimento, o ambiente institucional e o regime de apro- priabilidade da propriedade intelectual, as competências desenvolvidas pelas empresas para identificar e explorar conhecimento externo (TEECE, 1986; CHESBROUGH, 2006), o grau de empreendedorismo da universi- dade (ETZKOWITZ, 2002), e até mesmo o capital relacional da região, do setor e/ou dos atores relevantes, fruto do universo de relações – relações de mercado, relações de poder e relações de cooperação – estabelecidas entre as empresas, instituições e pessoas ao longo do tempo (CAPELLO e FAG- GIAN, 2005). A relação entre universidades e empresas é uma questão ainda bastante controversa dentro e fora da academia. Os pontos críticos mais destacados na literatura especializada incluem o risco do “enviesamento” da pesquisa acadêmica pelo atendimento às necessidades da indústria; o compartilha- mento da propriedade intelectual gerada na pesquisa acadêmica e na pes- quisa conjunta; a complementaridade e a substituição das despesas públicas e privadas em projetos conjuntos de P&D; diferenças culturais, que incluem as dimensões do tempo, da linguagem e do poder; o spillover de conheci- mento da indústria para a comunidade acadêmica; e o dilema Publicação X Sigilo, inerente aos diferentes regimes de incentivo – enquanto a universi- dade privilegia a publicação dos resultados de pesquisa e a oportunidade da discussão aberta dos temas, as empresas usam o sigilo, o segredo industrial, como fonte de vantagem competitiva. Ao se identificar os principais obstá- culos na relação U-E, espera-se oferecer um referencial para os esforços de aperfeiçoamento da interação entre esses dois atores-chave da dinâmica da inovação. Em relação ao dilema Publicação X Sigilo, tema que vem merecen- do muita atenção entre os pesquisadores, Van Looy, Callaert e Debackere (2006) ressaltam que há evidências empíricas que confirmam a associação entre o financiamento privado de pesquisa e a restrição à publicação, no entanto, afirmam que alguns estudos têm revelado que as grandes universi- dades de pesquisa vêm conseguindo equilibrar a proteção ao valor tradicio-
  38. 38. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO40 nal da disseminação aberta do conhecimento científico e as concessões às necessidades práticas da indústria, por meio de um esforço conjunto de avaliação do valor crítico do novo conhecimento para a competitivi- dade das empresas envolvidas nos projetos colaborativos. A busca por um consenso para o conflito entre publicação e sigilo industrial remete a uma dimensão crucial da relação U-E: a regulação dos direitos à pro- priedade intelectual dos resultados das pesquisas, o que inclui o debate sobre patentes e licenciamento (VAN LOOY, CALLAERT E DEBACKE- RE, 2006). A questão da apropriação dos resultados de pesquisa engloba tanto pesquisas realizadas exclusivamente pelas universidades quanto aquelas realizadas em cooperação com empresas e/ou ICT. Leydesdorff e Etzkowitz (1998) ressaltam que essa questão tem reflexos sobre os cus- tos de transação da tecnologia e a alavancagem do processo de inovação. No Brasil, a Lei da Inovação - Lei 10.973/2004 - representa um esfor- ço de disciplinar a interação U-E e a questão da Propriedade Intelectual decorrente, dispondo, dentre outros temas, sobre a contratação de ser- viços e/ou projetos de pesquisa com as ICT e a celebração de acordos de parceria entre ICT e empresas para o desenvolvimento de pesquisa conjunta. Segundo Danna (2007), a Lei 10.973 busca (i) construir um ambiente institucional propício às parcerias estratégicas entre ICT e empresas, (ii) estimular a participação de ICT no processo de inovação e (iii) incentivar a inovação na empresa. Para promover o aumento da participação das ICT no desenvolvimento econômico do país, a Lei da Inovação prevê (i) alianças estratégicas para a cooperação entre as ICT e os setores empresariais; (ii) compartilhamento da infra-estrutura e es- tímulo à incubação de empresas nas ICT; (iii) facilitação para a transfe- rência de tecnologia, de uso exclusivo ou não, e prestação de serviços de PD&I ao setor produtivo; (iv) participação do pesquisador nos ganhos econômicos e (v) mobilidade do pesquisador. No entanto, vale ressaltar que, mesmo que algumas dessas questões já tenham sido regulamenta- das, ainda há muitas dúvidas sobre a correta aplicação da lei, o que vem restringindo sua efetividade. Não obstante as dificuldades observadas, a colaboração entre a aca- demia e o setor produtivo vem recebendo cada vez mais destaque nas estratégias de inovação de empresas e universidades, sobretudo naquelas com maior vocação empreendedora, portanto, é necessário aperfeiçoar a interação entre U-E para se avançar na construção de arranjos cola- borativos que facilitem o alinhamento de esforços e recursos, a geração e difusão de novos conhecimentos e a conversão desses conhecimentos em inovações para a sociedade.
  39. 39. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 41 GESTÃO DA INOVAÇÃO E INOVAÇÃO ABERTA A tradicional abordagem “ofertista” da inovação entende que cada fase do processo de inovação é realizada por um tipo de organização, que passa os seus resultados para a fase seguinte, conformando um fluxo linear e se- quencial, conforme ilustrado na Figura 1.fluxo linear e sequencial, conforme ilustrado na Figura 1. Pesquisa Básica Pesquisa Aplicada Desenvol- vimento Tecnológico Engenharia Produção Mercado Figura 1: Modelo Ofertista de Gestão da Inovação Fonte: Adaptado de Rothwell (1994) Nesse tipo de modelo, o mercado é visto como receptáculo dos resulta- dos das atividades de P&D desenvolvidas no interior das empresas. Segun- do Rothwell (1994), esse modelo science push sofreu algumas alterações ao longo do tempo, principalmente no sentido de que o mercado passou a ser o principal norteador dos projetos de P&D, conformando o modelo demand pull. Porém, a visão do processo inovativo como sendo simples, linear e sequencial permaneceu. Na década de 1990, um modelo denominado por Rothwell (1994) de “coupling” (acoplamento) é apresentado como uma al- ternativa à visão “ofertista” do processo de inovação. O modelo “coupling” envolve sequências lógicas de atividades que podem ser divididas em está- gios interativos e interdependentes ao longo do processo de inovação, en- volvendo atores internos e externos às organizações. A Figura 2 representa a dinâmica interativa do modelo coupling. Figura 2: Rede de Interações para a Inovação Fonte: Elaborado pelos autores
  40. 40. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO42 A alavancagem do processo de inovação por meio da interação das empresas com fontes externas de conhecimentos e tecnologias – outras empresas e ICT - também é tema de pesquisa dos teóricos da Inovação Aberta, alegadamente uma nova moldura conceitual para se pensar o processo de inovação das empresas (CHESBROUGH, 2006). A Inovação Aberta busca criar valor novo a partir da intensificação do fluxo de conhecimentos e tecnologias na atividade de PD&I. O ponto de partida para a construção do modelo conceitual da Inovação Aberta é a premissa de que, por mais maduras que sejam as atividades de P&D de uma empresa, fechando-se em si mesma, ela é incapaz de acompanhar a dinâmica da criação e difusão de conhecimento característico da sociedade em rede. Para so- breviver e crescer em contextos complexos, as empresas precisam se conectar em redes de colaboração que facilitam a absorção e/ou a produção de conhecimen- to novo, o desenvolvimento de novas tecnologias, a identificação de novos usos para tecnologias existentes, a comercialização de novos produtos e serviços ou simplesmente o acesso a novas ideias, interpretações e desenvolvimentos tecno- lógicos e científicos (CHESBROUGH, 2006). A Inovação Aberta entende a pro- priedade intelectual e o know-how das organizações como ativos estratégicos que lhespermitemcapturarvalornovonaparticipaçãoemprojetoscolaborativos.Nas iniciativas de Inovação Aberta, a eficácia de projetos colaborativos depende so- bremaneira da construção de ambiente institucional favorável à cooperação e ao compartilhamento de poder, informações e resultados entre os atores envolvidos. A figura 3 representa a dinâmica da Inovação Aberta, ressaltando a permeabili- dade dos limites da empresa e as interações dessa com o ambiente externo nas atividades de PD&I. Figura 3: Inflows e Outflows de idéias e tecnologias no Modelo Inovação Aberta Fonte: Chesbrough, Vanhaverbeke e West, 2006
  41. 41. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 43 Segundo Chesbrough (2006), a Inovação Aberta (IA) propõe o uso in- tencional de inflows e outflows de conhecimentos e tecnologias no processo de inovação das empresas, visando acelerar o processo e expandir os mer- cados para a inovação, os conhecimentos e as ideias gerados nas atividades de P&D. O modelo IA identifica duas dimensões no processo de inovação: outside-in e inside-out, com impactos diretos na rentabilidade do processo de inovação, conforme demonstra a figura 4. A dimensão outside-in reco- menda que as empresas explorem com maior intensidade fontes externas em seus processos inovativos: a soma de recursos leva à redução dos custos, do time-to-market e dos riscos do processo de inovação, além de ampliar as possibilidades de se identificar novas oportunidades de negócio. A di- mensão inside-out enfatiza que as organizações busquem gerar valor novo a partir do seu portfólio de PI, transacionando ideias e tecnologias proprie- tárias que já tenham sido apropriadas internamente e/ou que não lhes in- teressem utilizar em seus próprios negócios, mas que significam fontes po- tenciais de valor novo se combinadas com ideias e tecnologias de terceiros. Figura 4: A Equação da Inovação Aberta Fonte: Adaptado de Chesbrough, 2006 As características-chave da dinâmica da Inovação Aberta são: (i) cenário de conhecimento abundante e distribuído; (ii) importância igual conferida ao conhecimento externo e interno; (iii) papel determinante do modelo de negócio para a conversão de P&D em valor comercial; (iv) inflows e ou- tflows intencionais de conhecimento e tecnologia na organização; (v) papel proativo e flexível da gestão de PI; (vi) abordagem cognitiva dos erros ine- rentes às atividades de PD&I; (vii) surgimento de mercados intermediários
  42. 42. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO44 de inovações; (viii) novas métricas para avaliar capacidade e performance inovativas (CHESBROUGH, VANHAVERBEKE E WEST, 2006). Para Chesbrough (2006), a Inovação Aberta consiste em um novo mode- lo de negócio. Trata-se de uma decisão estratégica construída coletivamente pelas diretorias de marketing, negócios, finanças, jurídico, P&D e produção. A adoção do modelo de Inovação Aberta e de modelos abertos de negócios é uma mudança de paradigma: uma ruptura com o modelo tradicional de se pensar e estruturar internamente as atividades de P&D, o que pressupõe uma mudança na cultura da organização e na estrutura de poder e, natu- ralmente, tende a enfrentar barreiras dentro da organização. Essa transfor- mação requer novos processos, novas métricas de performance, uma vasta leitura do modelo de negócio vigente e uma ruptura com os conceitos já consolidados de inovação e propriedade industrial. Teixeira (2001) chama a atenção para a relação entre a adoção de estraté- gias de alto valor agregado, baseadas na diferenciação pela qualidade, valor adicionado e melhores serviços, capazes de gerar vantagens competitivas significativas na economia da inovação, e a implementação de mudanças organizacionais e gerenciais que contribuam para a consolidação de high performance work organizations. Teixeira entende que esse modelo aberto incorpora a inovação na cadeia de valor do negócio e pode contribuir para ganhos de desempenho. Atuar em redes parece ser a estratégia privilegiada na economia da ino- vação; a seguir, busca-se destacar algumas especificidades desses arranjos colaborativos para melhor informar os tomadores de decisão sobre os desa- fios dessa estratégia competitiva. REDES DE INOVAÇÃO Combinar informações, conhecimentos, competências, tecnologias e ideias internas e externas no processo de inovação, como propõe o mode- lo da Inovação Aberta, pressupõe participar de redes e arranjos colaborati- vos, formais e informais, que reúnem diferentes atores: de pesquisadores e clientes, a outras empresas, ICT e órgãos do Governo. Operacionalizadas por meio de vínculos informais entre indivíduos (GRANOVETTER, 1985; UZZI, 1996, apud OVEN-SMITH; POWELL, 2004), por meio de acor- dos interorganizacionais (MIZRUCHI 1992, DAVIS e outros, 2003, apud OVEN-SMITH; POWELL, 2004) ou de alianças estratégicas formais, con- tratualmente definidas (POWELL e outros, 1996), essas Redes de Inovação representam um componente essencial do mercado, dado que canalizam e direcionam os fluxos de informação e recursos dentro de uma estrutura social (OVEN-SMITH; POWELL, 2004). As redes de inovação facilitam a
  43. 43. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO 45 difusão de informações e a troca de conhecimentos (MOWERY; NELSON; SAMPAT; ZIEDONIS, 2004), insumos críticos do processo de inovação, ao passo que favorecem a co-evolução das organizações envolvidas (MO- WERY; SAMPAT, 2005). Em segmentos de alto valor agregado, a compe- titividade das empresas depende, cada vez mais, da eficiência e da eficácia de suas redes de inovação. Segundo Powell e outros (1999), as redes são especialmente apropriadas para as indústrias intensivas em conhecimento, onde a busca conjunta de soluções tende a acelerar a construção do novo, do inédito. A participação em redes de inovação também contribui para o aperfeiçoamento dos mecanismos internos de aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento de competências dinâmicas que ampliam a capacidade competitiva das organizações. Chesbrough, Vanhaverbeke e West (2006) ressaltam que a capacidade de combinar competências, tecnologias e saberes externos e internos depende, em grande parte, dos investimentos e da maturidade da atividade interna de P&D. Rosenbloom e Spencer (1996) concordam que a efetividade do uso de fontes externas de conhecimento depende das capacidades científica e téc- nica da empresa, o que reforça o valor dos investimentos internos em P&D. No entanto, há outros desafios para a realização do potencial das redes de inovação: criar ambientes institucionais favoráveis à colaboração, identificar conhecimento externo relevante, contatar e motivar os atores relevantes a aderir à rede, definir a estrutura ótima da rede - número de participantes, densidade das ligações etc., construir efetivamente a rede, gerar sinergia, combinar as dimensões presencial e virtual no esforço de colaboração etc. Oven-Smith e Powell (2004) propõem que se apreenda a dinâmica das redes de inovação a partir de duas metáforas: os canais e os condutores. A metáfora dos canais sugere que as redes populosas direcionam as transfe- rências entre os nós de forma difusa e imperfeita, facilitando o spillover de informações e outras externalidades que beneficiam tanto os atores que ocupam posições mais centrais, quanto aqueles com vínculos mais fracos na rede. A analogia dos condutores destaca outra possibilidade: a capacidade de assegurar que “somente” as partes contratantes de uma rede se benefi- ciem do fluxo de informação, característica dos arranjos formais com seus acordos de sigilo, contratos de licenciamento exclusivo e regimes de apro- priabilidade. De fato, as redes formais têm sua abrangência ampliada pelas redes e comunidades informais às quais as pessoas envolvidas se conectam. Oven-Smith e Powell (2004) entendem que as redes e alianças estratégicas em indústrias intensivas em conhecimento geram ganhos excepcionais, pois operarem tanto como canais quanto como condutores. E mais: a combina- ção de participantes com laços fracos e fortes em uma rede introduz diver- sidade cognitiva, o que tende a maximizar o potencial do arranjo.
  44. 44. REDES DE COOPERAÇÃO COMO INDUTORAS DA INOVAÇÃO46 Analisando a relação entre a densidade das ligações de uma rede e a ge- ração de inovação, Nooteboom (1999) conclui que, em redes difusas e po- pulosas, a flexibilidade decorrente da ausência de ligações fortes e duradou- ras entre os atores e a multiplicidade de fontes cognitivas tendem a facilitar a geração de inovações radicais; no entanto, o autor ressalta que o efeito das redes populosas sobre a inovação radical não é óbvio. Em outros estágios do processo inovativo, no entanto, modelos mais integrados e redes mais permanentes, densas e exclusivas apresentam maior eficiência cumulativa. Esse desenho tende a favorecer a geração de inovação incremental e a incen- tivar o investimento em ativos específicos. Se por um lado, engajar em redes exclusivas reduz os custos envolvidos na construção de novas parcerias, por outro, eleva os riscos de aprisionamento decorrente da especificidade dos investimentos e da reduzida diversidade cognitiva. No esforço de combina- ção dos aspectos positivos dos dois modelos de rede, o autor propõe a cons- trução de um modelo alternativo fundado (i) na redução da exclusividade e aumento do número de participantes e (ii) no adensamento das relações. Essas novas redes podem ser regidas por contratos menos restritivos e mais implícitos, fundados na confiança e no modo voice de solução de conflitos (NOOTEBOOM, 1999). Outra dimensão crítica das redes de inovação é a apropriação do valor criado. Em redes, o valor é co-produzido e o valor total criado depende do aporte de recursos tangíveis e intangíveis pelos parceiros e da qualidade do relacionamento entre eles (GOMES-CASSERES apud VANHAVERBEKE, 2006). Segundo Vanhaverbeke (2006), o compartilhamento da PI e a apro- priação de valor pelos parceiros em projetos colaborativos devem ser con- siderados no momento da formulação da estratégia de criação de valor. O autor ressalta que a relação entre a criação e a apropriação de valor em ar- ranjos colaborativos encerra uma tensão contínua entre a criação conjunta de valor e a lucratividade da empresa. Chesbrough, Vanhaverbeke e West (2006) entendem que a adoção da estratégia de redes para a gestão da inovação requer o desenvolvimento de novas métricas para avaliar os resultados dos esforços de inovação das em- presas. Essas novas métricas devem contemplar, por exemplo, o total de dis- pêndio dos parceiros no esforço conjunto de P&D, o volume da atividade de P&D conduzida na cadeia de valor do produto, a taxa de utilização e retorno das patentes, investimento em start-ups e spin-offs decorrentes do esforço colaborativo, criação de novos negócios e informações sobre os acordos de licenciamento e o pagamento de royalties. Por fim, o estudo das redes de inovação não pode prescindir da análise das amplas possibilidades de conexão trazidas pelas novas Tecnologias de Comunicação e Informação – TIC. As novas TIC interligam os diferentes

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