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EMMANUEL
ÓPERA EM 03 ATOS
(Adaptação do Romance “Há Dois Mil Anos”
(Psicografado por Chico Xavier)
Música: Normando Carn...
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Aurélia................................. Filha de Fulvia
Emiliano................................ Esposo de Aurélia
João...
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LIBRETO
ATO I
Cena Título Duração
I Dois Amigos 06:30”
II Em Jerusalém 09’:20”
III Em Casa de Pilatos 05’:30”
IV Obreiro...
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  1. 1. 1 EMMANUEL ÓPERA EM 03 ATOS (Adaptação do Romance “Há Dois Mil Anos” (Psicografado por Chico Xavier) Música: Normando Carneiro da Silva ELENCO Públio Lentulus..................... Senador, esposo de Lívia Lívia..................................... Esposa de Públio Firminio................................ Senador, amigo de Públio Calpúrnia.............................. Esposa de Firminio Pilatos................................... Governador da Judéia Fulvia................................... Amante de Pilatos André de Gioras.................... Líder/Resistência Jerusalém Sulpício................................. General de Pilatos Ana....................................... Serva de Lívia
  2. 2. 2 Aurélia................................. Filha de Fulvia Emiliano................................ Esposo de Aurélia João de Cleofas...................... Pregador Cristão Centurião.............................. Oficial Romano Jesus...................................... O profeta Cornélio................................. Oficial Romano Clódio.................................... Carcereiro Vespasiano............................ Imperador de Roma Tito....................................... Oficial, filho de Vespasiano Ítalo...................................... Escravo de André GRUPOS 01. Coral 02. Grupo de Dança SIMOPSE A ópera “Emmanuel” é uma história de caráter espírita que conta a trajetória de um Senador Romano (Públio Lentulus), da época de Cristo. O enredo é rico no que tange aos orgulhos do Império Romano, às vaidades, às injustiças, às tramas, às infidelidades e assassinatos. Muito embora possamos constatar esses caracteres malignos, a mensagem mais importante desse episódio é mostrar a capacidade do perdão. Desta feita, tratando-se de uma adaptação do livro “HÁ DOIS MIL ANOS” psicografado pelo médium Chico Xavier, através do espírito “Emmanuel” (Públio Lentulus, depois da sua desencarnação), isso não quer dizer que a história narrada aqui seja a expressão verídica de um fato ocorrido naquela época, porém um grande exemplo de superação do bem sobre o mal. Normando Carneiro da Silva
  3. 3. 3 LIBRETO ATO I Cena Título Duração I Dois Amigos 06:30” II Em Jerusalém 09’:20” III Em Casa de Pilatos 05’:30” IV Obreiros do Mal 06’:35” V Viagem a Cafarnaum 08’:15” VI Jesus de Nazaré 10’:55” VII O Rapto 02’:20” Cena I - Dois Amigos (Publio e Flamínio) Personagem Voz Diálogos Publio Tenor Vede o martírio da filha minha, encontra-se em lepra! Flamínio Barítono Não desanimes; nossos deuses estarão prontos, verás! Nas constantes lutas faltarão jamais, faltarão jamais! Publio Tenor Deuses!? Tenho sonhos implacáveis de outras vidas em tragédias; entre sangue de inocentes habitando em outro corpo desenhava-me um vilão. Flamínio Barítono Sonhos! Ora tu meu bom amigo, nobre patrício! Como podes te abalar em fantasias em vão? Publio Tenor Sonhos, ou não deveis perceber; revi trajetórias, rastros sem luz. Flamínio Barítono Somos práticos homens da lei; sonhos a mais levam a escravidão; o bom senso vem dos deuses. Nossas conquistas, nossos triunfos, nosso Império e tudo mais! Renunciarias tudo, o teu nome, tudo em nome da imaginação? Publio Tenor Caro amigo, postulaste bem a razão, Mas nem tudo te foi revelado... Reconheces? Flamínio Barítono Sim, reconheço. Vejo a esfinge de um romano: Publio Lentúlio, teu bisavô, estrangulado há quase um século... Mas... És tu. Como pode?! Eu hesito! Semelhanças poderiam existir... Poderia pensar... Não! Isso não pode existir... Publio Tenor Veja pois nesses papiros, são notas antigas, projetos do meu bisavô. São rabiscos de
  4. 4. 4 projetos entre os quais há sentenças fatais. Confronta essas letras. Flamínio Barítono Pelos deuses! ... São justaposições sim. Coincidências, mas é um fenômeno... Guarda-o contigo, estás cansado, esquece, há outros afazeres em conta amigo; há pois a tua filha em leito, em dor. O amor sempre amanhece da escuridão; da alma febril; vais meu amigo; vede a razão.pois na esperança terás o viver. Cena II – Em Jerusalém (Lívia, Públio, Pilatos, Fulvia, Sulpício e Coro) Personagem Voz Diálogos Lívia Soprano Minh’a alma clama, luta entre dois caminhos: nos da guarda pela filha minha; enquanto Roma, eterna sagrada; consagro o meu viver.
  5. 5. 5 Estou, no entanto, aqui sem rumo, num mundo da escuridão; vivo em assédio, em atos vis do então Pilatos infeliz. Publio Tenor Que opulência, grande noite patrícia; revivo a vida de tantos sarais! Pilatos Tenor Tantos sarais? Senador, essa casa vos pertences em Jerusalém. Vinde aqui em minha casa se hospedar; não há em outros lares mais conforto do meu lar. Fulvia Contralto Exageras Pilatos. Publio e Lívia já são meus hóspedes. Ademais, a pequena Flávia merece a justa atenção. Estamos tão preocupados... Coitadinha... Coitadinha... Publio Tenor Não há dúvidas! Nossa Flávia é toda prioridade! E na verdade, buscamos abrigo nos campos Reais, Pilatos Tenor Sim! A cura do mal, o santo remédio, desde que não se transforme numa judia! Ah, ah, ah ah. Sulpício Barítono E por falar em Nazaré, já ouviram falar do profeta?... Sim Há em Nazaré o profeta Jesus. Pilatos Tenor Sulpício, o que é isso? Dás a impressão que estás de nova fé. Jamais! Mas Jesus é embriagador; nos envolve, nos confunde entre laços de união, quanta luz de esperança, envia-nos um salvador, amor sublime amor, lema da vida, a paz dos nossos corações. Em Jesus senti sua missão em mostrar que somos todos irmãos. CORO A 04 vozes Lema da vida eterna de esplendor; amor, sublime amor, lema da vida a paz em nossos corações, em Jesus senti sua missão. Em mostrar que somos todos irmãos. Pilatos Tenor Todos irmãos? Absurdo! Absurdo! E os escravos, e os vassalos, e as prerrogativas do patriciado do Império? E o que mais me admira, é que ser um homem prático romano, venha se misturar-se com essa gente. Sulpício Barítono Eu sei, eu sei, mas fiquei impressionado Pilatos Tenor Como deixastes empolgar? Sulpício Barítono Os milagres, os milagres. Pilatos Tenor No entanto, meu caro amigo: aqui nascem religiões, todas criadas assim: Fanáticos! E profetas! Ladrões! Feiticeiros! Os problemas do Estado são mais importantes. Ora essa Sulpício: mereces uma punição por narrativas tão importunas... Vamos nos divertir, serei vosso anfitrião.
  6. 6. 6 Grupo de dança 12 pares “Dança árabe” Cena III – Em Casa de Pilatos (Pilatos, Lívia, Sulpício, Fulvia e Coro) Personagem Voz Diálogos Pilatos Tenor Oh linda flor do amor, dai-me esperanças nos braços meus; sois a paixão da minha vida, não esperes mais, sou louco por ti; és o acalanto dos meus sonhos, razão do meu viver. Amor, meu grande amor! Eu me desespero por ti; daria um mundo a teus pés, oh linda flor. Por que me repeles assim? Serás minha não te iludas, pois não deixarei que me impeças dessa paixão. Oh querida! Não ousai dizer-me não! Lívia Soprano Cala-te Pilatos! Pelos deuses! Tens esposa tão digna, tão leal! Como ousas? Como te atreves? Por quem me tomas Poncio Pilatos? Insano é o teu nome; jamais serei tua. Minha grande paixão só contempla um grande amor. Sulpício Barítono (comentando às escondidas com Fúlvia)
  7. 7. 7 Deixaste de ser a preferida. Pilatos te outro amor, vês? Não hás de vingar?... Vens para mim Fulvia querida! Por ti daria tudo. Ordenai! Queres vingança? Tudo farei! Tudo terás! Fulvia Contralto Pois muito bem,como queres, serei tua. Em verdade desejas a mim? Antes, porém, serás meu cúmplice. Sulpício Barítono Que pretendes? Fulvia Contralto Criar provas que Lívia é infiel. Sulpício Barítono Mas que trama tens em mente? Fulvia Contralto É bem simples, mas diabólico, pois seremos implacáveis. Então concordas?...Então, o que me dizes? Sulpício Barítono Sim... Concordo!. CORO A 04 vozes Consumat est malo; Selaste vossos destinos; nas trevas habitarás. Peroniam secula seculorum. Fúlvia! Consumaste longo caminho em provas jus. Todo mal sucumbirá deste mundo pelo amor, pela dor dos mais cruéis. Cena IV – Obreiros do mal (Fulvia, Públio e Lívia) Personagem Voz Diálogos Fulvia Contralto Senador! Venho aqui em desagradável missão; venho preveni-lo de tão doloroso fato; como amiga estou aqui; não posso calar-me. Públio Tenor O que sabes de tanta gravidade?Fale! Fulvia Contralto Tua esposa; tens cuidado... Ontem mesmo,
  8. 8. 8 com meus próprios olhos, a vi em intimidades com o próprio governador... Pilatos!... Queres uma prova? A terás em breve, quando partires para a nova morada. Não rejeites, pois, o toque experiente da voz de uma mulher. Lívia e Pilatos são amantes. Lívia Soprano Que tens meu querido? Vejo sombras em teus olhos. Estás cansado, precisamos partir. Apressai a nossa viagem. Públio Tenor A viagem? Com que propósito?! Lívia Soprano Querido... Não são nossos planos?... Públio Tenor Sim... És tudo para mim, nossos filhos são as flores da minha alma. Perdoa-me, perdoa- me, tenho vivido em louco temor! Ajuda-me, oh querida, pois os sonhos se foram da minha vida. Lívia Soprano Amor da minha vida, porque choras?... Nada mais podes temer. Públio Tenor Ando cercado de demônios, visões sombrias, todos a postos a nos separar. Lívia Soprano (“Alma Gêmea”) “Alma gêmea da minh’alma; flor de luz da minha vida; sublime estrela caída das belezas da amplidão. Quando eu errava no mundo, triste só no meu caminho, tu chegaste devagarzinho e encheste meu coração. Vinhas da benção dos deuses, na divina claridade. Tecer-me a felicidade em sorrisos de esplendor! És meu tesouro infinito. Juro-te eterna aliança porque sou sua esperança como és todo meu amor”.
  9. 9. 9 Cena V – Viagem a Cafarnaum (Públio, Pilatos, Ana, Sulpício e Lívia) (Ainda em Jerusalém) Personagem Voz Diálogos Publio Tenor Governador! Minhas saudações. Devo partir; minha filha necessita de outros ares. Pilatos Tenor É pena, caro amigo. Vais a Cafarnaum? Publio Tenor Sim. Pilatos Tenor Maior prazer seria se aqui ficastes... Pois muito bem! Designarei Sulpício para acompanhá-lo e servi-lo. Procurarei visitá-lo. Publio Tenor Agradeço os teus cuidados os teus cuidados; partiremos; já ficaremos bem. Em Cafarnaum Personagem Voz Diálogos Ana Soprano Meu Deus, nosso Pai de bondade, Eis-me agora. Daí a força aqueles que suportam provações de uma vida, de outras vidas marcadas pelo desamor; Daí a luz da verdade. Oh Deus Pai, daí a estrela guia. Aos que então caminham nesse mundo sem fim. Senhor, que a vossa bondade ilumine e eleve a toda parte a esperança e a fé. Públio Tenor Amigo Sulpício, fale-me Daquele que chamam de Jesus... Vamos, fale!... Gostaria de saber. Sulpício Barítono Tenho visto e ouvido sínteses que contempla os fatos: mestre, visionário, profeta, o
  10. 10. 10 Consolador, são qualidades que o povo maravilhado, veste Jesus. Públio Tenor Mas afinal, que ensina às multidões? O que o leva a salvar a humanidade? Sulpício Barítono O amor, eis o seu nome. Jesus, Jesus, o amor, o amor. Públio Tenor Bobagem! Bem se vê que se trata de um homem do povo. Fanatismo judaico cheio de propostas injustificáveis. Não me declino... Por outro lado, confesso: estou curioso. Esses fenômenos vêm aguçar a minha curiosidade... Sulpício Barítono Queres conhecê-lo... Mais de perto?... Públio Tenor Nunca! De modo algum irei! Sou um homem de Estado. Como ficaria a minha autoridade? (No quarto ao lado - Ana e Lívia) Ana Soprano Ah, senhora, guardo em meu coração os milagres do Mestre. Se levássemos a pobre Flávia em suas mãos... Lívia Soprano Impossível! Impossível! Pois iríamos contrariar o Senador. Ana Soprano Que felicidade terá em teu viver? Eis tua filha... Eis a dor... Senhora: busque a fé, em nome de Jesus. Lívia Soprano Tens razão, há luz em teus olhos. Não hesitarei. Públio será nosso portador. Cena VI e VII - Jesus de Nazaré e o Rapto (Jesus, Publio, Lívia, Ana, Sulpício e André de Gioras e coro)
  11. 11. 11 Personagem Voz Diálogos Jesus Barítono Senador, porque me procuras? Porque e procuras?... Não venho buscar o homem de Estado, superficial e orgulhoso que só os séculos de sofrimento podem encaminhar ao regaço do meu Pai. Venho atender à súplica de um coração oprimido. E ainda assim, meu amigo, não é uma causa de amor. Não é teu sentimento que salvará tua filha, porque fazes do egoísmo a razão. É sim, a fé que é divina, salvará a tua filha. Não! Não estás sonhando. Encontrarás o caminho do bem. Aproveita-o! Aproveita-o!... Pois verás o reino dos céus. Aproveita-o consciente, ou daqui há milênios, depois. Coro A 04 vozes Voltarás! Senador! Dois mil anos terás de ver. Jesus Barítono Volta ao lar, consciente do teu destino Públio Tenor Então, deverei renunciar abandonar as mais caras tradições, para me tornar um simples homem do povo? Nunca, Jamais! Sou o Senador Públio Lentulus, tenho da Pátria meu coração!... Públio Tenor (Em casa) E a nossa filhinha? Lívia Soprano Melhora milagrosamente. Existirá, querido, felicidade maior? Ah Jesus, meu Senhor... Públio Tenor Lívia, porque tanto exagero? Sabemos que nada mais lhe faltou. A melhora é natural... E quanto a ti (referindo-se a Ana), fanática cristã, influenciaste a minha esposa... Ana! Estás dispensada! Lívia Soprano Por que?!!! Quando agora deveríamos agradecer?! Quanto a Ana, sempre fiel companheira, nas lutas, nas dores! Oh não! (Se dirigindo a Ana). Não mereces tamanho rancor (Dirige-se a Públio): Reconsideres! Públio Tenor Nunca! Lívia Soprano Oh meu esposo... Públio Tenor És infantil! Não podemos nos igualar a servos! Ademais, esse Jesus não passa de um feiticeiro, tal como aqueles existentes em Roma. Lívia Soprano Não meu querido, Jesus esteve aqui. Públio Tenor Puras alucinações!!! Lívia Soprano (Ária) Querido Mestre, meu coração vibra feliz em louvor. Agradecemos Mestre Jesus, nossa esperança é o teu grande amor. Luz que ilumina, vinha do ser, aqui nos prostramos, frágeis almas febris.
  12. 12. 12 Lívia Soprano Ana!... Porque não respondes? Porque não respondes? (Ana retorna) Públio Tenor Está bem (voltando-se para Ana), tu já podes ficar... Sob os teus cuidados (voltando-se para Lívia). Mas não admito crer nesse nome: Jesus. (Vão dormir e André de Gioras, um antigo inimigo de Públio, durante a noite, rapta o pequeno Marcus) André de Gioras Barítono Se os malditos romanos nos escravizam sem piedade, podemos também escravizar os seus descendentes. Eis a minha vingança Públio Lentulus. (Quando amanhece) Lívia Soprano Oh Senhor, meu filhinho foi raptado. Públio Tenor Mal posso crer, que desventura, meu primogênito, quem seria capaz de fazer tamanha crueldade? Porque razão roubaram Marcus de mim? ATO II Cena Título Duração VIII Calúnia Vitoriosa 09’ XIX A Morte de Flaminio 08’:55” X A Morte de Fulvia 06’ XI Últimas Confissões 10’:45 Cena VIII – Calúnia Vitoriosa (Ana, Lívia, Sulpício, Pilatos, Fulvia, Públio) Personagem Voz Diálogos Ana Soprano (na rua) Oh, senhora minha! Veja O profeta de Nazaré... Foi preso e está a caminho do calvário. Como?!... Mas é verdade!... Imploro- te, tomai alguma atitude, alguma atitude, não podemos perder mais tempo! Lívia Soprano Está bem. (Lívia sai à procura de Pilatos e encontra Sulpício) Sulpício Barítono Lívia?! Que desejas aqui?... Sozinha?... Lívia Soprano Sulpício ajude-me, preciso falar com Pilatos. Sulpício Barítono Ora, ora, queres mesmo? Levarei a senhora
  13. 13. 13 aos aposentos íntimos do governador. Lá terás privacidade, lá encontrarás, quem sabe, o teu caminho. (Nesse mesmo tempo Fulvia encontra-se escondida, observando a cena e sai em busca de Públio) Fúlvia Contralto Eis agora, querida amiga minha vingança; não escaparás. Se não sou mais a preferida, te envolvi em trama fatal. Pilatos Tenor Lívia! Que surpresa agradável! Quem diria, quem diria!... Lívia Soprano Senhor governador! Suplico a vossa ajuda... O profeta de Nazaré... Pilatos Tenor Senhora: consumaste est, nada mais poderei fazer!... O Nazareno está morto... Mas, nós estamos aqui... Lívia Soprano Para trás!!! Não respeitas sequer a mulher de um senador romano?! (Lívia sai apressada do quarto de Pilatos, enquanto Fulvia e Publio observam escondidos). Fulvia Contralto Como vês com os teus próprios olhos, tua mulher, no quarto com Pilatos. Ainda tens dúvida? Ainda tens dúvidas? Que dizeis? Que dizeis? Publio Tenor Venceste... Venceste (Ária “Cálice de Martírios). Cálice de martírios, penúria de um grande amor; és a morte de todos os caminhos; és o espinho de toda minh’alma. Venceste Fulvia, venceste! Entrego-me tolhido. Não há mais a eterna aliança, nem juramentos de amor. (Vai para casa em busca de Lívia). Públio Tenor Lívia!... Todos os laços de afetividade que nos uniam estão mortos para sempre. Lívia Soprano Por que? O que é isso? Publio Tenor Cala-te!!!... Nem mais uma palavra, vi tudo com meus próprios olhos... Me traístes, me traístes... Desprezo-te por toda vida.
  14. 14. 14 Cena IX– A Morte de Flamínio (Públio, Flamínio, Calpúrnia (só contracena) (Em sua casa, Públio recebe das mãos de um mensageiro, uma carta) Personagem Voz Diálogos Públio Tenor Uma carta... Da parte de Flaminio!... É grave seu estado de saúde. Flamínio está morrendo... (Públio volta a Roma) Públio Tenor Flamínio... Flamínio Barítono Públio... Aguardava a tua chegada, oh meu grande amigo, escuta-me atentamente, pois vejo-me às portas da morte. Públio Tenor Os deuses hão de te salvar! Flamínio Barítono Lembra-te daquela noite? Me confiaste um sonho, um mistério, um fenômeno... Públio Tenor Ora se me lembro simples impressões de sonhos, fantasias, meras ilusões!... Flamínio Barítono Fantasias?... Pois escutai: no meu leito de dor, invocava a proteção dos deuses, quando me vi em sono tão profundo, me transportei ao longo do passado, ao mesmo sonho que outrora me contaste. Mas entre o sangue de atrocidades eu era cúmplice de teu bisavô... Mas eras tu, Públio Lentulus, eras tu. Flamínio Barítono Calpúrnia, minha esposa, estou na hora extrema. Coro A 04 vozes Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome, venha anos nosso Reino, de misericórdia. Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como nos Céus, como nos Céus. Pai nosso. Cena X– A Morte de Fúlvia (Fulvia, Emiliano, Aurélia, Coro) (25 anos depois. Sulpício, já falecido, busca em espírito das trevas, o leito de morte de Fúlvia, que conversa com seu filho Emiliano) Personagem Voz Diálogos Fulvia Contralto Emiliano!... Não percebes? Ouve bem... Conheceste Sulpício, amigo de Pilatos? Hei- lo que chega com seus legionários das trevas. Fala de morte, a morte... Da morte. Socorre-me filho meu! Sulpício me apavora!... Emiliano Tenor Acalma-te, acredite nos deuses... Fúlvia Contralto Nos deuses? Ah, Ah, Ah! Os deuses?...Onde
  15. 15. 15 estão os deuses desta maldita casa? Emiliano, nós criamos os deuses; são necessários ao Estado. Nós não somos nada. Somos pó. E o inferno? E os demônios? Devem sim existir... Hei-los que chegam!... Não me levarás!... Malditos!!!... Canalhas!... Emiliano Tenor Aurélia virá fazer-te companhia. Não podes entregar-te. Fúlvia Contralto Ah, Ah, Ah. Fazer-me companhia? Como podes crer nosso, oh filho meu? Tua esposa deve estar ao lado de outro, um antigo amante. Sabes de quem se trata? De Plínio Severius, esposo de Flávia, filha de Públio Lentulus... Fui eu que, induziu minha filha aos desvios dos obreiros do mal; facilitei-lhe o adultério, que se consumou sobre esse teto. Horroriza-te e vigia a tua mulher. Amanhã, quando estiver mais calma, lhe contarei todos os segredos da minha filha infiel! Aurélia Soprano (estava a escutar a mãe) Mãe! Pareces cansada, precisas repousar. Queres uma dose de calmante? (Aurélia se afasta e prepara um remédio acrescido de veneno) Aurélia Soprano (Em pensamento) Um segredo é sempre um segredo e só a morte poderá guardá-lo para sempre!... Para sempre!!! (oferece o cálice do veneno para a mãe e quando percebe que agoniza, simula uma crise de apavoramento) Aurélia Soprano Corram!!!... Depressa!!! Coro (A 4 vozes) Deixarás a vida retida no mal, teu penhor, seiva das trevas, choras em vão!!!
  16. 16. 16 Cena XI– Últimas Confissões (Calpúrnia, Públio, Flamínio, coro ) Personagem Voz Diálogos Calpúrnia Contralto Públio! Na condição de amigo do meu falecido Flamínio, sempre te apoiei como Senador romano. E como chefe de família. Para mim, tua esposa sempre foi culpada dos males do teu casamento... Entre vocês havia um profeta. Refiro-me a Jesus de Nazaré, um convite ao amor, não soubemos compreender. Agora encontro-me doente, mas antes de partir quero que me ouças. Públio Tenor Minha amiga: tu não vais morrer. Só os deuses podem nos chamar. Calpúrnia Contralto Não duvido, mas compreendas... Mas me compreendas. Não quero levar para o túmulo uma falta não resolvida em meu coração. Públio Tenor Uma falta? Minha amiga! És um exemplo, oh Calpúrnia. Calpúrnia Contralto Agradeço-te meu grande amigo, mas tua gentileza não livrará meu pecado. Refiro-me a Lívia. A tua esposa é inocente, imaculada veemente, alma tão pura, elevada. Como nós fomos injustos, quando tua desprezastes, há quanto tempo negaste tua mulher que viveu, que te deu um coração de amor... Hoje, tive uma visão. Era o Flamínio, a luz do meu lamento, resplandecente em áureas perfumadas. Pedi ao espírito sua palavra, seu conselho para as minhas dúvidas. Então o espírito em clara voz falou: “Calpúrnia! Em má hora duvidaste de Lívia a quem deverias cuidar, acalentar tal como uma filha, porque Lívia é inocente” Públio! Acreditas? Sinceramente? Públio Tenor Acredito Calpúrnia Contralto E o que faremos? Públio Tenor Escuta-me: haverá uma grande festa do Estado em homenagem aos Senadores do Império. Estarei entre eles. Vitória afinal; receberei condecorações e presentes, próprios de um Senador. Tudo isso darei a Lívia, darei a Lívia, meu grande amor. Calpúrnia Contralto No grandioso Circo das nossas tradições, mostrarás ao mundo teu supremo amor. Mas tua Lívia, encanto sagrado, é mais que teu
  17. 17. 17 supremo amor. (Calpúrnia morre e Públio sai do quarto.Logo depois um grupo de mensageiros espirituais se aproximam e cantam: Coro A 04 vozes Regozija-te no Senhor! Pois são chegadas vésperas da tua ventura eterna imorredoura!!! ATO III Cena Título Duração XII Nas catacumbas 7’30 XIII Na Prisão do Coliseu 7’,25 XIV Na Espiritualidade 7’00 XV A Queda de Jerusalém 13’25’’ XVI O Perdão 7’30 Cena XII– Nas Catacumbas (Lívia, Ana, João de Cleofas, Centurião, Coro) Personagem Voz Diálogos Lívia Soprano Ana! Desde a morte de Calpúrnia, noto diferenças em Públio. Já dirige-me a palavra com carinho. Ainda ontem afirmou-me que seu coração me reserva doce surpresa no Circo Romano. Sinto, porém, que nesse mundo não há mais tempo para novas venturas. Mas pelo menos, sei que não morrerei em discórdia com o meu companheiro. Ana Soprano Sim, minha senhora, ele reconheceu o seu pecado. Lívia Soprano Ana, ainda ontem, nas minhas orações, ouvi vozes que me anunciavam o Reino dos Céus. Ana Soprano Minha senhora, nas catacumbas uma nova voz de levantará. Trata-se de João de Cleofas. Falará em nome de Jesus. Senhora: vamos participar? (Saem, sem serem vistas, durante a noite, até as catacumbas. No recinto, um cemitério subterrâneo; diante de uma assembléia de cristãos, encontra-se João de Cleofas) João de Cleofas Baixo Irmãos: esteja convosco o Cordeiro de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Pelas revelações do Espírito Santo, os cristãos
  18. 18. 18 dessa cidade foram escolhidos para o grande sacrifício, pelo Cordeiro de Deus. E eu nos venho anunciar nossa entrada no Reino dos Céus. Agradecemos em nome do amor, na fé em Cristo, oremos ao Pai. Roma batizará sua fé com o sangue cristão inocente! Lavaremos com sangue e lágrimas o brilho do falso poder. Mas chegará o fim dos dias de aniquidade perdida e um grande Império ruirá em pobreza sem fim. Coro A 04 vozes Senhor Jesus, Eis nosso coração... João de Cleofas Baixo Pai nosso que estás nos Céus, santificado Vosso Nome, venha a nós Vosso Reino de misericórdia, seja feita a Vossa Vontade, Assim na Terra como nos Céus, como nos Céus. Pai Nosso.. (No final da oração, repentinamente, entram no recinto, soldados romanos) Centurião Barítono Cristãos! Em nome de Cesar, deveis me acompanhar. (Nesse momento os cristãos se revoltam e ameaçam contra atacar) João de Cleofas Baixo Não meus irmãos!!! Não repitais nesse recinto a triste cena da prisão de Jesus. Centurião! Cumpra o seu dever! (Os cristãos são presos e levados para os calabouços do Circo Romano)
  19. 19. 19 Cena XIII– Na prisão do Coliseu (Cornélio, Centurião, Clódio, Ana, Lívia) (Na prisão, os cristãos, acomodados no chão, ficam em subgrupos. Ana e Lívia Estão juntas. (Cornélio, o oficial encarregado, fala com o Centurião) Cornélio Barítono Pelo que vejo tudo está em ordem e o Imperador ficará satisfeito. Essa primeira caçada de cristãos era essencial ao glorioso dia dos senadores... Mas escuta- me: quem é aquela mulher que traz a toga das matronas da alta classe social? Centurião Barítono Ignoro. Muito me admirei de encontrá-la em tal ambiente, mas enfim, cumpri as vossas ordens. Cornélio Barítono Fizeste bem! Mas mantenho-na aqui até amanhã. Durante o espetáculo podemos libertá-la. Centurião Barítono E porque não agora, neste instante? Cornélio Barítono Insensatez: há riscos em demanda. Quero evitar posturas imponderadas (Nesse momento, abre-se uma grande porta rústica e surge uma figura de um soldado pavoroso pelo sinistro semblante: Clódio) Clódio Baixo Cristãos!!! Não há clemência de Cesar para os que professam a Doutrina do Nazareno. Poucas horas vos separam dos leões da arena do grande Circo Romano. (E fica ali, de prontidão, aguardando ordens. Cornélio e o Centurião, passando em revista aos prisioneiros, passam pela Lívia, cumprimentando-a respeitosamente. Ana observa e comenta) Soprano Noto que vos tratam com simpatia. Porque não requeres o direito da liberdade? Lívia Soprano Não, minha amiga; não sou mais desse mundo, só tenho a minha consciência, morrer em paz será o meu júbilo. Ana Soprano Mas... Teu esposo! Lívia Soprano Há vinte e cinco anos não tenho esposo. Públio buscou seu caminho no mundo terrestre; busquei na minha fé o meu caminho. Oh, Deus, oh meu Senhor, estou contigo... Tenho um último pedido. Ana Soprano Sou vossa escrava. Lívia Soprano Ouve-me mais uma vez: troca hoje
  20. 20. 20 comigo, a toga da senhora ela túnica da serva! Ana Soprano Senhora!!! Lívia Soprano Não vaciles se queres me ver feliz. (Trocas as roupas) Cornélio Barítono Clódio: Podes providenciar a entrada dos prisioneiros na arena. Mas afasta aquela mulher com a toga do patriciado. Não quero complicações com a sua família. (Todos os cristãos são conduzidos para a arena, através de uma grande porta.Lívia passa e quando se aproxima a vez de Ana, que é a última fila, Clódio a intercepta e diz) Clódio Baixo .Senhora: ficareis aqui até segunda ordem Ana Soprano Mas por que? Pretendeis privar-me da glória do sacrifício? Clódio Baixo Serás a última. (Clódio se retira e Ana, sozinha, ouve o barulho ensurdecedor da platéia entusiasmada com o espetáculo carnificina, o espetáculo da morte. Logo depois, Clódio e o centurião entram)
  21. 21. 21 Clódio Baixo .Senhora! Acompanhai-nos. Ana Soprano Por que?!!! Eu nada mais desejo, senão morrer com meus irmãos. Clódio Baixo Retirai-vos mulher, fugi sem demora! (Ana insiste, mas é conduzida à força para fora do recinto) Ana Soprano Não!!! Por favor!!! Senhora!!! Não!!! .Por favor!!! Não!!! Cena XIV– Na Espiritualidade (Lívia e Públio) (Ao saber do sacrifício de Lívia, Publio encontra-se em seu quarto em grande estado de depressão, quando tem uma visão. É o espírito de Lívia que se aproxima e chama-o) Lívia soprano Querido... Não estamos separados.
  22. 22. 22 (Públio recorda-se do momento em que, há 25 anos, duvidando da esposa, pede-lhe perdão) Públio Tenor Sim... És tudo para mim! Nossos filhos são as flores da minha alma. Perdoa-me, tenho vivido em louco temor! Ajuda-me, oh querida, pois os sonhos se foram da minha vida. (Lívia percebe os pensamentos de Públio e repete as mesmas coisas voltadas para aquela cena) Lívia Soprano .Amor da minha vida, porque choras? Nada mais tens a temer... “Alma gêmea, da minh’alma, flor de luz da minha vida, sublime estrela caída, das belezas da amplidão. Quando eu errava no mundo, triste só no meu caminho;, chegaste devagarinho e encheste-me meu coração! Vinhas da benção de Jesus, de Jesus, da divina claridade, tecer-me a felicidade em sorriso de esplendor. És meu tesouro infinito... Juro-te eterna aliança porque sou tua esperança, como és todo meu amor. Cena XV– A queda de Jerusalém (André de Gioras, Tito, Públio, Vespasiano) (Públio é chamado pelo Imperador Vespasiano)
  23. 23. 23 Vespasiano Baixo Senador! Públio Tenor Augusto!... Vespasiano Baixo Não, meu caro, entenda-me com a velha intimidade de outros tempos, deixe de protocolos... Jerusalém encontra-se amotinada e o cerco em prol da sua tomada vem se prolongando em demasia. Meu filho Tito, já encontra-se na Judéia. Muito embora, capaz, precisará de conselho, orientação. Estivestes em Jerusalém, lá ficastes muitos anos, conheces bem a natureza daquele povo. Era, pois, meu desejo, que aceitasses a incumbência de orientar a tática militar do meu filho. Tito necessita da sua cooperação. Públio Tenor Meu nobre imperador! Vossa palavra Augusta é a palavra do Império. Vespasiano Baixo Muito agradecido. Tudo estará pronto, de modo que sua partida e de dois ou três amigos, se verifique dentro de duas semanas.
  24. 24. 24 (Jerusalém, apesar de vencida pelos Romanos, Públio, mais um companheiro, também senador, numa revista a determinados locais da cidade, foram aprisionados pelo inimigo e levados à presença de um dos chefes da resistência. Esse chefe era o então André de Gioras, o israelita que raptou Marcus, filho de Públio) André de Gioras Barítono Ilustríssimos senadores! Eu vos conheço de longos anos, sobretudo honro-me com a presença do orgulhoso senador Públio Lentulus, antigo legado de Tibério e seus sucessores dessa província perseguida e flagelada pelas pragas romanas!!!. Públio Lentulos! Sou André de Gioras... Guarda! Vai depressa e dize a Ítalo que venha a minha presença... A queda de Jerusalém está iminente, mas darei a última gota do meu sangue para exterminar as víboras do vosso povo. Vossa raça maldita veio cevar-se na cidade eleita, mas eu exulto com a minha vingança. Em vos ambos, orgulhosos dignitários do Império criminoso. Hei-los!... Já estão chegando. Senhores!... Estamos chegando ao fim da nossa defesa. Mas temos o consolo de guardar dois grandes chefes do amaldiçoado Império Romano. Um deles é Pompilo Crasso, que começou sua carreira de homem publico inaugurando um longo
  25. 25. 25 período de terror entre os nossos compatriotas infelizes... O outro, senhores, é Públio Lentulus, orgulhosos legado de Tibério e de seus sucessores na Judéia humilhada de todos os tempos, que escravizou nossos filhos ainda jovens. Organizou processos criminais em todas zonas provinciais, fomentando o pavor de nossos irmãos,lá da sua residência da Galiléia. Pois bem, antes que os malditos soldados nos aprisionem cumpra-nos vossos destinos... Nossa vingança deve obedecer aos critérios da antiguidade: primeiramente morrerá Pompilio Crasso, por ser o mais velho. Nicandro! Esse trabalho lhe compete (Nicandro obedece e com um só golpe, mata o Senador. André continua seu julgamento) André Barítono Ítalo!... Compete às tuas mãos a tarefa desse momento. (Os olhos do Senador buscam ansiosamente na figura de ítalo um personagem familiar. André percebe e continua) André Barítono Então Senador: admiras o Ítalo? Vês agora?, É do tipo romano... Que te pareces?... Há afinidade?... É um escravo de grande valor... (Dirigindo-se a Ítalo) André Barítono Porque hesitas? Terei que usar o chicote? Obedeças!!!... (Nesse momento, Ítalo, também envolto a emoções inexplicáveis, hesita, mas termina obedecendo, arrancando com um só golpe de espada os olhos do Senador) André Barítono Poderia matar-te Senador infame, mas quero que vivas nas trevas da vida. Vou revelar-te quem é Ítalo, o teu algoz do último instante... Ítalo...
  26. 26. 26 (Nesse momento o ambiente é invadido pelos soldados romanos, que impedem, através de um golpe certeiro na cabeça do André a continuidade da sua revelação. Ítalo é morto e os demais são presos. André apenas desmaiado é arrastado,também como prisioneiro). (Tito trata o cadáver de Ítalo com desprezo, quando Públio agora sob socorros médicos, intervém) Públio Tenor Um momento!... Recomendo que tratem com respeito o cadáver do jovem Tito Tenor Senador! Não esqueçais, pois esse homem vos deixou nesse estado. Está cego para toda vida. Públio Tenor Enganai-vos meu amigo, esse homem que mais não vejo, foi contemporâneo nosso, em cativeiro, por um senhor de Jerusalém. Cena XVI– O Perdão (Públio, André de Gioras) (A Queda de Jerusalém culminou com um grande cortejo de prisioneiros pelas ruas, a caminho da execução. Públio queria encontrar André de Gioras, pois necessitava da confirmação das suas suspeitas acerca da identidade verdadeira de Ítalo. Já preso, acompanhado por Tito, André é localizado e Públio é deixado à presença de André) Públio Tenor Senhor André, provoquei esse encontro para esclarecer as dúvidas de minh’alma: solicito a identidade daquele que me crestou a vista para sempre. Não posso aqui mais ordenar. Eu suplico, senhor, em favor de um pai, revelai a mim teu coração. André Barítono Públio Lentulus não desesperes, revelarei todo o meu segredo. Na vossa dor, avaliei o meu crime e ainda não sei se mereço o vosso perdão. Há muitos anos pedi para meu filho Saul, preso por vossas mãos, mas não me destes ouvidos. Não conseguindo, jurei a qualquer custo
  27. 27. 27 roubar-lhe o filho do coração. Pois bem Senador, aquele a quem chamei de Ítalo e que foi vosso carrasco, era vosso filho, era vosso filho Senador!!!... Perdoa-me!!!... Perdoa-me!!!... Perdoa-me pelo amor de Deus. (Nesse momento, Lívia volta a aparecer encoberta por uma luz divina. Públio a contempla, pensa, medita e voltado para André, em triste semblante, responde) Públio Tenor Estás perdoado. F I M

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