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Manoel	Neves	
O	GÊNERO	ÉPICO
ELEMENTOS	DA	NARRATIVA
O	ENREDO	
É	a	história	em	si:	sequência	de	eventos	que	mantém	o	leitor	interessado;	
peripécias.	
TIPOS	DE	NARRATIVA	
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O	FOCO	NARRATIVO	
PerspecPva	por	meio	da	qual	a	narraPva	é	apresentada.	Em	geral,	arPcula-
se	em	terceira	ou	em	primeira	p...
A	PERSONAGEM	
Persona;	máscara;	ser	de	papel;	ser	por	intermédio	do	qual	o	autor	analisa	
a	condição	humana	nas	narraPvas....
O	TEMPO	
Duração,	medida,	passagem;	os	tempos	presentes	na	narraPva	adaptam-se	
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O	ESPAÇO	
Lugares	 onde	 transcorrem	 as	 narraPvas;	 o	 espaço,	 assim	 como	 o	 tempo,	
está	ligado	a	um	Ppo	de	narraPva...
VISÃO	GERAL
O	GÊNERO	ÉPICO	
Na	serra	de	Ibiapaba,	numa	de	suas	encostas	mais	altas	encontrei	um	jegue.	
Estava	 voltada	 para	 o	 lado...
O	HERÓI	ÉPICO	NA	LITERATURA	BRASILEIRA
O	Pgre	desta	vez	não	se	demorou;	apenas	se	achou	à	cousa	de	15	passos	do	
inimigo,	retraiu-se	com	uma	força	de	elasPcidade...
Esta	 luta	 durou	 minutos;	 o	 índio,	 com	 os	 pés	 apoiados	 fortemente	 nas	
pernas	 da	 onça,	 e	 o	 corpo	 inclinado...
O	ANTI-HERÓI	NA	LITERATURA	BRASILEIRA
Dona	Margarida	tocou	a	campainha	com	decisão	e	subiu	a	pequena	escada	
que	dava	acesso	à	casa.	Disse	à	criada	que	desejava...
Na	 rua,	 Clara	 pensou	 em	 tudo	 aquilo,	 naquela	 dolorosa	 cena	 que	 Pnha	
presenciado	e	no	vexame	que	sofrera.	Agora...
Chegaram	em	casa;	Joaquim	ainda	não	Pnha	vindo.	Dona	Margarida	relatou	
a	entrevista,	por	entre	choro	e	os	soluços	da	filha...
O	MALANDRO	NA	LITERATURA	BRASILEIRA
Na	na	meninice	fez	coisas	de	sarapantar.	De	primeiro	passou	mais	de	seis	
anos	não	falando.	Si	o	incitavam	a	falar	exclama...
Quando	 era	 para	 dormir	 trepava	 no	 macuru	 pequenininho	 sempre	 se	
esquecendo	 de	 mijar.	 Como	 a	 rede	 da	 mãe	 ...
ESPÉCIES	DO	GÊNERO	ÉPICO	
EPOPEIA	 poema	que	conta	história	de	um	herói	que	representa	um	povo	
ROMANCE	 narraRva	longa	qu...
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O gênero épico

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O gênero épico

  1. 1. Manoel Neves O GÊNERO ÉPICO
  2. 2. ELEMENTOS DA NARRATIVA
  3. 3. O ENREDO É a história em si: sequência de eventos que mantém o leitor interessado; peripécias. TIPOS DE NARRATIVA TRADICIONAL centrada na peripécia; apresenta início, meio e fim; Lucíola Iracema MODERNA centrada na análise psicológica; revelação da interioridade; São Bernardo Dom Casmurro
  4. 4. O FOCO NARRATIVO PerspecPva por meio da qual a narraPva é apresentada. Em geral, arPcula- se em terceira ou em primeira pessoa TIPOS DE FOCO NARRATIVO ONISCIENTE NEUTRO 3ª. pessoa; visão por trás conta a história e não emite opinião ONISCIENTE INTRUSO 3ª. pessoa; visão por trás conta a história e emite opinião PROTAGONISTA 1ª. pessoa; visão com conta a história e é personagem principal TESTEMUNHA 1ª. pessoa; visão com conta a história e é personagem secundária VISÃO DE FORA história conta-se sem narrador [diálogos] impessoalidade NARRATIVAS POLIFÔNICAS presença de vários narradores mulPplicidade de pontos de vista
  5. 5. A PERSONAGEM Persona; máscara; ser de papel; ser por intermédio do qual o autor analisa a condição humana nas narraPvas. TIPOS DE PERSONAGENS PLANAS previsíveis; mantêm mesmas ações não tem densidade psicológica REDONDAS imprevisíveis; surpreendem o leitor densidade psicológica; complexas PROTAGONISTA personagens principais relevantes na obra SECUNDÁRIAS ficam em segundo plano não são relevantes para o enredo ANTAGONISTA opõem-se às personagens principais dão origem a conflito e a peripécia CARICATURAS E TIPOS caricatura: deformação sa^rica Ppo: estereóPpo, padrão
  6. 6. O TEMPO Duração, medida, passagem; os tempos presentes na narraPva adaptam-se a esquemas narraPvos tradicionais, modernos, míPcos ou históricos. TIPOS DE TEMPO CRONOLÓGICO linear, evoluPvo; sequencial dias, meses, anos PSICOLÓGICO tempo da consciência do homem moPvações existenciais MÍTICO illo tempore; mitos e lendas homens e deuses viviam em harmonia CÍCLICO início-fim da narraPva são idênPcos imutabilidade de certa modo de vida HISTÓRICO presença de evento da História Oficial arPcula-se a eventos verídicos
  7. 7. O ESPAÇO Lugares onde transcorrem as narraPvas; o espaço, assim como o tempo, está ligado a um Ppo de narraPva específica. TIPOS DE ESPAÇO NARRATIVO FÍSICO lugar bsico onde transcorrem eventos caráter tradicional PSICOLÓGICO conflitos existenciais da personagem técnicas de revelação interior SOCIAL realidades sociais que permeiam a história raça, exclusão, engajamento...
  8. 8. VISÃO GERAL
  9. 9. O GÊNERO ÉPICO Na serra de Ibiapaba, numa de suas encostas mais altas encontrei um jegue. Estava voltada para o lado leste e me pareceu que descorPnava o panorama. Mas quando me aproximei, percebi que era cego. Perguntei-lhe o que fazia nas encostas daquela serra. Ele me respondeu que sempre Pvera vontade de ficar ali, parado, descorPnando o panorama árido. Mas o homem não permiPa que ele abandonasse o trabalho e se dirigisse àquele síPo. Só houve um meio de o homem deixá-lo ir: era tornando-se inúPl. E ele tornou-se cego e ali estava. – Mas você não pode ver o panorama – eu lhe disse. Não tem importância – ele respondeu –, eu posso imaginá-lo. FRANÇA JÚNIOR, Oswaldo. O jegue cedo. In.: As laranjas iguais; contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. narrador tempo espaço enredo personagem visão objePva ficção caráter dinâmico predomínio do pretérito prosa ou verso
  10. 10. O HERÓI ÉPICO NA LITERATURA BRASILEIRA
  11. 11. O Pgre desta vez não se demorou; apenas se achou à cousa de 15 passos do inimigo, retraiu-se com uma força de elasPcidade extraordinária, e aProu-se como um esPlhaço de rocha cortada pelo raio. Foi cair sobre o índio, apoiado nas largas patas de trás, com o corpo direito, as garras estendidas para degolar a sua víPma, e os dentes prontos a cortar- lhe a jugular. A velocidade deste salto monstruoso foi tal que, no mesmo instante em que se vira brilhar entre as folhas os reflexos negros de sua pele azevichada, já a fera tocava o chão com as patas. […] Como a princípio o índio havia dobrado um pouco os joelhos, e segurava na esquerda a longa forquilha, sua única defesa, os olhos sempre fixos magnePzavam o animal. No momento em que o Pgre se lançava, curvou-se ainda mais, e fugindo com o corpo apresentou o gancho. A fera, caindo com a força do peso e a ligeireza do pulo, senPu o forcado cerrar-lhe o colo, e vacilou. Então, o selvagem distendeu-se com a flexibilidade da cascavel ao lançar o bote: fincando os pés e as costas no tronco, arremessou-se e foi cair sobre o ventre da onça, que, subjugada, prostrada de costas, com a cabeça presa pelo gancho, debaPa-se contra o seu vencedor, procurando debalde alcançá-lo com as garras.
  12. 12. Esta luta durou minutos; o índio, com os pés apoiados fortemente nas pernas da onça, e o corpo inclinado sobre a forquilha, manPnha assim imóvel a fera que há pouco corria a mata não encontrando obstáculos à sua passagem. Quando o animal, quase asfixiado pela estrangulação, já não fazia senão uma fraca resistência, o selvagem, segurando sempre a forquilha, meteu a mão debaixo da túnica e Prou uma corda de !cum que Pnha enrolada à cintura em muitas voltas. Nas pontas desta corda havia dois laços que ele abriu com os dentes e passou nas patas dianteiras, ligando-as fortemente uma a outra; depois fez o mesmo às pernas, e acabou por amarrar as duas mandíbulas, de modo que a onça não pudesse abrir a boca. ALENCAR, José de. O guarani. In.: Obras completas. São Paulo: Montecristo Editora, 2012. Edição digital. O HERÓI ÉPICO corajoso forte inteligente virtuoso modelo a ser seguido parte de sua terra enfrenta perigos mil volta coroado de glórias epopeias árcades romances românRcos indianistas
  13. 13. O ANTI-HERÓI NA LITERATURA BRASILEIRA
  14. 14. Dona Margarida tocou a campainha com decisão e subiu a pequena escada que dava acesso à casa. Disse à criada que desejava falar à dona da casa. Dona SalusPana, que esperava tudo, menos aquela visita portadora de semelhante mensagem, não tardou mandar entrar as duas mulheres. Ambas estavam bem vesPdas e nada denunciava o que as trazia ali. […] A mãe de Cassi, depois de ouvi-la, pensou um pouco e disse com um ar um tanto irônico: – Que é que a senhora quer que eu faça? […] – Que se case comigo. Dona SalusPana ficou lívida; a intervenção da mulaPnha a exasperou. Olhou-a cheia de malvadez e indignação, demorando o olhar propositadamente. Por fim, expectorou: – Que é que você diz, sua negra? […]
  15. 15. Na rua, Clara pensou em tudo aquilo, naquela dolorosa cena que Pnha presenciado e no vexame que sofrera. Agora é que Pnha a noção exata da sua situação na sociedade. Fora preciso ser ofendida irremediavelmente nos seus melindres de solteira, ouvir os desaforos da mãe do seu algoz, para se convencer de que ela não era uma moça como as outras; era muito menos no conceito de todos. […] A educação que recebera, de mimos e vigilâncias, era errônea. Ela devia ter aprendido da boca de seus pais que a sua honesPdade de moça e de mulher Pnha todos por inimigos, mas isto ao vivo, com exemplos, claramente… O bonde vinha cheio. Olhou todos aqueles homens e mulheres… Não haveria um talvez, entre toda aquela gente de ambos os sexos, que não fosse indiferente à sua desgraça… Ora, uma mulaPnha, filha de um carteiro! O que era preciso, tanto a ela como às suas iguais, era educar o caráter, revesPr-se de vontade […] e bater-se contra todos os que se opusessem, por este ou aquele modo, contra a elevação dela, social ou moralmente. Nada a fazia inferior às outras, senão o conceito geral e a covardia com que elas o admiPam…
  16. 16. Chegaram em casa; Joaquim ainda não Pnha vindo. Dona Margarida relatou a entrevista, por entre choro e os soluços da filha e da mãe. Num dado momento, Clara ergueu-se da cadeira em que se sentara e abraçou muito fortemente sua mãe, com um grade acento de desespero: – Mamãe! Mamãe! – Que é minha filha? – Nós não somos nada nesta vida. O ANTI-HERÓI não é virtuoso nem corajoso; BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. Belo Horizonte: ItaPaia, 2001. problemaPza a condição do homem moderno; representa setores oprimidos/excluídos da sociedade [nicho?]. Rpos regionais moradores das periferias mulheres negros crianças de rua homossexuais ex-presidiários imigrantes
  17. 17. O MALANDRO NA LITERATURA BRASILEIRA
  18. 18. Na na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava: – Ai que preguiça!... e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de pixaúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que Pnha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O diverPmento dele era decepar cabeça de saúva. vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava para ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo todo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que habitnado a água doce por lá. No mucambo si alguma cunhã se aproximava dele para fazer fesPnha, Macunaíma punha a mão na graça dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos e frequentava com aplicação a murua a poracê o terê o bacorocô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo.
  19. 19. Quando era para dormir trepava no macuru pequenininho sempre se esquecendo de mijar. Como a rede da mãe estava debaixo do berço, o herói mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. Então, adormecia sonhando palavras feitas, imoralidades estrambólicas e dava patadas no ar. Nas conversas das mulheres no pino do dia o assunto eram sempre as peraltagens do herói. As mulheres se riam muito simpaPzadas, falando que “espinho que pinica, de pequeño já traz ponta”, e numa pajelança Rei Nagô fez um discurso e avisou que o herói era inteligente. O MALANDRO e esperto, sagaz, ágil; ANDRADE, Mário de. Macunaíma: o herói sem nenhum caráter. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Livraria Garnier, 2000. seu triunfo está ligado à astúcia e à improvisação; vive do jogo, da trapaça e até de pequenos furtos; não está dentro da ordem [é um anP-herói], mas aproveita-se dela para triunfar. Leonardo Filho Macunaíma João Grilo Geraldo Viramundo João Miramar Serafim Ponte Grande
  20. 20. ESPÉCIES DO GÊNERO ÉPICO EPOPEIA poema que conta história de um herói que representa um povo ROMANCE narraRva longa que apresenta vários eixos dramáRcos NOVELA narraRva longa com um eixo dramáRco apenas CONTO narraRva curta que apresenta os melhores momentos da história CRÔNICA narraRva vinculada ao jornal: lirismo, ironia e elaboração FÁBULA narraRva alegórica que apresenta lição de moral explícita; CORDEL narraRva em versos de cunho didáRco-pedagógico-moralizante MICROCONTO conto curassimo que, em geral, não ultrapassa 200 caracteres
  21. 21. SIGA-ME NAS REDES SOCIAIS!
  22. 22. hdp://www.slideshare.net/ma.no.el.ne.ves hdps://www.facebook.com/nevesmanoel hdps://www.instagram.com/manoelnevesmn/ hdps://www.youtube.com/user/TheManoelNeves hdps://twider.com/Manoel_Neves
  23. 23. Conhece meu livro de redação para o ENEM? Vendas: www.manoelneves.com

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