Grupos sanguíneos

Grupos sanguíneos

Grupos Sanguíneos
Grupo sanguíneo ABO

Karl Landsteiner (1900): O sangue pode ser classificado em tipos sanguíneos – A, B, e
O, segundo a presença ou não de tipos de glicoproteínas na superfície das hemácias.
Essas glicoproteínas funcionam como antígenos se introduzidas em indivíduos de
grupos diferentes e foram denominadas como aglutinogênios. As aglutininas são
substâncias presentes no plasma sanguíneo e que funcionam como anticorpos que
reagem com antígenos estranhos. Existem dois tipos de aglutininas: anti-A e anti-B.
Dessa forma, indivíduos de fenótipo A têm nas hemácias aglutinogênio A e no plasma
aglutinina anti-B. Os do grupo B têm nas hemácias aglutinogênio B e no plasma
aglutinina anti-A. Pessoas do fenótipo AB possuem dois aglutinogênios e nenhuma
das aglutininas. Finalmente, os indivíduos do grupo O não têm nenhum dos
aglutinogênios nas hemácias, porém, têm as duas aglutininas no plasma.

O contato entre um aglutinogênio e sua aglutinina correspondente provoca a
aglutinação do sangue. Assim, indivíduos com sangue Tipo A não podem doar sangue
para indivíduos do Tipo B, e vice-versa. Indivíduos do Tipo AB podem receber sangue
de qualquer grupo. Já os do Tipo O podem doar para qualquer grupo.




Os três genes alelos comuns para o lócus do grupo sanguíneo ABO são: o gene IA que
codifica o antígeno (aglutinogênio) A; o gene IB que codifica o antígeno (aglutinogênio)
B; e o gene i que não codifica nenhum antígeno.

Os genes IA e IB são co-dominantes e o i é recessivo.



Identificação: provas de aglutinação em lâminas com anti-soros (anti-B e anti-B)
contendo anticorpos de especificidade conhecida.

           –   Aglutinação com soro anti-A – grupo A

           –   Aglutinação com soro anti-B – grupo B

           –   Aglutinação com ambos os soros – grupo AB

           –   Sem aglutinação com ambos os soros – grupo O
Transfusão sanguínea

Pessoas com o sangue tipo A podem receber sangue de pessoas do tipo A e do tipo O,
pois o grupo O não possui aglutinogênios.

Pessoas com o sangue tipo B podem receber sangue de pessoas do tipo B e do tipo O,
pois o grupo O não possui aglutinogênios.

Pessoas do grupo AB podem receber sangue dos grupos A, B, AB e O, pois não
possuem aglutininas no plasma.

Pessoas do grupo O só podem receber sangue de pessoas do grupo O, pois possuem
aglutininas anti-A e anti-B.




Substância H

Precursora dos antígenos A e B.
Por exemplo, indivíduos com sangue tipo A produzem uma enzima que converte a
substância H em aglutinogênio A e indivíduos com sangue do tipo B produzem uma
enzima que convertem a substância H em aglutinogênio B.

È formada por uma cadeia de açúcares (N-acetilgalactosamina, D-galactose, N-
acetilgalactosamina e D-galactose) que se liga às hemácias.



Produção da substância H

Gene H (genótipo HH ou Hh) codifica uma enzima chamada alfa-1,2-fucosiltransferase
que catalisa uma reação a qual formará a substância H (liga molécula de L-fucose à D-
galactose terminal)

   •   Indivíduo do grupo A (genótipo IA IA ou IAi)


        gene H + gene A


       Produção de enzima que liga N-acetilgalactosamina à D-galactose terminal do
       antígeno H

   •   Indivíduo do grupo B (genótipo IB IB ou IBi)


       gene H + gene B


       Produção de enzima que liga D-galactose à D-galactose terminal do antígeno H

   •   Indivíduo do grupo AB (genótipo IA IB )

          gene H+ gene A + gene B



        Produção de enzima que liga N-acetilgalactosamina à D-galactose terminal do
       antígeno H e produção de enzima que liga D-galactose à D-galactose terminal do
       antígeno H
Efeito Bombaim

Indivíduos com genótipo hh não produzem a substância H, e como a
substância H não é produzida, não há produção dos antígenos A e/ou B.
Assim, a expressão dos alelos no lócus ABO depende do genótipo no lócus H.
Indivíduo do grupo O verdadeiro produz substância H.

Indivíduos “falsos O” não produzem a substância H e podem transmitir os
genes A e/ou B para seus descendentes, os quais poderão expressar-se na
presença de pelo menos um alelo H.




Secreção dos antígenos A, B e H em líquidos humanos

Antígenos A, B e H também podem ser produzidos em líquidos orgânicos
(saliva, leite materno, sêmen, urina, sucos gástricos) devido à presença de um
gene secretor (Se) com caráter autossômico dominante.

SeSe ou Sese são secretores; sese são não-secretores (suscetibilidade várias
doenças infecciosas).

80% dos caucasianos são secretores.



Frequência

A distribuição dos grupos sanguíneos na população humana não é uniforme. O
mais comum é 0+, enquanto que o mais raro é o AB-.

Além disso, há variações na distribuição nos diferentes grupos étnicos:

Nos aborígenes da Austrália, 68 % são 0 e 32 % são A
Nos esquimós, 86 % são 0
Nos asiáticos, a grande maioria da população é do grupo B.
Percentual de Ocorrência




Tipo Sanguíneo Rhesus (Landsteiner & Wiener, 1940)

Um terceiro sistema de grupos sanguíneos foi descoberto a partir dos experimentos
desenvolvidos por Landsteiner e Wiener, em 1940, com sangue de macaco do gênero
Rhesus. Esses pesquisadores verificaram que ao se injetar o sangue desse macaco
em cobaias, havia produção de anticorpos para combater as hemácias introduzidas.
Ao centrifugar o sangue das cobaias obteve-se o soro que continha anticorpos anti-Rh
e que poderia aglutinar as hemácias do macaco Rhesus. As Conclusões daí obtidas
levariam a descoberta de um antígeno de membrana que foi denominado Rh
(Rhesus), que existia nesta espécie e não em outras como as de cobaia e, portanto,
estimulavam a produção anticorpos, denominados anti-Rh.

Analisando o sangue de muitos indivíduos da espécie humana, Landsteiner verificou
que, ao misturar gotas de sangue dos indivíduos com o soro contendo anti-Rh, cerca
de 85% dos indivíduos apresentavam aglutinação e 15% não apresentavam. Definiu-
se, assim, “o grupo sanguíneo Rh+” (apresentavam o antígeno Rh), e “o grupo Rh-“ (
não apresentavam o antígeno Rh).

No plasma não ocorre naturalmente o anticorpo anti-Rh. O anticorpo, no entanto, pode
ser formado se uma pessoa do grupo Rh-, recebe sangue de uma pessoa do grupo
Rh+.

A presença do antígeno Rh é determinada por genes no cromossomo 1p.
As proteínas que carregam os antígenos Rhesus são proteínas transmembrana, cuja
estrutura sugere que sejam canais de íons.

Os principais antígenos são: C, D, E, c, e. Codificados por dois loci adjacentes, os
genes RHD e RHCE. Os indivíduos que tem em suas hemácias um ou mais dos
antígenos C, D ou E, será considerado portador do antígeno Rh; este indivíduo é Rh
positivo (+).




Grupo sanguíneo MNSs (Landsteiner & Levine, 1927)

Definido por genes no cromossomo 4, com mais de 40 antígenos já detectados.

Os cinco mais importantes são: M, N, S, s, U, associados com reações de transfusão.

Pode ser dividido em dois grupos: antígenos MN e antígenos S, s, U.

Os dois grupos são muito próximos e herdados juntos (ligação gênica). Grande
importância como marcador genético

O Sistema Duffy

O sistema Duffy tem também um único locus com dois antígenos, Fya e Fyb e quatro
fenótipos: Fy(a+b+), Fy(a+b-), Fy(a-b+) e Fy(a-b-). O único fenótipo raro é Fy (a-b-),
que tem uma grande frequência em países onde há alta incidência de plasmodium
falciparium, malária. Esse fenótipo é responsável por uma queda na imunidade da
pessoa em relação à doença porque o parasita da malária requer antígenos Duffy para
entrar nas hemácias. Anticorpos Duffy são quase exclusivamente IgG. Esse sistema é
nomeado depois da família do produtor de anticorpos, Duffy.

O Sistema KIDD (JK)

Outro sistema de locus único, dois grupos de antígenos (Jka e Jkb). Existem quatro
fenótipos possíveis: Jk (a-b-); Jk (a+b-); Jk (a-b+); Jk (a+b+). Jk (a-b-) é um fenótipo
raro. Anticorpos do antígeno Kidd são quase exclusivamente IgG.

Incompatibilidade na transfusão ou na gravidez pode levar a formação de anticorpos
para todos esses grupos sanguíneos, se o receptor/mãe não possui o antígeno
relevante. É possível detectar todos os anticorpos das hemácias usando um painel de
detecção de anticorpos e outras diferentes técnicas. (Alguns anticorpos,
frequentemente a classe IgG, reagem melhor em temperatura ambiente ou um pouco
mais frio, e alguns a 37graus centígrados). Se um anticorpo é detectado em um soro,
as hemácias desse paciente são testadas pela presença de antígenos. Técnicas de
detecção de antígenos também variam com a natureza da interação anticorpo-
antígeno. A presença de um anticorpo particular exclui o paciente de carregar esse
antígeno.

Sistema Kell

Os antígenos do sistema Kell são expressos na glicoproteína transmembrana N-
glicosilada Kell, produto do gene KEL localizado no cromossomo 7. É uma enzima
conversora da endotelina, que cliva a endotelina-3 para produzir uma forma ativa que
e um potente vasoconstritor. Está associado ao sistema XK (cromossomo X) o qual
apresenta apenas um antígeno, o Kx. A gligoproteína que contém os antígenos Kell se
liga ao antígeno Kx por meio de pontes dissulfídricas.. Função pode estar relacionada
a transporte transmembrana. A glicoproteína Kell e expressa principalmente na
linhagem eritroide, testículos e menor expressão no cérebro, tecidos linfoides e tecido
muscular.

Os anticorpos anti-Kell são geralmente da classe IgG. Mais imunogênicos do que
ABO e Rh. Podem causar reações transfusionais e DHRN.

Grupo sanguíneo Lewis

Um grupo sanguíneo baseado em genes no cromossomo 19, ambos com atividade
fucosiltranferase.

Dois principais tipos: Lewis a e Lewis b.

Não são produzidos pelas hemácias, sendo componentes das secreções exócrinas
epiteliais, e normalmente adsorvidos na superfície das hemáceas.

Qualquer combinação dos tipos é possível, sendo Le a+, Le b- a mais comum.

A ligação entre o grupo Lewis e antígenos do ABO foi talvez o primeiro exemplo de
efeitos múltiplos de um gene humano.

A presença de fucosiltransferase converte o antígeno Lewis a em Lewis b.

Pessoas com antígenos Lewis a normalmente são não-secretoras de ABH, e a
presença de antígenos Lewis b faz com que sejam secretoras.

Lewis negativos (Le a-, Le b-) podem ser tanto secretores ou não-secretores.



Eritroblastose fetal

Incompatibilidade entre os grupos sanguíneos da mãe e do feto.

Pode ocorrer por meio de vários tipos sanguíneos: ABO, Rhesus, Kell, Kidd, Lewis,
Duffy, MN, P e outros).

Exemplo com Rhesus:

           –   Filho Rh+ com mãe Rh- estimulando produção de anti-Rh pela mãe
               uma vez que seus glóbulos vermelhos venham a escapar da circulação
               fetal.
           –   1º filho geralmente não sofre a ação dos anticorpos maternos
–   2º filho pode ser prejudicado – destruição das hemácias, anemia,
    liberação de hemácias imaturas no sangue, acúmulo de bilirrubina
    causando icterícia.
–   Monitoramento e tratamento
        • Dosagem periódica de anticorpos no soro materno durante a
            gestação
        • Transfusão de sangue Rh- à criança no útero ou logo após
            nascimento
        • Uso de anticorpos anti-Rh na mãe antes ou até três dias depois
            do parto – destruição das hemácias Rh+ do feto presentes na
            circulação materna, evitando produção de anticorpos pela mãe,
            e posterior memória imunológica.
Grupos sanguíneos

Recommandé

Grupos sanguíneos ABO e fator Rh par
Grupos sanguíneos ABO e fator RhGrupos sanguíneos ABO e fator Rh
Grupos sanguíneos ABO e fator RhPaloma Dianas
4.5K vues17 diapositives
Grupos sanguineos par
Grupos sanguineosGrupos sanguineos
Grupos sanguineosAndre Luiz Nascimento
2.3K vues23 diapositives
Sistema ABO par
Sistema ABOSistema ABO
Sistema ABOSafia Naser
30.5K vues28 diapositives
Hereditariedade dos Grupos SanguíNeos par
Hereditariedade dos Grupos SanguíNeosHereditariedade dos Grupos SanguíNeos
Hereditariedade dos Grupos SanguíNeosisabelourenco
25.8K vues8 diapositives
Frente 1 aula 12 O Fator Rh par
Frente 1 aula 12 O Fator RhFrente 1 aula 12 O Fator Rh
Frente 1 aula 12 O Fator RhColégio Batista de Mantena
2.3K vues18 diapositives
Sistema abo e fator rh par
Sistema abo e fator rhSistema abo e fator rh
Sistema abo e fator rhKarolyn Soledad
27.9K vues19 diapositives

Contenu connexe

Tendances

Aula de genética tipos sanguíneos e eritroblastose fetal par
Aula de genética   tipos sanguíneos e eritroblastose fetalAula de genética   tipos sanguíneos e eritroblastose fetal
Aula de genética tipos sanguíneos e eritroblastose fetalMarcionedes De Souza
7.9K vues24 diapositives
Sistema abo par
Sistema aboSistema abo
Sistema aboletyap
12.2K vues15 diapositives
Apresentação tipagem sanguinea par
Apresentação tipagem sanguineaApresentação tipagem sanguinea
Apresentação tipagem sanguineaMaria Auxiliadora Nascimento Ferreira
8.2K vues40 diapositives
Alelos múltiplos par
Alelos múltiplosAlelos múltiplos
Alelos múltiplosFatima Comiotto
11.2K vues20 diapositives
Imunohematologia e-sistema-abo-731041 par
Imunohematologia e-sistema-abo-731041Imunohematologia e-sistema-abo-731041
Imunohematologia e-sistema-abo-731041Jhon Almeida
6.3K vues56 diapositives

Tendances(20)

Aula de genética tipos sanguíneos e eritroblastose fetal par Marcionedes De Souza
Aula de genética   tipos sanguíneos e eritroblastose fetalAula de genética   tipos sanguíneos e eritroblastose fetal
Aula de genética tipos sanguíneos e eritroblastose fetal
Sistema abo par letyap
Sistema aboSistema abo
Sistema abo
letyap12.2K vues
Imunohematologia e-sistema-abo-731041 par Jhon Almeida
Imunohematologia e-sistema-abo-731041Imunohematologia e-sistema-abo-731041
Imunohematologia e-sistema-abo-731041
Jhon Almeida6.3K vues
Atividade analizando cariotipos humanos aberrante par netoalvirubro
Atividade   analizando cariotipos humanos aberranteAtividade   analizando cariotipos humanos aberrante
Atividade analizando cariotipos humanos aberrante
netoalvirubro62.7K vues
Aula completa reino protista par Nelson Costa
Aula completa reino protistaAula completa reino protista
Aula completa reino protista
Nelson Costa35.2K vues
Introdução a genetica par UERGS
Introdução a geneticaIntrodução a genetica
Introdução a genetica
UERGS16.6K vues
Os cinco Grandes Reinos- classificação dos seres vivos. par Silvana Sanches
Os cinco Grandes Reinos- classificação dos seres vivos. Os cinco Grandes Reinos- classificação dos seres vivos.
Os cinco Grandes Reinos- classificação dos seres vivos.
Silvana Sanches23.2K vues
Mutações do material genético par UERGS
Mutações do material genéticoMutações do material genético
Mutações do material genético
UERGS38K vues
Interaçao genica par UERGS
Interaçao genica Interaçao genica
Interaçao genica
UERGS17.7K vues

En vedette

Imuno-hematologia par
Imuno-hematologiaImuno-hematologia
Imuno-hematologiajalisantos
9.7K vues115 diapositives
Sistema abo e fator rh par
Sistema abo e fator rhSistema abo e fator rh
Sistema abo e fator rhPhoenixSportFitness
14.8K vues31 diapositives
Apresentacao eritroblastose fetal par
Apresentacao eritroblastose fetalApresentacao eritroblastose fetal
Apresentacao eritroblastose fetalFernanda Marinho
11.6K vues19 diapositives
Eritroblastose fetal - DOENÇA par
Eritroblastose fetal - DOENÇAEritroblastose fetal - DOENÇA
Eritroblastose fetal - DOENÇADanillo Rodrigues
10K vues10 diapositives
mamíferos par
mamíferos mamíferos
mamíferos Milena Coenga Catanante Razuk
12.3K vues50 diapositives
IV.5 mamíferos par
IV.5 mamíferosIV.5 mamíferos
IV.5 mamíferosRebeca Vale
36.6K vues13 diapositives

Similaire à Grupos sanguíneos

Sistema ABO e Fator Rh.pdf par
Sistema ABO e Fator Rh.pdfSistema ABO e Fator Rh.pdf
Sistema ABO e Fator Rh.pdfGilmargomesdasilva7
51 vues22 diapositives
Os alelos múltiplos par
Os alelos múltiplosOs alelos múltiplos
Os alelos múltiplosIuri Fretta Wiggers
5K vues29 diapositives
Sangue e Sistema abo par
Sangue e Sistema aboSangue e Sistema abo
Sangue e Sistema aboaferna
7.1K vues26 diapositives
Aula 14 sistema abo par
Aula 14   sistema aboAula 14   sistema abo
Aula 14 sistema aboJonatas Carlos
482 vues9 diapositives
Codominancia par
CodominanciaCodominancia
CodominanciaGrupo UNIASSELVI
1.8K vues46 diapositives
Polialelia par
PolialeliaPolialelia
PolialeliaAlpha Colégio e Vestibulares
7.9K vues28 diapositives

Similaire à Grupos sanguíneos(20)

Sangue e Sistema abo par aferna
Sangue e Sistema aboSangue e Sistema abo
Sangue e Sistema abo
aferna7.1K vues
SLAID SOBRE GRUPOS SANGUINES E SISTEMA ABO.pptx par cristinanatasha
SLAID SOBRE GRUPOS SANGUINES E SISTEMA ABO.pptxSLAID SOBRE GRUPOS SANGUINES E SISTEMA ABO.pptx
SLAID SOBRE GRUPOS SANGUINES E SISTEMA ABO.pptx
cristinanatasha15 vues
PARA 3S _ AULA 1 DO SEGUNDO BIMESTRE alelos múltiplos e abo abril 2013 par Ionara Urrutia Moura
PARA 3S _ AULA 1 DO SEGUNDO BIMESTRE alelos múltiplos e abo abril 2013PARA 3S _ AULA 1 DO SEGUNDO BIMESTRE alelos múltiplos e abo abril 2013
PARA 3S _ AULA 1 DO SEGUNDO BIMESTRE alelos múltiplos e abo abril 2013
3 s alelos múltiplos e tipagem sanguinea_15_abril_2013 par CotucaAmbiental
3 s alelos múltiplos e tipagem sanguinea_15_abril_20133 s alelos múltiplos e tipagem sanguinea_15_abril_2013
3 s alelos múltiplos e tipagem sanguinea_15_abril_2013
CotucaAmbiental71 vues

Plus de Priscila Rodrigues

Hereditariedade par
HereditariedadeHereditariedade
HereditariedadePriscila Rodrigues
3.9K vues15 diapositives
Mutações e sistema de reparo do DNA par
Mutações e sistema de reparo do DNAMutações e sistema de reparo do DNA
Mutações e sistema de reparo do DNAPriscila Rodrigues
17.7K vues9 diapositives
Replicação do DNA par
Replicação do DNAReplicação do DNA
Replicação do DNAPriscila Rodrigues
33.4K vues8 diapositives
Processamento do pré-mRNA par
Processamento do pré-mRNA Processamento do pré-mRNA
Processamento do pré-mRNA Priscila Rodrigues
7.2K vues6 diapositives
Divisão celular e alterações dos cromossomos par
Divisão celular e alterações dos cromossomosDivisão celular e alterações dos cromossomos
Divisão celular e alterações dos cromossomosPriscila Rodrigues
21.8K vues19 diapositives
Regulação da expressão gênica em procariotos e eucariotos par
Regulação da expressão gênica em procariotos e  eucariotosRegulação da expressão gênica em procariotos e  eucariotos
Regulação da expressão gênica em procariotos e eucariotosPriscila Rodrigues
87.1K vues15 diapositives

Grupos sanguíneos

  • 2. Grupo sanguíneo ABO Karl Landsteiner (1900): O sangue pode ser classificado em tipos sanguíneos – A, B, e O, segundo a presença ou não de tipos de glicoproteínas na superfície das hemácias. Essas glicoproteínas funcionam como antígenos se introduzidas em indivíduos de grupos diferentes e foram denominadas como aglutinogênios. As aglutininas são substâncias presentes no plasma sanguíneo e que funcionam como anticorpos que reagem com antígenos estranhos. Existem dois tipos de aglutininas: anti-A e anti-B. Dessa forma, indivíduos de fenótipo A têm nas hemácias aglutinogênio A e no plasma aglutinina anti-B. Os do grupo B têm nas hemácias aglutinogênio B e no plasma aglutinina anti-A. Pessoas do fenótipo AB possuem dois aglutinogênios e nenhuma das aglutininas. Finalmente, os indivíduos do grupo O não têm nenhum dos aglutinogênios nas hemácias, porém, têm as duas aglutininas no plasma. O contato entre um aglutinogênio e sua aglutinina correspondente provoca a aglutinação do sangue. Assim, indivíduos com sangue Tipo A não podem doar sangue para indivíduos do Tipo B, e vice-versa. Indivíduos do Tipo AB podem receber sangue de qualquer grupo. Já os do Tipo O podem doar para qualquer grupo. Os três genes alelos comuns para o lócus do grupo sanguíneo ABO são: o gene IA que codifica o antígeno (aglutinogênio) A; o gene IB que codifica o antígeno (aglutinogênio) B; e o gene i que não codifica nenhum antígeno. Os genes IA e IB são co-dominantes e o i é recessivo. Identificação: provas de aglutinação em lâminas com anti-soros (anti-B e anti-B) contendo anticorpos de especificidade conhecida. – Aglutinação com soro anti-A – grupo A – Aglutinação com soro anti-B – grupo B – Aglutinação com ambos os soros – grupo AB – Sem aglutinação com ambos os soros – grupo O
  • 3. Transfusão sanguínea Pessoas com o sangue tipo A podem receber sangue de pessoas do tipo A e do tipo O, pois o grupo O não possui aglutinogênios. Pessoas com o sangue tipo B podem receber sangue de pessoas do tipo B e do tipo O, pois o grupo O não possui aglutinogênios. Pessoas do grupo AB podem receber sangue dos grupos A, B, AB e O, pois não possuem aglutininas no plasma. Pessoas do grupo O só podem receber sangue de pessoas do grupo O, pois possuem aglutininas anti-A e anti-B. Substância H Precursora dos antígenos A e B.
  • 4. Por exemplo, indivíduos com sangue tipo A produzem uma enzima que converte a substância H em aglutinogênio A e indivíduos com sangue do tipo B produzem uma enzima que convertem a substância H em aglutinogênio B. È formada por uma cadeia de açúcares (N-acetilgalactosamina, D-galactose, N- acetilgalactosamina e D-galactose) que se liga às hemácias. Produção da substância H Gene H (genótipo HH ou Hh) codifica uma enzima chamada alfa-1,2-fucosiltransferase que catalisa uma reação a qual formará a substância H (liga molécula de L-fucose à D- galactose terminal) • Indivíduo do grupo A (genótipo IA IA ou IAi) gene H + gene A Produção de enzima que liga N-acetilgalactosamina à D-galactose terminal do antígeno H • Indivíduo do grupo B (genótipo IB IB ou IBi) gene H + gene B Produção de enzima que liga D-galactose à D-galactose terminal do antígeno H • Indivíduo do grupo AB (genótipo IA IB ) gene H+ gene A + gene B Produção de enzima que liga N-acetilgalactosamina à D-galactose terminal do antígeno H e produção de enzima que liga D-galactose à D-galactose terminal do antígeno H
  • 5. Efeito Bombaim Indivíduos com genótipo hh não produzem a substância H, e como a substância H não é produzida, não há produção dos antígenos A e/ou B. Assim, a expressão dos alelos no lócus ABO depende do genótipo no lócus H.
  • 6. Indivíduo do grupo O verdadeiro produz substância H. Indivíduos “falsos O” não produzem a substância H e podem transmitir os genes A e/ou B para seus descendentes, os quais poderão expressar-se na presença de pelo menos um alelo H. Secreção dos antígenos A, B e H em líquidos humanos Antígenos A, B e H também podem ser produzidos em líquidos orgânicos (saliva, leite materno, sêmen, urina, sucos gástricos) devido à presença de um gene secretor (Se) com caráter autossômico dominante. SeSe ou Sese são secretores; sese são não-secretores (suscetibilidade várias doenças infecciosas). 80% dos caucasianos são secretores. Frequência A distribuição dos grupos sanguíneos na população humana não é uniforme. O mais comum é 0+, enquanto que o mais raro é o AB-. Além disso, há variações na distribuição nos diferentes grupos étnicos: Nos aborígenes da Austrália, 68 % são 0 e 32 % são A Nos esquimós, 86 % são 0 Nos asiáticos, a grande maioria da população é do grupo B.
  • 7. Percentual de Ocorrência Tipo Sanguíneo Rhesus (Landsteiner & Wiener, 1940) Um terceiro sistema de grupos sanguíneos foi descoberto a partir dos experimentos desenvolvidos por Landsteiner e Wiener, em 1940, com sangue de macaco do gênero Rhesus. Esses pesquisadores verificaram que ao se injetar o sangue desse macaco em cobaias, havia produção de anticorpos para combater as hemácias introduzidas. Ao centrifugar o sangue das cobaias obteve-se o soro que continha anticorpos anti-Rh e que poderia aglutinar as hemácias do macaco Rhesus. As Conclusões daí obtidas levariam a descoberta de um antígeno de membrana que foi denominado Rh (Rhesus), que existia nesta espécie e não em outras como as de cobaia e, portanto, estimulavam a produção anticorpos, denominados anti-Rh. Analisando o sangue de muitos indivíduos da espécie humana, Landsteiner verificou que, ao misturar gotas de sangue dos indivíduos com o soro contendo anti-Rh, cerca de 85% dos indivíduos apresentavam aglutinação e 15% não apresentavam. Definiu- se, assim, “o grupo sanguíneo Rh+” (apresentavam o antígeno Rh), e “o grupo Rh-“ ( não apresentavam o antígeno Rh). No plasma não ocorre naturalmente o anticorpo anti-Rh. O anticorpo, no entanto, pode ser formado se uma pessoa do grupo Rh-, recebe sangue de uma pessoa do grupo Rh+. A presença do antígeno Rh é determinada por genes no cromossomo 1p.
  • 8. As proteínas que carregam os antígenos Rhesus são proteínas transmembrana, cuja estrutura sugere que sejam canais de íons. Os principais antígenos são: C, D, E, c, e. Codificados por dois loci adjacentes, os genes RHD e RHCE. Os indivíduos que tem em suas hemácias um ou mais dos antígenos C, D ou E, será considerado portador do antígeno Rh; este indivíduo é Rh positivo (+). Grupo sanguíneo MNSs (Landsteiner & Levine, 1927) Definido por genes no cromossomo 4, com mais de 40 antígenos já detectados. Os cinco mais importantes são: M, N, S, s, U, associados com reações de transfusão. Pode ser dividido em dois grupos: antígenos MN e antígenos S, s, U. Os dois grupos são muito próximos e herdados juntos (ligação gênica). Grande importância como marcador genético O Sistema Duffy O sistema Duffy tem também um único locus com dois antígenos, Fya e Fyb e quatro fenótipos: Fy(a+b+), Fy(a+b-), Fy(a-b+) e Fy(a-b-). O único fenótipo raro é Fy (a-b-), que tem uma grande frequência em países onde há alta incidência de plasmodium falciparium, malária. Esse fenótipo é responsável por uma queda na imunidade da pessoa em relação à doença porque o parasita da malária requer antígenos Duffy para entrar nas hemácias. Anticorpos Duffy são quase exclusivamente IgG. Esse sistema é nomeado depois da família do produtor de anticorpos, Duffy. O Sistema KIDD (JK) Outro sistema de locus único, dois grupos de antígenos (Jka e Jkb). Existem quatro fenótipos possíveis: Jk (a-b-); Jk (a+b-); Jk (a-b+); Jk (a+b+). Jk (a-b-) é um fenótipo raro. Anticorpos do antígeno Kidd são quase exclusivamente IgG. Incompatibilidade na transfusão ou na gravidez pode levar a formação de anticorpos para todos esses grupos sanguíneos, se o receptor/mãe não possui o antígeno relevante. É possível detectar todos os anticorpos das hemácias usando um painel de detecção de anticorpos e outras diferentes técnicas. (Alguns anticorpos, frequentemente a classe IgG, reagem melhor em temperatura ambiente ou um pouco mais frio, e alguns a 37graus centígrados). Se um anticorpo é detectado em um soro, as hemácias desse paciente são testadas pela presença de antígenos. Técnicas de detecção de antígenos também variam com a natureza da interação anticorpo-
  • 9. antígeno. A presença de um anticorpo particular exclui o paciente de carregar esse antígeno. Sistema Kell Os antígenos do sistema Kell são expressos na glicoproteína transmembrana N- glicosilada Kell, produto do gene KEL localizado no cromossomo 7. É uma enzima conversora da endotelina, que cliva a endotelina-3 para produzir uma forma ativa que e um potente vasoconstritor. Está associado ao sistema XK (cromossomo X) o qual apresenta apenas um antígeno, o Kx. A gligoproteína que contém os antígenos Kell se liga ao antígeno Kx por meio de pontes dissulfídricas.. Função pode estar relacionada a transporte transmembrana. A glicoproteína Kell e expressa principalmente na linhagem eritroide, testículos e menor expressão no cérebro, tecidos linfoides e tecido muscular. Os anticorpos anti-Kell são geralmente da classe IgG. Mais imunogênicos do que ABO e Rh. Podem causar reações transfusionais e DHRN. Grupo sanguíneo Lewis Um grupo sanguíneo baseado em genes no cromossomo 19, ambos com atividade fucosiltranferase. Dois principais tipos: Lewis a e Lewis b. Não são produzidos pelas hemácias, sendo componentes das secreções exócrinas epiteliais, e normalmente adsorvidos na superfície das hemáceas. Qualquer combinação dos tipos é possível, sendo Le a+, Le b- a mais comum. A ligação entre o grupo Lewis e antígenos do ABO foi talvez o primeiro exemplo de efeitos múltiplos de um gene humano. A presença de fucosiltransferase converte o antígeno Lewis a em Lewis b. Pessoas com antígenos Lewis a normalmente são não-secretoras de ABH, e a presença de antígenos Lewis b faz com que sejam secretoras. Lewis negativos (Le a-, Le b-) podem ser tanto secretores ou não-secretores. Eritroblastose fetal Incompatibilidade entre os grupos sanguíneos da mãe e do feto. Pode ocorrer por meio de vários tipos sanguíneos: ABO, Rhesus, Kell, Kidd, Lewis, Duffy, MN, P e outros). Exemplo com Rhesus: – Filho Rh+ com mãe Rh- estimulando produção de anti-Rh pela mãe uma vez que seus glóbulos vermelhos venham a escapar da circulação fetal. – 1º filho geralmente não sofre a ação dos anticorpos maternos
  • 10. 2º filho pode ser prejudicado – destruição das hemácias, anemia, liberação de hemácias imaturas no sangue, acúmulo de bilirrubina causando icterícia. – Monitoramento e tratamento • Dosagem periódica de anticorpos no soro materno durante a gestação • Transfusão de sangue Rh- à criança no útero ou logo após nascimento • Uso de anticorpos anti-Rh na mãe antes ou até três dias depois do parto – destruição das hemácias Rh+ do feto presentes na circulação materna, evitando produção de anticorpos pela mãe, e posterior memória imunológica.