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Como o objetivo inicial do projeto é a construção coletiva de melhorias e novas ideiaspara Porto Alegre, não bastaria apen...
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Artigo hanauer remus reyes franzato

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Artigo hanauer remus reyes franzato

  1. 1. Co-design de ambientes online para promover aparticipação dos cidadãosCo-design of online environments to foster inhabitants’ participationHanauer, Rodrigo; Mestrando; Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinosrodrigohanauer@gmail.comRemus, Bruna; Mestranda; Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinosbrunanr@gmail.comFranzato, Carlo; PhD; Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinoscfranzato@unisinos.brResumoO artigo visa discutir o uso de estratégias de co-design aliadas às tecnologias de informação ecomunicação, para promover cenários digitais de acesso, inclusão e participação dos cidadãos.Para tanto, estuda-se o caso do projeto PortoAlegre.cc, desenvolvido no âmbito de umaparceria entre iniciativa pública, iniciativa privada e universidade.Palavras Chave: co-design, plataformas online, cenários, participação, internet 2.0AbstractThe paper aim at discuss the use of co-design strategies allied with information andcommunication technologies, to foster digital scenarios of inhabitants’ access, inclusion andparticipation. For this, it is studied of the PortoAlegre.cc project, developed within apartnership between academia, industry and government.Keywords: co-design; online platforms; scenarios; participation; web 2.0
  2. 2. Introdução O cotidiano dos grandes centros urbanos é marcado por aspectos como o aumento dadensidade populacional, desenvolvimento sustentável e busca por qualidade de vida. Taisquestões apresentam-se como desafios caracterizados pela incerteza em relação ao futurodesses sistemas complexos (GÜELL, 2006; LUHMAN, 2010). A construção de cenáriosfuturos, baseados em relações de causa e efeito, surge como instrumento capaz de diminuir aimprevisibilidade em relação ao futuro, dando suporte à tomada de decisão estratégica(SCHWARZ, 1996; VAN DER HEIJDEN, 2009; REYES, 2011). O design pode contribuir nesse processo, fornecendo conhecimentos e competênciaspara a construção de cenários que estimulem o desenvolvimento de projetos colaborativospara a sustentabilidade e o bem-estar social (MANZINI, 2003; MANZINI, JÉGOU, 2004).Esses cenários têm por objetivo, por um lado, promover a interação com a população ao longodo processo de construção do futuro das cidades, aumentando a participação popular, poroutro lado, tensionar o modelo mental nos processos decisórios, ampliando a perspectivafutura. A inclusão de atores externos às estruturas políticas promove a transparência dosprocessos decisórios e valoriza a participação daquele que vivencia a realidade que está sendodebatida, o cidadão. Essa participação constrói uma interação projetual que acentua aspectoscomo colaboração, engajamento e participação, características fundamentais de um processode co-design (RIZZO, 2009). Este processo, no entanto, requer ferramentas que realizem a mediação do processo. Paratanto, o meio digital, a partir da web 2.0 (OREILLY, 2005; JENKINS, 2006), possibilita odesenvolvimento de plataformas interativas que promovem o contato entre os atoresenvolvidos. O objetivo deste artigo é discutir como os projetos de co-design estãomodificando o modo como as pessoas interagem umas com as outras e com a cidade ondevivem, a partir da perspectiva de um ambiente aberto. Este artigo é resultado do trabalho de um grupo de pesquisa que investiga a valorizaçãodo território e as formas de ampliação da participação social através de processos em rede. Ofoco do estudo em projetos especificamente colaborativos permitiu que se percebesse que amaioria destes projetos são desenvolvidos com o uso de plataformas online. Deste modo, areal interação entre usuários do espaço público não se encerra durante seu uso, mas continuaatravés de interação virtual, prolongando sua extensão física (IACUCCI, KUUTI, 2002). Pararepresentar o estudo desenvolvido, será apresentado nesse artigo um projeto colaborativo queacontece na cidade de Porto Alegre e que foi desenvolvido pela empresa Lung em parceriacom a Unisinos – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, o projeto PortoAlegre.cc.Sistemas Complexos, Incertezas e Cenários Alguns sistemas são caracterizados pela sua complexidade. A economia, asorganizações, as cidades, o ecossistema e até mesmo o clima apresentam características queGüell (2006) atribui a ciência da complexidade, relacionada pelo autor à capacidade auto-organizativa e a natureza adaptável destes sistemas. Como características básicas dos sistemascomplexos, Güell destaca que 1) não há como entender todo o sistema a partir de uma análiseindividual de um dos componentes; 2) os sistemas complexos apresentam dinâmicas nãolineares; 3) possuem a capacidade de adaptação e transformação em resposta a mudançasocorridas no seu entorno; 4) a adaptação requer a existência de variedade no sistema; 5) ossistemas se transformam de modo nem sempre previsível. Deste modo, observou-se tambémque tais sistemas são caracterizados pelo risco e pelas incertezas em relação aosacontecimentos futuros.10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA).
  3. 3. Relacionado às incertezas, Van der Heijden (2009, p.121) identifica três categoriasdiferentes: 1) riscos, quando há precedentes que permitam estimar prováveis acontecimentos;2) incertezas estruturais, quando não há evidências suficientes que suportem cadeias deraciocínio sobre eventos futuros; 3) impossíveis de acontecer, quando não se pode imaginar oacontecimento. Em meio a esse contexto de complexidade, improbabilidade e risco, o desafio que seimpõe é, justamente, encontrar maneiras de reduzir as incertezas em relação ao futuro. Sendoassim, a utilização de cenários construídos a partir de relações de causa e efeito representadiferentes possibilidades de futuro, se apresenta como uma maneira de dar suporte à tomadade decisões em ambientes de incerteza. Neste sentido, operar com cenários significa projetarfuturos imaginários expressos através de histórias plausíveis nas quais se narram sequênciasfuturas de ações e de suas consequências. Os propósitos da utilização dos cenários são os maisdiversos, no entanto, aplicam-se em geral, em situações de difícil previsão (REYES, 2011,p.2).Atores Externos Se o futuro é imprevisível, quanto mais fatores forem levados em consideração, menor éo risco de surpresa nos processos de desenvolvimento urbano. Esses fatores não são sóinternos. Manzini e Jégou (2004) afirmam que, para reconfigurar as suas próprias atividades,as organizações produtivas e sociais devem operar de modo sistêmico, envolvendo múltiplosatores que sejam internos e externos às organizações. Ainda, este envolvimento deve ocorrerem diversas etapas do processo, como nas fases decisória, projetual e produtiva.Especificamente falando de cenários, os autores fazem referência ao fato de tratar-se de umprocesso de projetação participativa, utilizado como suporte à tomada de decisões emcontextos marcados por mudanças rápidas, complexas e incertas. Essa participação, no entanto, prevê que o sistema seja aberto à colaboração dos atoresexternos. Conforme atesta Luhman (2010), a abertura significa troca com o meio. Essessistemas interpretam o mundo e reagem conforme esta interpretação. A entropia faz com queos sistemas estabeleçam um processo de troca entre sistema e meio, e, consequentemente,com que esse intercâmbio suponha que os sistemas devam ser abertos (LUHMAN, 2010,p.62). Luhman considera: sistema, a estrutura organizacional produtiva ou social; e meio, osagentes externos (consumidores, usuários e cidadãos). Deste modo observamos que as“respostas”, provenientes desta interação/intercâmbio, têm a possibilidade de modificar osistema de acordo com as necessidades do meio. Ao tratarmos de cenários, porém,observamos que este intercâmbio deve ser realizado com antecedência. Esta evidência acentuaa necessidade de sistemas abertos, na “medida em que os estímulos provenientes do meiopodem modificar a estrutura do sistema: uma mutação não prevista [...], uma comunicaçãosurpreendente” (LUHMAN, 2010, p.63).Co-Design e Web 2.0 Torna-se assim evidente a importância da participação de atores externos à organizaçãoprodutiva ou social, durante a construção, projetação e planejamento por cenários. Issoimplica aspectos como co-criação de valor, colaboração e interatividade que constituem abase de um processo de co-design. Conforme destaca Rizzo (2009), o processo de co-design vai além do envolvimento dousuário final através da sua satisfação, mas caracteriza-se pela colaboração proativa dousuário ao longo de todo o processo criativo. Em um processo de co-design o “não-designer”, 10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
  4. 4. coloca-se ao lado do designer e se torna protagonista das práticas de pesquisa edesenvolvimento de novos sistemas produto-serviço (SANDERS, STAPPERS, 2008). Nessa abordagem observa-se que os cenários elaborados em conjunto com usuáriospotenciais e futuros, têm por objetivo testar ideias, coletar novas sugestões e criar umaimagem realística da situação futura (IACUCCI, KUUTTI, 2002). Desse modo, ao inserirmosautores diversos no processo, criam-se condições para a co-projetação diretamente ligada aoreal contexto de uso futuro. A partir do que Jenkins (2009) define por cultura participativa, consumidores eprodutores não são mais vistos em papéis separados, mas sim interagindo de acordo com umnovo conjunto de regras que contrasta com as noções mais antigas sobre a passividade dousuário. Rizzo (2009) destaca também os novos gêneros de produtos culturais, em especial osnovos tipos de mídia – os blogs e redes sociais como plataformas abertas de interação. Dessemodo, configuram-se como potenciais plataformas on-line de co-design. A utilização destasplataformas é fundamental para que haja a colaboração criativa do usuário. Conforme afirmaRizzo, as organizações que decidem incluir não-designers no processo de projetação, devemsubstancialmente criar um modelo estruturado para que ocorra essa interação. Deste modo, analisando o processo de co-design e a participação/interação a partir dasplataformas on-line da Web 2.0, observamos que todo este contexto pode ser aplicado ao co-design de cenários.Plataformas on-line e a complexidade urbana Observando o contexto dos grandes centros urbanos, notamos que o ambiente dascidades apresenta muitas das características relacionadas aos sistemas complexos, querelevamos na primeira seção deste artigo. Conforme destaca Güell (2006), muitos autoresexploram a relação entre a ciência da complexidade e as cidades, principalmente para mediartemas conflituosos como, por exemplo, o enfrentamento entre ecologia e desenvolvimentoeconômico. Além da noção de que as cidades são sistemas complexos marcados por incertezas,devemos observar a importância da participação de diversos atores no co-design de cenáriosfuturos relativos ao contexto urbano. Conforme destaca Güell (2006), a diversidade presentenas comunidades urbanas é um ativo importante, quando bem gerida. Para tanto, é necessárioconhecer os diversos atores que influenciam o desenvolvimento urbano para, deste modo,incluí-los nos processos de definição das estratégias de futuro. Deste modo, acentua-se aimportância do contraste de opiniões que pode se formar uma vez que participarão não apenasatores locais, mas também cidadãos em geral. O autor coloca, ainda, que o planejamentoestratégico das cidades é um processo sistemático que envolve criatividade, além de serfundamentalmente participativo. No sentido de construir os cenários futuros do ambienteurbano, deve haver colaboração dos atores locais ao longo de todo o processo. De modointegrado, devem ser criadas estratégias de desenvolvimento de longo prazo aliadas àformulação de cursos de ação e de tomada de decisões para, assim, alcançar o modelodesejado. Nesse contexto de construção participativa de cenários futuros do ambiente urbano,surgem as plataformas on-line. Assim, coloca-se em prática a proposta de Güell (2006) emrelação à inserção das novas tecnologias na gestão do planejamento das cidades. A partir deplataformas on-line, cria-se um canal direto com a comunidade, agilizando o processo decoleta de informações que serão importantes para a tomada de decisões. Além disso, aparticipação dos atores locais neste processo de co-design tem a capacidade de criar o que oautor define por capital social. Ou seja, cria-se um canal de discussão e interação que traz à10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA).
  5. 5. tona os valores simbólicos da cidade. Além disso, esse processo aberto e colaborativo atravésde plataformas on-line tem a possibilidade de conferir maior transparência informativa àtomada de decisões sobre o futuro das cidades, pois “acabar com esta opacidade informativadeve ser um objetivo central de toda sociedade democrática, e isto pode ser alcançadomediante a utilização de mecanismos de participação e comunicação apoiados nas novastecnologias” (Güell, 2006, p.36).O caso PortoAlegre.cc A Unisinos é uma Instituição com sede em São Leopoldo – cidade situada perto dePorto Alegre, no sul do Brasil. A Unisinos recentemente abriu uma sede em Porto Alegre parahospedar atividades institucionais e cursos especiais. Nesse processo, a Unisinos desenvolveujunto a empresa Lung uma ação denominada “Redenção.cc”, focada na valorização do parqueRedenção, o maior de Porto Alegre. A extensão “cc” presente no domínio Redenção.cc, serefere à licença de uso Creative Commons. Essa ação mobilizou cidadãos porto-alegrensesgerando mídia espontânea e despertando o interesse de diversos agentes públicos e privados. A partir dessa experiência, Unisinos, Prefeitura de Porto Alegre e a empresa Lung sejuntaram para elaborar o projeto “PortoAlegre.cc”, formando uma “hélice tripla”, seguindo ostermos propostos por Henry Etzkowitz (2008), onde iniciativa privada, universidade egoverno estão articulados para o alcance de um objetivo comum. A interface principal do PortoAlegre.cc consiste em uma plataforma online queimplementa o conceito de “Wikicidade”, termo que se refere a uma plataforma digital quepermite a discussão da história, da realidade e do futuro de territórios específicos(www.portoalegre.cc, acessado em 10 de Fevreiro de 2012). A plataforma apresenta o mapada cidade de Porto Alegre no qual o usuário pode postar uma “causa”, geolocalizada no mapapor meio de “pins” (Figura 1). As causas podem ser críticas, sugestões ou ideias sobre algumaspecto de Porto Alegre, registradas e divulgadas através de fotografias, entrevistas, filmesentre outros. Figura 1: Plataforma do PortoAlegre.cc. Cada pin representa uma causa. Fonte: www.portoalegre.cc, acessado em 10 de Fevereiro de 2012 As formas de contato e troca oferecidas pelo projeto estão baseadas fundamentalmentena interface online da plataforma, conectada com um blog e com duas redes sociais: Facebooke Twitter. Para engajar os usuários e estimular a interação contínua entre a plataforma e oscidadãos e entre os próprios cidadãos, são compartilhadas diariamente nas redes sociais,causas, fotos e notícias relacionadas ao contexto, funcionando como teasers. 10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
  6. 6. Como o objetivo inicial do projeto é a construção coletiva de melhorias e novas ideiaspara Porto Alegre, não bastaria apenas a existência de um mapa com a indicação de causasligadas à cidade. A intenção do PortoAlegre.cc é também pensar soluções possíveis para ascausas, resolvendo os problemas urbanos ou gerando visibilidade para as sugestões e as ideiasmais interessantes. Para tanto, são previstas reuniões presenciais que contam com a presençada Lung e dos voluntários que se inscrevem no site para aderir ao PortoAlegre.cc,participando mais ativamente do projeto e ficando em contato direto com a organização. Dessa forma, o modelo da hélice tripla, que orienta a estrutura base do projeto, setorna ainda mais complexo e rico com a inserção da sociedade (figura 2). Figura 2: Esquema representativo dos atores envolvidos no PortoAlegre.cc Fonte: elaborado pelos autores com base na hélice tripla de Etzkowitz (2008) O PortoAlegre.cc é um projeto que continua crescendo e segue em atualização paraobter resultados ainda mais significativos que os já obtidos. No entanto, a lógica de ouvir acidade, gerar ideias e co-criar uma cidade cada vez melhor, continuam sendo o cerne doprojeto. Com base na discussão teórica apresentada neste trabalho, foi montada uma tabelaque apresenta sinteticamente os critérios utilizados para a realização da análise do casoPortoAlegre.cc, descrito anteriormente.Tabela 1: Critérios de análise do caso PortoAlegre.ccCritérios Descrição1. Sistemas complexos Lidar com sistemas complexos pressupõe lidar com algum grau de imprevisibilidade e riscos.2. Construção de Cenários Construir cenários futuros é uma estratégia para lidar com sistemas complexos, minimizando riscos e antecipando oportunidades.3. Atores Diversos Diversas visões sobre o mesmo tema. Envolvimento de pessoas internas e externas ao contexto em diversos contextos.4. Ouvir o Usuário Alterar/adaptar as dinâmicas do sistema a partir da compreensão das necessidades e desejos do meio.5. Co-criação Interatividade e criação coletiva envolvendo diversos atores. Criação colaborativa de valores.6. Co-design Designers e não-designers trabalhando juntos, articulando suas diferentes competências rumo à realização de um projeto.7. Cenários Co-criados Os objetivos são: testar ideias, coletar sugestões e criar imagens de uma situação futura.8. Web 2.0 Plataformas abertas e online que proporcionam interatividade.10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA).
  7. 7. O projeto estudado lida claramente com um sistema complexo – a cidade e a interaçãodos seus cidadãos. Esse sistema é caracterizado por um alto grau de dinamismo que gerasituações imprevisíveis. No caso do PortoAlegre.cc essa imprevisibilidade é uma constante, jáque o projeto é construído por diversos atores e só acontece com a participação dos cidadãos,sob os quais não se tem controle. Para agir nesse sistema é necessária a aceitação do riscoconseguinte. Nesse contexto de imprevisibilidade a construção de cenários futuros foi apontadacomo uma ferramenta capaz de fornecer determinado grau de previsibilidade e antecipaçãoem relação ao que pode acontecer. O PortoAlegre.cc lida de outra forma com a insegurançaem relação ao que pode acontecer no futuro, adotando uma postura de total flexibilidade ecapacidade de adaptação e atualização por parte de seus organizadores. A postura adotadapelos envolvidos é também de abertura à criatividade e inovação. As discussões sobre as causas postadas são uma demonstração de preocupação com ofuturo. As causas que relatam problemas e crises na cidade são discutidas virtualmente nasredes sociais e fisicamente nos encontros com voluntários, a fim de buscar uma solução oudar visibilidade para a causa, chamando a atenção do governo para a mesma. Nesse sentido, oPortoAlegre.cc torna a si mesmo, um cenário para o estabelecimento de diálogos sobre asquestões da cidade e para o projeto do seu futuro, ainda que a plataforma não ofereçaprocessos e ferramentas para a formalização metodológica da construção destes cenários. Percebe-se também, aspectos em relação às qualidades pessoais dos membros doPortoAlegre.cc e que vão ao encontro com o objetivo da construção de cenários. Observamosque os organizadores do projeto têm uma tendência para buscas constantes por atualização eantecipação, tornando o projeto inovador e pré-disposto à novidades. A estrutura do projeto, que permite e, praticamente exige, o engajamento de váriosatores internos e externos pode ser considerada um ponto forte. Conforme vimos, lidar comum contexto amplo e complexo como o das cidades é uma tarefa que pressupõe grandeenvolvimento. Para uma organização que atua nesse âmbito é um desafio mapear e conectaras diversas opiniões e situações que se movem na cidade, portanto, a solução encontrada peloPortoAlegre.cc é muito pertinente. A plataforma colaborativa traz à tona circunstâncias (crises ou ideias) que contemplama visão das mais diversas pessoas de uma maneira inclusiva. Ainda, depois da postagem decausas, quando são buscadas as soluções para as mesmas, formam-se grupos diversos que têminteresse em apoiar o projeto. Não há nenhum tipo de restrição na participação destes grupos.Então, as ideias que já surgem de forma participativa e que trazem diferentes olhares, sãopensadas posteriormente por outras novas visões. Estabelece-se quase que uma rede deolhares sobre um mesmo problema, o que resulta em soluções agradáveis e plausíveis para ummaior número de pessoas. Há, portanto, a questão do olhar de fora da cidade. Agentes internos e externos aoprojeto participam ativamente, mas são moradores de Porto Alegre. Indivíduos que moramfora da cidade, têm uma participação mais pontual. Existe uma articulação, que ocorre emalgumas ocasiões, com porto-alegrenses e não porto-alegrenses que moram hoje fora dacidade. Estas pessoas atuam como um respiro eventual para as ideias do grupo, sendoconsultadas conforme o tema que se discute. Conforme dito anteriormente, trata-se de um projeto flexível e adaptável. Notou-seuma grande pré-disposição dos organizadores para ouvir sugestões e críticas sobre oPortoAlegre.cc, ou seja, há uma sensibilização destas pessoas pelos movimentos da sociedadede Porto Alegre, que os leva a querer entrar em contato, ouvir e traduzir estas vontades emnovas formas de interação com o projeto ou novas soluções. Um exemplo claro disso, são as 10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
  8. 8. propostas de novas formas de contribuir com o projeto, permitindo que pessoas comdiferentes disponibilidade de tempo, diferentes habilidades e interesses diversos se engajemna causa. A co-criação faz parte da alma do PortoAlegre.cc, ela não está diretamente ligada àtodas as decisões referentes ao projeto, pois como todo projeto, este pressupõe liderança paraser levado em frente, ainda que seja esta uma liderança que escuta, que aprende e que seadapta. Entretanto, quando se fala em co-design, o princípio de colaboração ecompartilhamento de talentos é o mesmo, porém se pensa em designers e não-designerstrabalhando em equipe complementado uns as opiniões e ideias dos outros, e atuando juntosinclusive em etapas criativas. Os processos do PortoAlegre.cc não envolvem, no entanto, umdesigner que regule as atividades referentes ao projeto, a fim de trazer com mais relevância adimensão projetual às dinâmicas, o que acredita-se ser um ponto positivo tanto para aconstrução de cenários como para buscar uma implementação das ideias. A ideia de co-design, além de envolver não-designers para que se entenda o contextode uso do que se projeta a partir do envolvimento de outros olhares, proporciona uma maneiraorganizada de co-projetação, na qual métodos e ferramentas de projeto dão suporte as criaçõespodendo aumentar ainda mais a eficiência das propostas pensadas. O uso de uma plataforma online como a escolhida pelo PortoAlegre.cc é totalmenteadequado ao contexto com o qual o projeto visa trabalhar. As plataformas online geramagilidade no processo e facilitam a participação de um maior número de atores, aumentandoas possibilidades criativas e interativas dos mesmos. A criação de valor e a compreensão etradução de uma identidade da cidade se tornam dessa forma, com a participação de inúmeroscidadãos, mais robustas e próximas à realidade. Além disso, a plataforma online e aberta,reforça a ideia de coletividade e colaboração que se deseja transmitir. A não linearização dosprocessos e participação dos atores sem delimitações de hierarquia acolhem também ummaior número de interessados. As plataformas utilizadas conferem ao PortoAlegre.ccvelocidade, trocas intensas, espaço amplo para a fomentação da criatividade, trocas deconhecimento e liberdade para a expressão de novas ideias. Reconhece-se por fim, que há uma importante limitação do projeto no que diz respeitoa implementação das ideias. Elas vêm ocorrendo sim, porém, ainda com características deações pontuais que chamam a atenção para problemas sociais, mas que não os resolvem. Esse,no entanto, é o objetivo inicial do projeto; sensibilizar e engajar cidadãos que queirammelhorar a cidade. Sugere-se então, que sejam pensadas e desenvolvidas novas estratégiaspara dar suporte ao desenvolvimento das ações pensadas. O viés dessas estratégias pode seestabelecer pela visão projetual ofertada pelo design (co-design) ou até, mais pontualmente,pela aplicação da ferramenta de construção de cenários orientada pelo design.Considerações finais Hoje quase seis mil usuários estão participando do PortoAlegre.cc, postando centenasde causas e discutindo-as através de milhares de comentários nas redes sociais, visando umacidade melhor. Em um País com problemas de inclusão social, a proposta de um cenário quegaranta o acesso e estimule a participação efetiva dos cidadãos, é com certeza o principalresultado dessa iniciativa. Além disso, é preciso considerar que o Brasil e a suas cidades estão crescendo deforma tão rápida e continua que se torna difícil acompanhar esta dinâmica de crescimento. Osprocessos e as ferramentas para o co-design, especialmente se aliados a tecnologias deinformação e comunicação, permitem aos cidadãos acompanhar essa dinâmica. OPortoAlegre.cc é uma plataforma em constante movimento assim como a dinâmica dascidades, pois é alimentado pelas postagens e réplicas de um crescente número de usuários.10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA).
  9. 9. Participar do PortoAlegre.cc, ainda que com algumas limitações, significa fazer parte destefluxo ininterrupto. A web 2.0 possui diversos limites com relação à qualidade da participação de não-designers nos processos de co-design, mas os seus benefícios são inegáveis. Formas de co-design que misturam participação presencial e remota, como ocorre em PortoAlegre.cc,podem ajudar a superar esses limites e podem até gerar estreitamento das relações dosenvolvidos. Ressalta-se a percepção de que a construção coletiva de uma nova cidade é um forteagente para o sensível número de adesões ao projeto. A inclusão, abertura, interatividade etransparência nos processos envolvendo os diversos stakeholders se mostram eficientes nosentido de gerar uma sensação de pertencimento ao projeto que se torna dotado de umaidentidade coletiva e genuína dos moradores da cidade. No entanto, os usos individuais deplataformas online podem esvaziar o conteúdo político que é próprio de um processodemocrático. O estudo de PortoAlegre.cc, finalmente, demonstra que os conhecimentos e ascompetências que o design está desenvolvendo para um projeto cada vez mais colaborativo einterativo, são aplicáveis não somente no desenvolvimento de novos produtos e serviços, mastambém, na elaboração de novas instâncias sociais com o envolvimento direto de diversosstakeholders, incluindo dos cidadãos.ReferênciasAEND, Anais do 9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. SãoPaulo: Blücher e Universidade Anhembi Morumbi, 2010.ETZKOWITZ, H. The Triple Helix: university - industry - government. New York: Taylor& Francis Group, 2008.GÜELL, J.M.F. Planificación estratégica de ciudades – Nuevos instrumentos y processos.Estudios Universitários de Arquitectura, Ed. 10. Editora Reverté, 2006.IACUCCI G., KUUTTI K. Everyday Life as a Stage in Creating an Performing Scenariosfor Wireless Devices. In: Personal and Ubiquitous Computing, v. 6, n. 4, 2002.JENKINS, H. Convergence Culture: Where old and new media collide. New York: NewYork University Press, 2006.LUHMAN, N. Introdução à teoria dos sistemas. Petrópolis: Editora Vozes, 2010.MANZINI E., Scenarios of sustainable well-being. In: Design Philosophy Papers, v. 1, n. 1,2003.MANZINI, E.; JÉGOU, F. Design degli scenari. In: MANZINI, E.; BERTOLA, P. DesignMultiverso. Milano: Edizioni POLI.design, 2004.MARTINS, G. A.; THEÓPHILO, C. R. Metodologia da Investigação Científica paraCiências Sociais Aplicadas. 2ª Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2009.MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Editora Sulina, 2006. 10º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, São Luís (MA)
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