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Versátil, macaúba chega à aviação

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O pesquisador do IAC, Carlos Colombo, concedeu informações sobre a macaúba. A matéria foi publicada no jornal Correio Popular, em 7 de junho de 2017.

Publié dans : Sciences
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Versátil, macaúba chega à aviação

  1. 1. Versátil, macaúba chega à aviação DESCOBERTA ||| CULTURA Inaê Miranda DA AGÊNCIA ANHANGUERA inae.miranda@rac.com.br Uma planta nativa e dez vezes mais produtiva que a soja, a macaúba vem despertando a atenção dos pesquisadores bra- sileiros, o interesse da indústria e do setor empresarial de avia- ção. Rica em ácido oleico e áci- dos graxos — propriedades es- senciais para uso na área cos- mética e no processo de produ- ção de biocombustíveis avança- dos —, a palmeira também pro- mete ser uma solução para a re- cuperação de áreas de pasta- gem degradadas e ampliação da renda no setor agropecuá- rio. O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Laborató- rio Nacional de Ciência e Tec- nologia do Bioetanol (CTBE) se debruçam sobre a palmeira com o objetivo de avançar nos desafios que ainda cercam esta cultura. Campinas sedia hoje um evento que vai discutir as oportunidades e desafios da palmeira. Estudioso da macaúba des- de 2007, o pesquisador Carlos Colombo, do IAC, diz não ter dúvidas dos potenciais e da ver- satilidade da planta, que, entre outras denominações, também é conhecida como bocaiúva, macaúva, coco-de-catarro, co- co-de-espinho. Segundo ele, a macaúba produz muito óleo, tanto em sua polpa quanto na amêndoa. “O teor de óleo da polpa é maior que o da amên- doa. Chega a ter 70% a 85 % de ácido oleico na composição do óleo. Isso é espetacular para a produção de biodiesel e para alimentação”, diz. O óleo da amêndoa também é de cadeia de carbono mais curta e con- tém ácido láurico, importante para a produção de cosmético. Além disso, a polpa é apreciada na gastronomia e contém pro- priedades alimentares ricas. “A planta é extremamente produtiva. Se comparar com a soja, que você consegue tirar por volta de 400 quilos de óleo em um hectare, a macaúba, co- locando-se umas 400 plantas por hectare, você chega a 5 mil quilos de óleo”, afirma. Outra vantagem em relação à macaú- ba, é que é uma planta nativa da América, ocorrendo princi- palmente no Brasil. “Ocorre do México ao Norte da Argentina. Ocorre muito na região central do Brasil e região de serrado, es- pontaneamente. Significa dizer que planta tem potencial de áreas climáticas de cultivo ex- tremamente elástica e que po- de ser cultivada em todos esses ambientes em que ela ocorre. É uma vantagem grande em re- lação ao dendê, por exemplo, que pode ser cultivado apenas na faixa do Equador.” Aviação Mateus Chagas, pesquisador do CTBE, acrescenta que a ma- caúba é o fruto que deve revolu- cionar a produção de óleo na indústria de biocombustíveis avançados — de aviação — e também na alimentícia. A prin- cipal aplicação hoje é em cos- méticos. “Mas com o potencial produtivo das plantas acredita- mos que com o sistema produ- tivo de larga escala fornecendo óleo a baixo custo de produção ele é competitivo para geração de biocombustíveis avança- dos.” Foi o que demonstraram as simulações do CTBE utilizan- do a biorrefinaria virtual. “E, pe- las características do óleo gera- do pela macaúba, pode ser usa- do tanto para a produção do diesel como para a produção de combustível de aviação.” Projeto Colombo integra o maior pro- jeto existente no País envolven- do, que prevê o plantio de dois mil hectares da espécie. O pro- jeto é financiado pelo Banco Mundial e coordenado por uma empresa alemã. O IAC es- tá auxiliando nas atividades de seleção de matrizes e germina- ção de sementes que serão cul- tivadas. “Esse projeto preten- de o plantio de dois mil hecta- res de macaúba em área de pastagem. Identificaram 100 pequenos produtores de re- gião de pastos de Minas e o projeto vai fornecer mudas pa- ra esses agricultores para que tenham uma renda adicional na sua propriedade”, explica. Uma usina também será cons- truída na região para extração do óleo. Ele acrescenta que o projeto tem cunho social im- portante, já que futuramente o óleo será processado e extraí- do. “É uma iniciativa importan- te e acho que vai mostrar para que vem essa planta.” Os pes- quisadores acreditam ainda no potencial da macaúba para recuperação das áreas de pas- tagens: “Colocar a macaúba nesse tipo de ambiente é inte- ressante porque você está colo- cando uma floresta em cima de um pasto. Protege a grama, cria um ambiente interessante para grama se desenvolver, tem a rede de raiz subterrânea e isso impede que solo seja le- vado embora por erosão”, afir- ma Colombo. Desafios Os pesquisadores e investido- res também se deparam com alguns desafios que envolvem a macaúba, entre eles o fato de ainda não se ter um sistema de produção em larga escala consolidado. Atualmente, ape- nas o Estado de Minas Gerais planta a macaúba comercial- mente. Outro gargalo identifi- cado foi em relação à varieda- de. “De acordo com dados do IAC, existe uma variação gran- de de expectativa de produtivi- dade das plantas. Se a gente fo- ca naquelas plantas com po- tencial produtivo maior, esse risco do sistema produtivo cai consideravelmente. Ligado mais a aspectos tecnológicos, o que podemos falar é que a parte de fertilização e opera- ção de colheita são as duas eta- pas da produção que são mais intensivas em custos. Então, qualquer beneficio tecnológi- co para desenvolvimento e aperfeiçoamento dessas eta- pas também pode contribuir para redução dos custos e ris- cos associados a macaúba”, completou Chagas. Rica em ácido oleico e ácidos graxos, a polpa da macaúba tem sido muito usada na gastronomia: cultura promete ser uma solução para recuperar áreas de pastagem degradadas e ampliar renda no setor agropecuário O pesquisador Carlos Colombo e as mudas da palmeira: alta produção Os pesquisadores ressaltam que o CTBE e o IAC enxergam na macaúba um gerador importante de oportunidades capaz de transformar o país em um grande produtor de mais uma matéria-prima de alta qualidade e aplicação tecnológica. Acreditando nesse potencial, o CTBE promove hoje o Workshop “Macaúba, oportunidades e desafios”, no CTBE, que deve reunir pesquisadores de todo o Brasil, além de representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, BNDES, Cargill, Petrobras, Embraer, Gol Linhas Aéreas, entre outros. A programação tem início às 8h30 e segue até as 17h. Mais informações estão disponíveis no site: http://pages.cnpem.br/wectbe/. Planta nativa tem propriedades essenciais para uso que vai da área de cosmético a biocombustíveis Fotos: Leandro Torres/AAN IAC ajuda na seleção de sementes para ampliar cultivo SAIBA MAIS CORREIO POPULAR A9CIDADES Campinas, quarta-feira, 7 de junho de 2017 A9

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