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"O PSD tem que mudar" - artigo de Rui Teixeira Santos publicado em 2019.06.01 no semanário SOL

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Artigo de opinião sobre as Eleições Europeias em Portugal em 2019

Publié dans : Actualités & Politique
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"O PSD tem que mudar" - artigo de Rui Teixeira Santos publicado em 2019.06.01 no semanário SOL

  1. 1. O PSD tem que mudar. Pelo meu lado, farei o que puder. Para a Economia Política não são os eleitores que escolhem os políticos, mas os políticos que “compram” o voto dos eleitores. Se somarmos a abstenção (69,1%), os votos brancos (4,3%) e os votos nulos (2,7%) das eleições europeias verificamos que mais de 3/4 do eleitorado não “comprou” o que os partidos estavam a “oferecer”. A culpa não é do eleitor, mas da tecnologia do processo eleitoral, dos programas e dos candidatos, cujas mensagens e campanha não corresponderam às necessidades do eleitorado. O Presidente não tem, por isso, razão. Nos que votaram verifica-se uma forte resiliência eleitoral, provando a tese que, em Portugal, o Sistema de Partidos só muda com a mudança do Regime Político. A importante vitória política do PS não correspondeu a uma expressiva vitória nas urnas. O PS teve apenas mais de 70 mil votos que nas anteriores europeias, consideradas “poucochinho”. A eleição de um deputado pelo PAN está em linha com a agenda de sustentabilidade ecológica que tem forte aceitação nos novos eleitores. É um discurso que compra votos em toda a Europa e Portugal segue a tendência. O crescimento do BE – que releva ter sido o único partido a não cair na armadilha de transformar estas eleições numa espécie de primeira volta das legislativas - traduz a absorção do voto que Marinho e Pinto conseguiu antes. Esta subida do BE contrasta com a redução para metade do eleitorado no PCP, envelhecido e com um discurso desajustado nesta época disruptiva. Ainda que o nível de abstenção não permita leituras nacionais nem projeções para as legislativas, os desequilíbrios nos resultados dentro da base de apoio parlamentar do governo não deixarão de ter consequências no agravamento da conflitualidade social, permitindo antever uma longa campanha para as legislativas, que impedirá uma maioria absoluta do PS. António Costa já veio dizer que está fora de questão, em caso de vitória, uma coligação com a extrema-esquerda. O PS tenta não assustar o eleitorado moderado, mas obviamente, fará o necessário para se manter no governo. Finalmente, a derrota da direita também não correspondeu a uma expressiva diminuição da sua dimensão relativa. A sua fragmentação, com os novos partidos, não resolveu a orfandade do discurso de Passos Coelho, mas justifica a erosão do CDS. Já sabíamos que estes novos partidos apenas tirariam votos ao CDS. Portanto, a estratégia do CDS esteve desalinhada com as suas ameaças. Já o caso do PSD é muito mais grave. O eleitorado do PSD não foi votar em Paulo Rangel, mas sobretudo, em Rui Rio, que não teve uma mensagem estruturada sobre a Europa e perdeu credibilidade com o recuo na questão dos professores. Esta situação pronuncia um resultado ainda pior nas legislativas. É bom que o PSD não se deixe capturar pelo discurso da chantagem e avance para uma solução de contingência imediata, mesmo com muitos dirigentes (por causa da lista de deputados), acompanhados pelo aparelho ideológico do PS, a dizerem que é suicida mexer no líder a 4 meses das eleições. Pelo meu lado, farei o que puder. Rui Teixeira Santos (Professor universitário e militante do PSD)

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