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Teste amrr ceg_correcao_2019

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Teste amrr ceg_correcao_2019

  1. 1. Ensino Secundário _______________________ Teste de avaliação de Português 12.º Data: maio de 2019 1/5 TÓPICOS DE CORREÇÃO VERSÃO Grupo 0 (10 pontos) Considerando os seus conhecimentos da vida e obra de José Saramago, redija duas afirmações verdadeiras sobre a vida de José Saramago e indique o título de três dos seus romances. (Apresente a sua resposta em lista.) Grupo I (12G) A Leia o seguinte texto e responda às questões apresentadas. Na cidade há mais um médico, como não tem outra coisa que fazer vai três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas, pontual, primeiro esperando doentes que não aparecem, depois cuidando que não fujam, enfim, passado o tempo excitante da adaptação, instalar-se-á na rotina confortável do pulmão cavernoso, do coração necrosado1 , procurando nos livros remédio para o que remédio não tem (…) Agora que veio o tempo da Páscoa, o governo mandou distribuir por todo o país bodo geral, assim reunindo a lembrança católica dos padecimentos e triunfos de Nosso Senhor às satisfações temporárias do estômago protestativo. Os pobrezinhos fazem bicha nem sempre paciente às portas das juntas de freguesia e das misericórdias, e já se fala que para os finais de Maio se dará uma brilhante festa no campo do Jockey Club a favor dos sinistrados das inundações do Ribatejo, esses infelizes que andam de fundilhos molhados há tantos meses, formou-se a comissão patrocinadora com o que temos de melhor no highlife, senhoras e senhores que são ornamento da nossa melhor sociedade (…) Se a manhã está agradável [Ricardo Reis] sai de casa, um pouco soturna apesar dos cuidados e desvelos de Lídia, para ler os jornais à luz clara do dia, sentado ao sol, sob o vulto protector de Adamastor, já se viu que Luís de Camões exagerou muito, este rosto carregado, a barba esquálida, os olhos encovados, a postura nem medonha nem má, é puro sofrimento amoroso o que atormenta o estupendo gigante, quer ele lá saber se passam ou não passam o cabo as portuguesas naus. (…) Num outro banco os dois velhos conversam, estão à espera de que Ricardo Reis acabe de ler o jornal, geralmente deixa-o em cima do banco quando se vai embora, saem todos os dias de casa com a esperança de que aquele senhor apareça no jardim, a vida é uma inesgotável fonte de surpresas, chegámos a esta idade em que só podemos ver navios no Alto de Santa Catarina, e de repente somos gratificados com o jornal, às vezes em dias seguidos, depende do tempo. Uma vez Ricardo Reis dará pela ansiedade dos velhos, viu mesmo um deles apontar uma corridinha trémula e trôpega para o banco onde estivera sentado, e cometerá a caridade de oferecer por suas mãos e palavras o jornal, que eles aceitarão, claro está, porém rancorosos por terem ficado a dever um favor. 1. Localize o excerto na estrutura interna da obra. Justifique sucintamente. (10 pontos) 2º parte, Ricardo Reis vive na casa no alto de Santa Catarina e está a trabalhar na clínica. (1.º §) 2. Interprete a ironia do narrador presente no 2.º parágrafo, considerando o contexto histórico da obra. (20 pontos) Ditadura do estado Novo… referência ao bodo e aos pobrezinhos e à brilhante festa de beneficência organizada por e para o highlife… 3. Identifique e explique as relações intertextuais estabelecidas com Camões, no 3.º parágrafo.2 (20 pontos) 1 Necrosado: gangrenado; doente. 2 “Não acabava, quando uma figura
  2. 2. 2/5 Referências de Os Lusíadas da descrição do Adamastor: rosto carregado, a barba esquálida, os olhos encovados (…) medonha nem má…. considerações do narrador que compara essa descrição com a estátua…. 4. Comente os comportamento e atitudes dos dois velhos em relação a Ricardo Reis. (20 pontos) Os velhos e o jornal… explicar sobretudo aquela atitude de rancor presente no final do texto… Grupo I (12C/E) A Leia o seguinte texto e responda às questões apresentadas. A partir do dia um de junho [Ricardo Reis] estará desempregado, terá de recomeçar a percorrer as policlínicas à procura dum lugar vago, uma substituição, só para que os dias custem menos a passar, não é tanto pelo dinheiro que ganhará, felizmente ainda não faltou. (…) A tarde, ao regressar do almoço, [Ricardo Reis] reparou que havia ramos de flores nos degraus da estátua de Camões, homenagem das associações de patriotas ao épico, ao cantor sublime das virtudes da raça, para que se entenda bem que não temos mais que ver com a apagada e vil tristeza de que padecíamos no século dezasseis, hoje somos um povo muito contente, acredite, logo à noite acenderemos aqui na praça uns projetores, o senhor Camões terá toda a sua figura iluminada, que digo eu, transfigurada pelo deslumbrante esplendor, bem sabemos que é cego do olho direito, deixe lá, ainda lhe ficou o esquerdo para nos ver, se achar que a luz é forte de mais para si, diga, não nos custa nada baixá-la até à penumbra, à escuridão total, às trevas originais, já estamos habituados. Tivesse Ricardo Reis saído nessa noite e encontraria Fernando Pessoa na Praça de Luís de Camões, sentado num daqueles bancos como quem vem apanhar a brisa, o mesmo desafogo3 procuraram famílias e outros solitários, e a luz é tanta como se fosse dia, as caras parecem elas tocadas pelo êxtase, percebe-se que seja esta a Festa da Raça. Quis Fernando Pessoa, na ocasião, recitar mentalmente aquele poema da Mensagem que está dedicado a Camões, e levou tempo a perceber que não há na Mensagem nenhum poema dedicado a Camões, parece impossível, só indo ver se acredita, de Ulisses a Sebastião não lhe escapou um, nem dos profetas se esqueceu, Bandarra e Vieira, e não teve uma palavrinha, uma só, para o Zarolho, e esta falta, omissão, ausência, fazem tremer as mãos de Fernando Pessoa, a consciência perguntou-lhe, Porquê, o inconsciente não sabe que resposta dar, então Luís de Camões sorri, a sua boca de bronze tem o sorriso inteligente de quem morreu há mais tempo, e diz, Foi inveja, meu querido Pessoa, mas deixe, não se atormente tanto, cá onde ambos estamos nada tem importância, um dia virá em que o negarão cem vezes, outro lhe há-de chegar em que desejará que o neguem. Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago 1. Localize o excerto na estrutura interna da obra. Justifique sucintamente. (10 pontos) 3º parte, (também aceite o final da 2ª…) Ricardo Reis vive na casa no alto de Santa Catarina e já não está a trabalhar na clínica. O dia em questão é o dia 10 de junho, dia de Camões…na altura designado dia da raça… Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura, O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, e a postura Medonha e má, e a cor terrena e pálida, Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.” (Os Lusíadas, canto V, est. 39) 3 Desafogo: alívio.
  3. 3. 3/5 2. Interprete a ironia do narrador presente no 2.º parágrafo, considerando as referências intertextuais e o contexto histórico da obra.4 (20 pontos) Festa do dia de Camões, 10 de junho…; referência ao verso de Camões de Os Lusíadas a apagada e vil tristeza de uma das suas reflexões de tom antiépico dando conta do estado de país…; ironia do narrador dizendo que hoje somos um povo muito contente, acredite,…; vive-se na ditadura do Estado Novo… 3. Sintetize as inquietações de Fernando Pessoa presentes no 3.º parágrafo. (20 pontos) Escrever essa síntese… 4. Considerando a globalidade da obra, comente a representação do amor entre Ricardo Reis e Marcenda ou entre Ricardo Reis Lídia. (20 pontos) B C Escolha um dos seguintes temas e, tendo em conta a sua experiência de leitura, redija um pequeno texto expositivo bem estruturado de 130 a170 palavras. (20 pontos) 12 C a) A representação da natureza na poesia lírica camoniana. b) A subversão da matéria épica na poesia de Cesário Verde. 12 E a) O retrato da amada na poesia lírica camoniana. b) A presença da alegoria no Sermão de Santo António aos Peixes. 12 G a) A mitificação do herói n’ “Os Lusíadas”. b) A cidade e os tipos sociais na poesia de Cesário Verde. Grupo II (60 pontos) Leia o texto. A biografia de José Saramago 5 10 Sobre Saramago já existiam vários livros pelo menos com muitos elementos biográficos, incluindo A Consistência dos Sonhos, de Fernando Gómez Aguilera, uma cronografia dividida em nove capítulos, cada um deles sobre uma década da sua vida e obra. Além disso, o próprio escritor tem imensos textos sobre as duas coisas, desde As pequenas memórias, até muitas páginas dos Cadernos de Lanzarote – além de entrevistas, crónicas, etc. Mas a primeira grande biografia do Prémio Nobel português saiu agora, é da autoria de Joaquim Vieira e intitula-se José Saramago – Rota de Vida. Trata-se de uma obra, como não podia deixar de ser, simultaneamente de recolha, utilização e articulação de todo o muito vasto material já existente atrás referido, e de investigação própria através dos meios, digamos “jornalísticos”, adequados – Joaquim Vieira é, desde há muito, um conhecido jornalista, que nos últimos anos se tem dedicado sobretudo a este tipo de trabalho. E entre tais meios destacam-se, naturalmente, as entrevistas a pessoas próximas do biografado e/ou que têm conhecimento de passos da sua vida ou circunstâncias da sua obra com interesse para uma biografia 4 “Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Düa austera, apagada e vil tristeza.” (Os Lusíadas, canto X, est. 145)
  4. 4. 4/5 15 20 como esta. Aliás, mesmo aquele trabalho de recolha, etc., dada a imensidão do material existente, também se pode, ou deve, para este efeito considerar investigação. (…) José Saramago – Rota de Vida afigura-se-nos ser uma obra de facto com interesse e que traz coisas de novo. Em suma, um livro que ao longo das suas cerca de 750 páginas traça o percurso de vida do homem, com várias revelações (e, claro, opiniões, coincidentes ou desencontradas) e do escritor, reunindo muito do que de essencial sobre ele se escreveu e ele próprio disse. Como (quase?) sempre acontece nestas biografias, e aconteceu em particular com a que Joaquim Vieira fez de Francisco Pinto Balsemão, há quem entenda que o autor entra em domínios da vida privada, familiar e sentimental do biografado de forma desnecessária, excessiva ou mesmo abusiva. (…) Entretanto, fica o sublinhado de se tratar da mais aprofundada e completa obra do género sobre o autor de O Ano da Morte de Ricardo Reis. Jornal de Letras, 19 de dezembro a 3 de janeiro de 2019, p. 19. 1. Os vocábulos grafados em itálico representam (A) a opção linguística do autor do texto. (B) títulos de livros de José Saramago. (C) obras escritas por Joaquim Vieira. (D) títulos de obras de vários autores. 2. No contexto, o termo “jornalísticos” (l. 10) significa (A) que prescinde da qualidade jornalística. (B) que carece de qualidade científica. (C) inadequados ao âmbito jornalístico. (D) inadequados ao tema tratado. 3. O primeiro período do último parágrafo realça (A)que as biografias anteriormente publicadas eram ficcionadas. (B) o caráter polémico de qualquer biografia. (C) o predomínio de factos inverosímeis. (D)que o autor não deveria ter escrito esta biografia. 4. As expressões “Além disso” (l. 3) e “Aliás” (l. 14) têm um valor (A)aditivo. (B) causal. (C) consecutivo. (D)disjuntivo. 5. Os processos fonológicos ocorridos na passagem de OPERA- para “obra” são (A) sonorização e síncope. (B) palatalização e síncope. (C) vocalização e síncope. (D) metátese e síncope. 6. Os processos fonológicos ocorridos na passagem de SCRIPTOR- para “escritor” são (A) sonorização e síncope. (B) prótese e síncope. (C) vocalização e síncope. (D) metátese e síncope. 7. O segmento sublinhado “da autoria de Joaquim Vieira.” (l. 6) desempenha a função sintática de (A) modificador do nome apositivo. (B) complemento do adjetivo. (C) complemento do nome. (D) complemento oblíquo.
  5. 5. 5/5 8. O pronome relativo “que” presente na linha 12 desempenha a função sintática de (A) de predicativo do sujeito. (B) de sujeito. (C) de complemento direto. (D) de complemento indireto. 9. Classifique a oração sublinhada em: “Joaquim Vieira é, desde há muito, um conhecido jornalista, que nos últimos anos se tem dedicado sobretudo a este tipo de trabalho.” (l. 11). oração subordinada adjetiva relativa explicativa. Classifica a oração sublinhada em: “Em suma, um livro que (…) traça o percurso de vida do homem.” (l. 17) oração subordinada adjetiva relativa restritiva. 10. Identifica a classe a que pertence o vocábulo “que” na linha 21. Conjunção subordinativa completiva 11. Indique a modalidade presente em: “José Saramago – Rota de Vida afigura-se-nos ser uma obra de facto com interesse e que traz coisas de novo.” (ll.15-16) Modalidade apreciativa. Grupo III (40 pontos) Redija um texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 350 palavras, e defenda um ponto de vista pessoal sobre a ideia exposta no excerto transcrito. Fundamente o seu ponto de vista, recorrendo a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. 12C "Apoderou-se de mim uma fúria de viajar. Mas acima de tudo queria voltar à Grécia, que foi para mim o deslumbramento inteiro e puro e onde me senti livre e com asas." Sophia de Mello Breyner Andresen 12G "A liberdade é, antes de mais nada, o respeito pelos outros e o respeito que os outros nos devem em função dos nossos direitos. A liberdade é a combinação entre os direitos e os deveres sem que cada um invada o espaço que, por direito, pertence aos outros." José Jorge Letria 12E “Qualquer pessoa que defenda a liberdade defende os direitos das mulheres, ou melhor, defende o direito ao indivíduo, sendo mulher ou homem, pois essa diferenciação não é necessária quando se respeita todas as pessoas.” Débora Gois A professora Arminda Gonçalves

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