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Artigo de Filipe Nogueira no diário português Público

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Público publica hoje um artigo do diretor da IMAGO – LLORENTE & CUENCA, Filipe Nogueira, onde é debatida a credibilidade da indústria alimentar e a importância da sua preservação para conseguir estabelecer uma relação de confiança com os consumidores

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Artigo de Filipe Nogueira no diário português Público

  1. 1. Tiragem: 40323 Pág: 47 País: Portugal Cores: Cor Period.: Diária Área: 13,25 x 30,32 cm²ID: 46921332 01-04-2013 Âmbito: Informação Geral Corte: 1 de 1 A carne de cavalo e o fim do marketing outro lado, um prédio forrado a hortas no A Debate Insegurança alimentar meio da cidade não é solução alimentar — é Filipe Nogueira má arquitectura. Um conflito de confiança latente a envolver a indústria alimentar é fraude com carne de cavalo mau para todos, a começar nela própria e acabou com o marketing a acabar nos consumidores. E esta é, por tal como o conhecemos. As isso, uma excelente oportunidade para as empresas do sector alimentar empresas pensarem o que têm de fazer para enfrentam, agora ainda mais construir relações sustentáveis de confiança claramente, um problema com todos os grupos de pessoas que fazem de confiança que só elas vão parte da esfera dos seus negócios. poder resolver. De que serve As empresas vivem da confiança, ter marcas fortes se elas se sobretudo as do sector alimentar. Os lucros movem num sistema falível, são uma consequência dessa confiança. que nem as próprias empresas parecem Sempre foi assim. O que é novo é que essa conseguir controlar? confiança está em causa como nunca esteve. Todos discutiram a fraude e todos fizeram Conservá-la dá muito trabalho mas faz toda o seu trabalho – Governo, Parlamento, a diferença. Exige construir relações sólidas ASAE, empresas e marcas, jornalistas, e sérias não apenas com quem nos admira associações de consumidores, médicos e mas mesmo — e sobretudo — com quem nos veterinários, consumidores. E tudo parece julga, vigia, regula ou acusa. agora tranquilo. Mas estará? Confiança, sustentabilidade, reputação O marketing “tal como o conhecemos” e compromisso parecem palavras do depende de uma relação indiscutível de léxico sofisticado confiança entre empresas e consumidores. dos ciclos estáveis Alimenta-se dessa credibilidade e não nas economias sobrevive sem ela. Só que essa relação é desenvolvidas. cada vez mais discutível e é aqui mesmo, Porém, é nesta debilidade, que as administrações das empresas do sector alimentar devem Estamos precisamente num momento centrar os seus esforços de comunicação, perante um económico adverso se querem construir uma reputação positiva e restaurar relações de confiança. novo roteiro que as empresas com melhor Só o conseguirão gerando compromissos macroeconó- reputação têm mais com todos aqueles que de uma maneira mico e social oportunidade de ou outra influenciam de facto os seus criar valor, negociar negócios — colaboradores, fornecedores, que deve ser melhor com retalhistas, reguladores, legisladores, ONG entendido fornecedores, atrair e consumidores, todos eles cada vez mais informados, influentes e activos no que toca pelas empresas talento e gerar maior lealdade por parte a gerar, a exigir e a reproduzir informação. dos seus clientes A indústria alimentar é demasiadamente e consumidores. E é isso que fará delas, a importante para não levar a sério o tema prazo, empresas mais rentáveis. da sua própria credibilidade. Todos lhe Estamos perante um novo roteiro exigem essa credibilidade, a começar nos macroeconómico e social que deve ser ministérios e a acabar nos consumidores. entendido pelas empresas, estabelecendo É demasiadamente importante pelo os seus espaços de actuação e protagonismo seu peso nas economias, desde logo na e criando relações de proximidade com portuguesa, e porque não existe alternativa todos aqueles — e são muitos — dos quais à indústria alimentar como forma de depende realmente a sua reputação e, produzir sustento para a população como tal, o sucesso dos seus negócios. O mundial. Face à evolução dos dados marketing não pode continuar a alhear-se demográficos, ninguém tem capacidade dessa necessidade de transparência e de para produzir alimentos em quantidade credibilidade, valores que só conseguirá suficiente a não ser as empresas industriais, atingir através de uma cultura corporativa que foram criadas exactamente para isso. que ponha os diversos grupos de interesses Em 1950, viviam nas cidades 750 milhões no centro das suas preocupações, criando de pessoas. Hoje, apenas 60 anos depois, acções, momentos e conteúdos de os habitantes de cidades são mais de 3,6 comunicação e construindo relações de mil milhões em todo o mundo, ou seja, confiança com todos eles. metade da população global. No topo dos Parece mau de mais conviver países com maior taxa de crescimento da simultaneamente com uma crise financeira população urbana até 2050 estão a Índia e a e com uma crise de confiança, mas China, aqueles que maior número de bocas combater esta crise de confiança será, para têm e terão para alimentar. a indústria alimentar, a melhor forma de Todas as fantásticas experiências de sobreviver à outra. pequena produção de proximidade são isso mesmo — fantásticas e pequenas. Por Director da Imago – Llorente & Cuenca

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